9 de novembro de 2012

10 meses e um ano

Mamãe me diz que perdi minha vida no dia em que te conheci. Jovem demais, distante demais, amando demais, talvez eu tenha exagerado mesmo. Ou ela exagerou. O que vem acontecendo desde lá até aqui realmente não me deixou feliz. Ando perdida, desencontrada de todos, fugindo da felicidade que pode estar futuramente me esperando lá fora e ela chorou quando me viu chorar também. Eu sei que é verdade, estou vivendo inteiramente por outra pessoa, não sei se por amor ou pena, mas estou. 
Não queria que fosse assim, de verdade. Me dói olhar pra trás e ver que nossa pequena vida juntos se resume a lágrimas e medo de acordar no dia seguinte sem você pra me dizer bom dia. Me dói olhar pra trás e ver que os poucos sorrisos que tivemos juntos foram arrancados por esse mal que te enlaça e vai tirando tua vida aos poucos. Como um homem-bomba, vai te destruindo, canto por canto lentamente e só consigo ver teus olhos tristes, sofridos e não mais aquele sorriso de quem espera muito da vida. Você já não espera mais nada, a não ser se curar.
Sempre fui assim, sempre me dei demais. Isso talvez tenha sido um erro, mas eu sei que você queria ter alguém que continuaria te amando mesmo que um dia você chegasse a partir. Talvez eu ainda seja essa pessoa, por escolha própria escolhi não só a solidão como também a solidão de estar ao seu lado. 
Ela está certa quando diz que eu merecia uma vida melhor e menos lágrimas, menos dias vazios, menos dores, menos pena de mim mesma. Ela está certa quando diz que eu sou tão nova e já vivo uma vida de frustrações e sofrimento, coisas que não deveriam existir para uma garota de 17 anos. Não para uma garota como eu, logo eu, que prometi nunca me apaixonar pra não sofrer e olha só onde estou agora. Ela também está certa quando diz que eu poderia estar sendo feliz, que eu poderia estar amando de novo, que eu deveria estar pensando mais em mim e na minha felicidade. Mas é difícil ver alguém que gostamos muito numa situação difícil e isso nem ao menos nos comover, não sou de  ferro, mãe.
Talvez eu pule do navio e nade contra a correnteza até achar um porto em que eu possa me refugiar, sem deixar rastros eu posso ir embora a hora que eu quiser. Mas eu ainda não sei se posso ir contra mim mesma, a maré ta muito alta e eu posso me afogar em meio a tantas incertezas e nem chegar ao cais. Eu preciso de um tempo pra poder absorver tudo isso. 
Eu sempre fui emocional demais, cargas negativas ou positivas na última voltagem, e essa minha eterna melancolia não me põe pra frente e também não me joga pra trás, só me deixa à deriva, confusa, sem estratégia alguma de fuga. Não me deixa ir, não me deixa ficar. Me prende. Por mim mesma.
Você no meu lugar já teria ido embora? Eu estou tentando ficar. Só que não por muito tempo, não sei se tenho nervos o suficiente pra aguentar até o final, imagine você. Estamos dançando lentamente num quarto em chamas amor, já cantava John, sem nem ao menos nos conhecer. Não há como ficar nem como sair. Mas a fuga não é tão difícil, o mais difícil foi me apaixonar, suportar toda a dor e já chegamos até aqui, por que ir embora, não é mesmo? Mas meu coração é avulso demais pra uma bancada tão grande assim. Ele não tem credenciais e nem sabe se portar diante de tamanha dificuldade. Já suportou até demais. É hora de parar ou ele para por si só... Luzes brilham lá fora e imploram por minha atenção. Ando muito escura aqui dentro, preciso ver o sol da janela ou irei derreter em cinzas e pretos que me arrastam daqui. 
Você consegue me compreender? Será que no fundo já sabíamos que iria ser assim? Talvez eu só não queria admitir... e nem você.


I'll love you baby, more than you'll ever know...

Um comentário:

  1. Nossa guria, que situação tensa! Nem sei o que eu faria no seu lugar. Se seguiria em frente ou se continuaria ali como você tá!
    Desejo a você dissernimento pra fazer a escolha certa!

    Beijos

    ResponderExcluir