7 de março de 2017

Of the pieces of my dreams.



Estou sentada à beira da varanda esperando tudo queimar. Acendo o meu cigarro, trago o luto, engulo a perda e solto o ar. A atmosfera trata de me por no chão. Mas que chão?

Eu não quero ficar presa à minha própria liberdade.

São dias tão difíceis de sobreviver...

Eu continuo a fechar os olhos enquanto uma revolta incontida me enche o peito, aos prantos eu sinto vontade de gritar. Será que tudo isso ao meu redor é o que me define?

Será que o meu corpo, a cor do cabelo, os cachos e o sorriso difícil é quem eu sou de verdade?

A vida fora de mim mesma parece não ter o mesmo sabor de antes, nem faz o mesmo sentido de antes. Eu faço sempre todas as coisas com um pequeno pesar de quem sente que não deveria estar ali. Mas de qual lado eu estou? (Se é que eu pertenço a um lado)

Se eu sou um todo cheio de partes, não existirá um encaixe perfeito pra um coração espalhado em vários cantos e perdido em meio a tantos sorrisos e olhares divididos. Sou um coração despedaçado em cada canto verde dessa cidade. Sou um poste estagnado, sem luz e apagado no escuro da esquina vendo a vida passar enquanto chove e faz sol.

Eu sou o agora perdido em meio a tantas oportunidades que eu deixei pra depois. Um sonho adiado. Uma promessa não cumprida. Um pedaço de um nada dentro de um tudo. Um pequeno grão carregado pela brisa chamada vida, de um lado a outro, buscando fazer um sentido.





Mas que chão é esse que meus pés não conseguem alcançar?






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