1 de outubro de 2015

Egoísmo

Sinto falta de você.
Mas o que sinto falta
é de tudo o que é seu e que me falta.
Sinto falta de minhas faltas que em você não faltam.
Sinto falta do que eu gostaria de ser e que você já é.
Estranho jeito de carecer, de parecer amor.
Hoje eu resolvi assumir as necessidades
que insisto em manter veladas.
Acessei o baú de minhas razões inconscientes
e descobri um motivo para não continuar mentindo.
Quero agora lhe confessar o meu não amor,
o sentimento que faço parecer ser.
Eu não tenho o direito de adentrar o seu território
com o objetivo de lhe roubar a escritura.
Amor só vale a pena se for para ampliar o que já temos.
Você era melhor antes de mim, e só agora posso ver.
Hoje quero lhe confessar o meu egoísmo.
Quem sabe assim eu possa
ainda que por um instante amar você de verdade.
Perdoe-me se meu amor chegou tarde demais,
se meu querer é bem inoportuno e em hora errada.
É que hoje eu quero lhe confessar o meu desatino,
meu segredo desconcertante:
Ao dizer que sinto falta de você
Eu sinto falta é de mim mesmo.

Pe. Fábio de Melo, in Quem me roubou de mim?

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