24 de maio de 2012

Não aceito


Você vai e volta, vai e volta, volta e vai como naquela noite em que nas suas mãos eu deixei meu corpo e minha vida ingênua pra trás. E quando você vai, dói. Mas você sempre volta. E isso cansa. Talvez nosso tempo acabou e eu já fiz o favor de passar um rímel preto e colocar um salto alto e sumir noite afora. 
Não vou trocar o disco, Hotel California ainda é minha favorite song. Mas entenda, estou cansada. Quero você ao meu lado e não em cima de mim. Quero você me ouvindo falar e não gritar, ou apenas sussurrar. Quero não me cansar entende?
E eu to absurdamente cansada. Cansada de não ser ouvida. Cansada de ver milhões de lindas propostas suas que na verdade não passam de marketing barato. Sabe como eu sei de disso? Eu também não, simplesmente sei.
Cansei de acordar sempre no mesmo lugar, com as mesmas pessoas (inclusive você) e tudo continuar do mesmo jeito: inalterado, inalterável. É indubitavelmente um saco ter que acordar sabendo que nada mudou e dormir com essa ideia, sonhar com isso e ter que suportar a cada dia que passa. 
Eu odeio aceitar as coisas. Não entende? Explico: nunca fui de me adaptar. Sempre fugi de tudo que me prendia ao certo, bacana e politicamente correto. E agora me vejo na situação que sempre foi o motivo dos meus pesadelos e suores noturnos. Eu estou aceitando tudo que vem de você. E isso inclui sua falta de tempo, sua impaciência, essa maneira fútil de agir como se eu não existisse, essa coisa toda de se preocupar apenas com uma coisinha de cada vez. E assim eu vou ficando cada vez mais de lado, ali, guardada num cantinho bem escondido e sendo requisitada somente nos casos de emergência.
Olha cara, sou sua namorada e não o seu anjo da guarda, não estou aqui somente pra te salvar do tédio ou dos problemas mais difíceis de se lidar. Eu tenho sentimentos e vida também. Tenho milhões de decisões a tomar. E mesmo nos dias em que eu não tenho o que fazer, eu ainda assim tenho o que fazer. Não me chame quando estiver nos momentos finais, no desespero da vida quando não se tem mais ninguém pra recorrer. Eu não serei a pessoa que vai te escutar. Se fosse eu no seu lugar, você me ouviria? Me ouviria chorar? Cuidaria de mim? Estaria ao meu lado mesmo doente, mesmo fracassada, mesmo quando ninguém mais quisesse sequer olhar na minha cara? Você ainda assim estaria ao meu lado? Eu duvido.
Então, recuso sua proposta gentil feita apenas para me agradecer por eu ter estado esse tempo todo lutando por você, ao seu lado, suportando todas as dores e noites sem dormir, cuidando de você, mas eu realmente não quero uma vida inteira ao seu lado. Talvez esse é o meu jeito de gostar das pessoas, cuidando delas. Estou sendo precipitada demais? Então prove que estou errada. Me escuta pelo menos uma vez e tenta entender porque às vezes eu fujo. Se um dia chegar a uma conclusão e finalmente descobrir porque sempre me canso de você, quem sabe eu te aceite na minha vida.
Assim, no meio de um turbilhão de sentimentos mal organizados e essa avalanche que destruiu nossos fortes, é impossível construir um alicerce que sobreviva ao intemperismo da vida.

3 de maio de 2012

O que não existe em nós

São dolorosas as lembranças do que foi.
Do que deixo aqui.
Hoje eu deixo sorrisos e volúpias,
que antes foram centro de tudo.
Talvez não deixaram de ser.
Não estou abandonando sentimentos,
um dia eles fizeram parte da nossa história.
Só estou amenizando um pouco essa dor
que cresce desproporcionalmente aqui dentro.
É um coração apertado demais pra um lugar tão grande
que abriga lembranças tão infindáveis.

Eu não tenho tempo pra tanta melancolia.
Não me deixe chorar. Só por hoje.
Afague esse pequeno coração, me diga uma coisa bonita.
Algo como "as coisas vão mudar, acredite"
e me faça acreditar, mesmo que por poucos instantes
e na última instância eu desisto de nós.

Não que eu queira, mas não há desvios
não há reticências, mal há um nós.