10 de fevereiro de 2017

Sobre a ansiedade

"Sua ansiedade me feriu
com um rasgo de saudade no meio
do meu peito.
Na verdade,
o que me fere é saber que ainda vive com ele.
Ele que não te respeita
e que na primeira chance chama de frescura
a dor que te espeta o corpo,
a ansiedade que te acorda os olhos.
Me fere saber
que você ainda se fere por amor,
e que você perdoa
pra poder amar.
Sua ansiedade, quando corrói,
te faz sentir demais.
E ele, feito carrasco num dia ruim,
assiste sua casa cair por trás.
Assiste sua vida queimar em chamas
mais quentes do que o amor
que habitou vocês um dia.
Menina,
ele te manda tomar remédios
e coloca a culpa na falta dos mesmos.
Por outros olhos te chama de louca,
e em silêncio sua ansiedade te grita pra fugir.
Sua ansiedade
quando encontrou a minha
chamou ela pra sair.
Trocaram segredos, feito amantes,
feito dois bêbados.
Você tem medo de ficar sozinha
e aceite quem te receita de louca.
Sua ansiedade vira agulha num carretel de dúvidas
e você finge
não ver ela
bordar
o pedido de socorro por um amor
que sabe
cuidar.
A Ansiedade não tem pra que mentir,
ela não é santa,
tudo bem,
mas quem nesses dias é?
Escute seu corpo
e fuja.
Foge de quem se nega a te escutar
e trata com descaso
a parte mais frágil do seu ser.
Ansioso também ama,
diz isso pra ele."

—João Doederlein

Uma ótima leitura pra dias ruins. Hoje eu sei, e sei porque sinto, que ansiedade não é frescura não. Não é loucura não. Não é bobagem não. Não é ladainha, não é blá blá blá.
A vida acontece em pequenas doses, o dia a dia pode ser algo normal, e as vezes pode ser um monstro à sua espreita só te esperando acordar pra te engolir. Isso é estar ansioso. Você tem medo antes mesmo de acordar, sabe que precisa colocar os pés pra fora, tirar o pijama  e correr pra rua, pros deveres que te esperam, pros nãos que ouvirá, pros sorrisos rasos que dará para as pessoas, o corpo chega a tremer. E não, isso não é frescura.
Antes de julgar, meu caro, pergunte-se se um dia já viveu isso na pele. Se não viveu, não se sinta apto pra dizer o que acha. A sua opinião não vai interessar.

2 de fevereiro de 2017

um rio corre seu curso em meio as horas que passam perdidas numa infinidade de tempos que guardei ao fechar os meus olhos
no segundo instante em que lembro de você
a necessidade de escrever palavras que palpitam dentro de mim buscando um meio de sair
os dedos não param
não abreviam
não escondem
não mentem
eu vejo você dançar na minha frente e sorrir de canto
o teu rio passa sobre mim
molha
corre quente e frio
doce e salgado
enquanto eu paralisado
sinto teus olhos de menina mulher dizerem duas palavras simples
te amar
seria meu pesadelo e meu sorriso ao acordar de manhã e lembrar que tenho você
e enfim
ter que dizer apenas duas palavras que possam te confortar antes de dormir
seria raso demais pro infinito rio que corre em mim
sem hora
toda hora
todo dia, todo dia.