14 de agosto de 2012

Oitavo mês

"Alguém que eu costumava conhecer"
Passei duas noites acordada sem contar aquela no ônibus de volta pra casa. Essa frase martelou na minha cabeça como minha tão conhecida enxaqueca, cheguei a pensar que duas as coisas eram uma só e conspiravam contra mim. Mas era só mais uma paranoia, ou quem sabe minhas paranoias sejam certezas mais que absolutas que eu quero esconder de mim mesma às vezes, se é que "certezas absolutas" existem.
Antes eu estava feliz e sorriamos com os olhos, boca e mãos. O gosto do teu toque, cheiro e pele me davam a sensação de que mais nada me faltava e que eu poderia sempre estar com você mesmo longe. Espaços curtos de tempo me fazem sentir medo de te deixar ir. Nossos corpos lambuzados e nossas mãos cada vez mais bobas me faziam perder o medo de te mostrar que amor não é mera concepção e que se resumia a nós e só.
Mas sou humana e me perco às vezes, sou infantil e ainda tenho 17 anos. Você já nos 23 e já caminhando sob a linha tênue entre o limite e a liberdade. Eu não conheço essa linha, não conheço os limites, posso ate saber do que se trata, mas não os sigo. Estou tentando me adaptar à medida que cresço e admito, nesse últimos meses cresci 10 anos a mais.
Tenho síndromes de ansiedade e labirintites que me atacam sempre quando penso que posso te perder. E acima de todo esse orgulho meio adolescente e essa cabeça de sex, alcool and sex again, existe um tal amor que se destaca e que me ajudou a entender as tuas razões e limitações. Eu não mudei por você, eu me adaptei para ser melhor aos teus olhos, eu te compreendi.
Somos dois desconhecidos agora, suas limitações e minhas distrações, suas piadas e meus sorrisos agora estão calados e solitários. Você era alguém antes de se tornar esse novo personagem quase bíblico. Você mudou mais rápido do que o esperado e eu ainda te vejo com os olhos de ontem. Mas certas coisas ainda te fazem ser único pra mim, coisas bobas que me fazem lembrar do antes e gostar mais do hoje.
Eu costumava te conhecer e me reconhecer em você, hoje te desconheço mas me desconheceria muito mais longe de você.

Um comentário:

  1. O final é grandioso e amarra bem toda a honestidade que você colocou no texto todo.

    Talvez a gente só possa aceitar a evolução das pessoas diariamente pois nada é estagnado, nada é uma regra, nem um quadro.

    Se mudam, nós também devemos mudar e oferecer novas maneiras de viver num relacionamento.

    Achei lindo.

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