28 de abril de 2012

"É lenha, é fogo, é foda"


Eu queria beber todo o álcool do mundo até ficar em overdose absoluta, jogada no chão frio de um bar requintado da zona sul. Sozinha ou acompanhada eu queria mesmo era apagar, não importa.
O cigarro apagou e a vontade de viver também. Fecho os olhos por um minuto e ainda me vejo aqui, sem vontade sequer de tirar essa camisa que você me deu no dia em que dormi na sua casa. E olha, nunca esqueci dessa noite.
Voltar pra essa cidade me lembra muitas coisas que juro que queria esquecer mas não consigo. Todos os lugares me lembram da gente, o barzinho aqui da frente e a gente ouvindo pagode e bebendo cerveja, pra variar. O parapeito da janela em que você me encostou naquela madrugada e me beijou, arrancando meu babydoll. Até mesmo do seu tão conhecido sorriso quando quer me amarrar, me jogar numa cama e me prender lá pro resto da vida. Sim, esse sorriso torto aí mesmo. Esse que você passa a língua entre os lábios e depois os morde fechando lentamente os olhos. Esse sorriso de desejo, de vontades insaciáveis e ocultadas implodindo dentro de você, um sorriso de carne, do qual não sei (e nem quero) fugir.
E sei lá, acho que são essas vontades de viver tudo de novo que faz com que eu acabe não vivendo. Não sei mais o que significa viver, desde o último carnaval. Eu voltei e voltei pior do que antes. Agora não há mais saco pra noites quentes ao som de AC/DC e gudang de menta, não há mais calor suficiente que me arranque daqui e me faça dançar até amanhecer, naquelas batidas de sábado à noite. O que se esperar de um sábado à noite a não ser que dessa vez as lágrimas não borrem minha maquiagem e o sono venha antes das 4 da manhã?

"Dói essa saudade de te ter" e dói mesmo. Dói porque te tenho e não te tenho. Dói porque te tenho do meu lado, mas não na minha cama. E isso dói. DÓI MESMO. É uma anáfora que me persegue não só nessa reiteração toda, mas em qualquer lugar que eu esteja, porque dói em tudo que faço ou deixo de fazer. Dói em qualquer pensamento bobo. Dói cada centímetro do meu corpo que mesmo saudável, se sente doer com você e por você.
E de tanto doer, até sonho com isso. Com a gente. Você de camisa pólo e bermuda de praia, essa combinação meio ofuscante que sempre me fazia rir da sua cara até as dobrinhas do canto da boca  cansarem, e com aquele seu sorriso tão seu e tão meu, parado na frente da minha casa com as chaves no bolso e encostado no vão da porta de braços cruzados me dizendo que já passa da hora de acordar porque o pior já passou. Mas o pior ainda não passou.
Você ainda está aí e eu estou aqui. Às vezes estamos juntos, você deitado nessa cama interte, preso. E eu sentada no mini sofá tentando esticar desastrosamente as pernas. Nós dois inutilmente enclausurados. Escondendo o desejo, a vontade súbita de arrancar nossas roupas e nos jogar nessa cama sem pensar no amanhã. Nas malditas consequências do "amanhã". Já percebeu que vivemos em torno dele?
Esse amanhã que todos os médicos, parentes, amigos, gatos, cachorros e afins tanto falam. Esse tão distante e inacessível amanhã que a gente só ouve dizer que tá chegando, e nunca chega. Mas esperamos convictos, convencidos, persuadidos e fudidos. Quanto vale esse amanhã? Quanto vale essa espera?
Eu quero te ver bem porra! Então porque não hoje? Por que só amanhã? Por quê?

2 comentários:

  1. Carol, gostei muito da postagem.

    Ah deve ser horrível ter que esperar, esperar, sempre ter que deixar para o amanhã; e isso com toda essa saudade, essa vontade, com todo esse desejo.
    Mas acredita " o que é para ser, tem muita força"

    Beijo, se cuida.

    (Além das Palavras - umpoucodemimsm.blogspot.com)

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  2. Nossa, que texto lindo! Tristíssimo, mas lindo!
    Me encontrei muito nele, em vários trechos... E eu não sei se é bom ou ruim!
    Gostei muito, flor! =]

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