30 de dezembro de 2012

Dreams for you return.


           Essa noite eu tive um sonho. Sonhei que estava muito feliz porque iria sair, algo me dizia que eu me surpreenderia nessa tarde, e ficar em casa não seria uma boa. Você aparecia no meio do sonho, como se tivesse surgido de uma outra dimensão. A tarde estava fria e estávamos em frente ao cinema, que mais parecia uma escola e tinha uma aparência antiga e parecia que já conhecíamos bem aquele lugar, antes de entrar nos sentamos em um banco.
           Foi quase igual a penúltima vez em que nos vimos, você apareceu do nada e vendou meus olhos com suas mãos e minhas amigas ficaram p-a-r-a-l-i-s-a-d-a-s, essa também foi minha reação ao olhar para trás. Só consegui te abraçar e sentir o meu coração pular pra fora de mim e num ímpeto perguntar o que você fazia a quase quinhentos quilômetros de distancia da sua casa e você despertou em meio a um sorriso torto e disse apenas "você não atendia minhas ligações então vim aqui saber porquê", e me dispersando um pouco do que já passou e afogando essa saudade dentro do meu peito, no meu sonho você usava uma camisa pólo vermelha e estava muito, muito, muito magro. Logo lembrei das razões pela qual estava assim e fechei os olhos apertando uma dor que me arranhava garganta acima, eu queria chorar - mas precisava me conter - você tinha voltado depois de longos anos e eu precisava resgatar um sorriso aqui dentro e abrir bem os braços por que eu queria, aliás eu precisava te abraçar.
           Lembro-me vagamente que olhastes fundo nos meus olhos e sua reação também foi a mesma ao me ver pela primeira vez depois de tanto tempo. Sentamos no tal banquinho e eu não queria sair dali, não importava a que horas o tal filme começaria, eu só queria encostar minha cabeça no teu peito frágil e me deixar levar pelo teu cheiro e pelo conforto que sinto sempre que estou com você. Nós não conversamos no sonho, eu apenas queria te sentir, minhas mãos em suas costas deslizavam lentamente e delicadamente, eu podia sentir os seus  ossos estatelando a pele dos meus dedos e isso me assustava. Então me volta à cabeça uma lembrança que tenho de você quando te vi internado na UTI, onze quilos a menos e os olhos fechados num sono induzido, minhas mãos sobre seus braços marcados por acessos intravenosos e o som do seu coração batendo em descompasso à minha frente através da máquina.
           No meu sonho parecia ser a última vez que iríamos nos ver, então eu não queria te deixar partir. Meu coração apertava, quebrava e se revirava de medo, seria o seu fim? Por que eu tinha uma sensação de que aquele seria o último adeus? Era uma tarde muito fria e você me parecia distante, quase indo embora quando o que eu mais queria era te ver ficar. Minhas lágrimas não se continham, caiam displicentes a cada pequeno toque, dei um suave beijo em seus ombros e já quase não sentia pele ou sequer o macio da camisa, somente os ossos frágeis e quase quebráveis roçando sobre os meus lábios frios, você estava muito fraco e no fundo eu queria te fazer ficar e poder cuidar de você. Mas você estava me deixando. 
           Acordei sobressaltada com vozes que vinham altas da cozinha e eu definitivamente não queria ter aberto os olhos, uma verdadeira contradição, por que no sonho eu não queria fechá-los com medo de abri- los novamente e você ter sumido como numa mágica. Fiquei deitada na cama refletindo sobre o que eu havia sonhado, senti medo porque aquela sensação de perda ainda estava tão desperta em mim. E às vezes me pergunto porque em meio a tantas renúncias, a tantos problemas eu ainda penso tanto em nós. Eu precisava de um tempo só, me deixei levar, procurei outros encantos mas não quis me envolver e no final das contas acabo aqui confessando minha paixão enlouquecida e possessa por você.

25 de dezembro de 2012

Dias e dias, começos e fins, prefiro ficar pro jantar.

Não sei porque ainda consigo me surpreender com minhas oscilações repentinas de humor como alguém que simplesmente foge de tudo e no fim não sabe do que está fugindo. Se estou fugindo de algo, hoje parei. Parei porque não quero mais correr tanto contra algo que de fato precisa ser enfrentado, dia ontem ou dia hoje. Eu não sei exatamente o que precisa ser enfrentado. Mas algo dentro de mim cresce quase que inconsciente, antes dormia, hoje desperta e me arranha por dentro. Às vezes sei, mas guardo pra mim. Prefiro esconder, e viver às escuras não é algo tão bom. Quero um  pouco mais de calma, um pouco mais de alma, como já suplicara Lenine.
A falta dói, vem e passa. Quando me encontro só, lembro de nós dois e me dói por dentro cada pouca lembrança. Quando estou rodeada, sinto que perdi o fio dos pensamentos que me levam a você e pela primeira vez, sorrio. Será que é você quem me trás a solidão? E se for, vale a pena sofrer tanto assim, amor? Tanto tempo perdido, um amor jogado às escuras pro alto numa chance de você apanhá-lo, colocá-lo nos braços e dizer que é seu. Mas você simplesmente deixou cair e descer pelo ralo tudo que dediquei a você. Foi um ano quase perdido...
Você me disse para ir e deixá-lo, me disse que precisava ficar só e viver de si mesmo. Me disse que precisava de espaço e que eu precisava viver, nosso amor já não existia mais em suas palavras. Nós dois  de alguma forma já éramos passado antes mesmo de me consultar, antes mesmo de eu saber, e eu ainda vivia do presente de nós. Remoendo lembranças, sonhando acordada e dormindo com você. Mas você me ajudou a perceber o fim. E por um lado não foi tão mal. Eu precisava/preciso mesmo viver, largar essas ruínas que deixei acumular entre nossas lembranças. Eu precisava varrer tudo pra fora e deixar apenas o vazio, pra seja preenchido de novo. É por isso que hoje sinto falta de algo que sei e não sei explicar. O que sinto é que perdi seu amor, o que não sei explicar é o porquê de haver tanta necessidade quase infindável em mim de preencher de volta o que foi perdido. Mas infelizmente amor, dessa vez quero amar de novo. Outro alguém.
Então, no fim das contas eu acabarei ficando pro jantar à luz de velas entre meu coração vazio e o coração de alguém que queira se preencher. Dois corações vazios e perdidos, de amores que se foram e não mais voltarão. Quem sabe isso dá certo.


