7 de janeiro de 2013

Por um ano melhor



Já é fim de tarde, penúltimo dia do ano e o céu está avermelhado, o vento varre as folhas pro norte e eu me apoio no parapeito da janela, uma terça feira linda para um coração tão apertado como o meu. Me senti deslocada aqui, de alguma forma acho que estou no lugar errado mais uma vez. Esse lugar ao qual pertenço me prende a sentimentos intensos e tristes e não encontro a porta certa para fugir, e acabo me afundando mais.
Acordei dos meus devaneios e resolvi me preparar pro mundo. Lá no fundo, meu inconsciente precisava me despertar ou eu acabaria chorando. O mundo lá fora se desespera por esperanças, por mudanças e algo novo que o novo ano possa lhes oferecer. Eu só espero sentir um pouco menos esse peso, essa dor, esse amor incontido e impedido de sobreviver. Será que mais um ano e tudo continuará exatamente como está? Não é isso que quero para mim, a felicidade não deveria ser uma ocasião rara na minha vida, será mesmo tudo culpa minha? Uma hora eu sempre terei que me arrepender. Fazer tudo errado já é tão típico que pedir pra acertar pelo menos uma vez é o que quero para 2013.
Ando meio triste ultimamente, pensei que as férias e a ideia de voltar pra casa seriam encantadoras até o começo das aulas, mas ando preferindo a minha velha rotina de cidade grande, acordar cedo, estudar. Ir à faculdade, ver os amigos e depois estudar. Queria ver velhos rostos que há tempos não vejo e afogar um pouco essa dor quase palpável que me corta aqui do lado de dentro.
Esses dias jogada ao ócio me deprimem, a bebida não faz mais efeito, os sorrisos também não, as pessoas simplesmente perderam o encanto e eu também perdi o meu. Cadê aquele brilho nos olhos e o sorriso encantador que pousava tão ávido em meus lábios lá pra meados de outubro? Onde o perdi? Há quanto tempo me deixo levar por essa amarga solidão que não me deixa mais em paz?
Não sei em que momento da minha vida eu permiti que tudo desabasse assim nas minhas costas, talvez eu tenha deixado algumas coisas não resolvidas pra trás achando que futuramente poderia me livrar delas e na verdade não me livrei. Só deixei acumular sentimentos interrompidos, palavras que deveriam ser ditas mas que se calaram por medo das consequências, e agora elas se repetem continuamente em minha cabeça me trazendo lembranças do que deveria ser feito, do que deveria ser dito e da forma que eu deveria ter agido quando pude e não o fiz. 
O que me resta agora a não ser me arrepender? Bem, me resta sorrir e continuar vivendo. Afinal nunca é tarde para uma solução viável, eu posso encontrar ainda um sorriso que me faça esquecer os mais tórridos problemas. Ou alguém que me possa dar a mão quando na verdade a mão que mais preciso, precisa de mais ajuda psicológica do que eu. E sinceramente, é triste ver tantas pessoas ao meu redor que querem meu bem, que me despejam alegrias e tentam arrancar um sorriso meu mesmo dos mais pequenos, e acabar amando justamente a que não pode estar ao meu lado quando em meio à devaneios tolos me pudesse segurar a mão e dizer, "estou aqui pequena, nada nem ninguém vai te machucar agora."

Escrito em 30/12, finalizado hoje.

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