Às vezes um homem se deixa levar
Quando ele sente que deveria estar tendo sua diversão
E muito mais cego pra ver o estrago que ele causou
Às vezes um homem tem que acordar pra descobrir que, na verdade,
Ele não tem ninguém...

16 de dezembro de 2012

Um pouco de paz

Estranho pra mim foi acordar hoje às 5, e ter sonhado com o seu abraço infinito onde só existia você e eu. Mas foi tudo um sonho. Eu não te reconheço mais, amor. E me dói sim, e cada parte disso é uma tortura. Eu não consigo colocar os pés no chão e simplesmente não ver, passar direto, atravessar a ponte e pegar o barco. Afundo em lágrimas e me apego ao travesseiro, estamos em fase terminal. Nós dois. E me faltam palavras, gestos e sorrisos.
Se você for, meu amor, eu irei junto. Em alma e coração. Meu corpo ficará aqui nesta terra, vazio, inóspito e sem saída. Mas eu vou com você, meu amor vai com você e não te deixará, em momento algum.
Eu quero estar contigo, só isso. Não importa se foi passado, não importa se já não existe sentimentos tão fortes quanto antes, eu só quero estar. Sem você eu simplesmente não estou, nem sou. Apenas fico só. E solidão é a pior das dores. Eu posso cuidar de você, estou distante, mas meus pensamentos estão sempre  por perto, e não há como mudar isso. 
Meu coração bate de um jeito diferente hoje, a noite está mais silenciosa que ontem e eu estou quase me deixando levar pela dor, mas eu ainda espero tão somente por essa cura. Esse Deus que virá à Terra para um dia provar que cumpre suas promessas é o mesmo que nos provará que pode mudar nossa história. E eu ainda espero, como nas minhas orações, que você continue respirando, devagar. Peço a Ele conforto e um pouco de paz. Pra que o ano que vem vindo seja diferente desse que já se foi, paz para saber aceitar o que eu não posso mudar. Paz para ser e continuar sendo essa tua única, e de mais ninguém.

10 de dezembro de 2012

11

Eu queria só por hoje não pensar em você. Nessas últimas noites já nem sei o que é dormir, e você fala com total naturalidade que essa dor é uma bobagem, um conto sem final.
Eu digo, haverá um final. Um dia. Um final justo, onde eu possa fazer valer a pena um amor de verdade, um sentimento que mude meus ares, que me faça feliz.
Eu também digo chega, eu digo que não quero mais, eu estou exausta, cansada, sem perspectivas, sem vontade de continuar.
Eu quero ser de outro alguém, já que sua eu já não sou mais. Tudo isso não passa de uma bobagem não é mesmo?
Você no meu lugar estaria dando graças a Deus, porque dor de amor a gente simplesmente dá um jeito, não é?
Sabe, eu vou dar um jeito... Um fim, esse é o meu único jeito.

5 de dezembro de 2012

Keep my records with you

"Quero minha casa, você, uma cama enorme
e 1 mês longe de tudo isso, só nós dois."
"Só 1 mês?"
"Um ano inteiro, dois ou três, quer saber? 
Quero minha vida toda ao seu lado,
 e nunca estive tão certo disso."
"Então, volta pra casa..."
"Um dia, amor, um dia. 
Quando Deus permitir."

Eu quis então te abraçar, antes mesmo de desligar. O amor que guardas por mim é maior do que eu poderia imaginar, esperar e lutar. É maior do que a incerteza de sua volta, penso eu. Acho que é por isso que nos amamos tanto assim, por que vivemos de incertezas. Elas nos motivam a buscar a verdade, nos tiram da cama. Me faz por os joelhos no chão e orar, te faz fechar os olhos e acreditar.
Acredite amor, a cura vem. Acredite amor, eu também sei onde está guardado o nosso último beijo, sei onde se escondem todos os nossos abraços não dados e todos os sorrisos despedaçados. Um dia irei levar todos para você, te encher de risadas e covinhas no canto da boca. Chega de tantas pertubações, por hoje uma morfina fará sua cabeça melhor do que outro analgésico qualquer. Vamos pular essa parte, então.
Te encontro perto do mar, sentado naquele banquinho no meio do nada onde tirastes uma foto que até hoje é a mais linda para mim. Me olhe com cara de encrenca, de desejo mesmo. De quem não vai me deixar ir embora, e faça juras eternas de amor, como antes. 
Eu avisei um dia para você não se apaixonar por mim, na verdade eu não queria te poupar, eu já estava apaixonada... Então você continuou. Por que eu desistiria agora?