16 de março de 2012

Não é por acaso

Abro os olhos e são 5:40 da manhã. Uma nova rotina, novos horários, novas pessoas, lugares diferentes e eu aqui de novo a me readaptar. O celular toca uma vez, a segunda, e na terceira eu finalmente desisto de continuar na cama. Uma mensagem chega com uma notícia ruim e eu fico parada sem saber se me levanto e vou pra aula ou corro pra UTI.
São muitas coisas que um coração sozinho e abalado precisa saber pra lidar com tantas circunstâncias assim. E eu aqui, longe de casa, não há mais de uma semana, já se passaram meses e logo se passarão anos e eu vou continuar sozinha tendo que lidar com meus próprios erros e emoções.
Foi quando eu ouvi meu professor dizer com toda a sua expêriencia nessa mania de amor além de qualquer coisa, que a razão é aquilo que nós sabemos que devemos fazer, e a emoção é a nossa fraqueza, é o lugar onde o não simplesmente não interfere em nada. E então eu finalmente entendi porque nunca agimos por razão. Não é que sejamos fracos, não somos. Não é que seja da própria natureza humana seguir as emoções, não é falta de equilíbrio ou qualquer outra proposição que se ache digna de ser verdadeira. A emoção provém do que sentimos, e sentir está além de qualquer razão. Não importa, não precisa explicação mais plausível ou Freudiana pra tanto. Sentir é o centro, a base. Por isso o amor sempre se sobressai.
Por isso eu falo tanto de amor, não é que não consiga me controlar. É por ser o centro de todas as minhas decisões. Eu definitivamente não entendo e nem acredito naquelas pessoas que dizem ser mais forte que qualquer emoção, porque até pra deixar de amar é preciso ter amado antes. E sei, estou tão clichê que mal encontro as palavras certas.
Eu tentei abrigar frieza nesse coração pequeno, mas não encontrei meios ou razões pra deixá-la ficar. Eu quis mesmo que tudo acabasse naquela noite. Depois de jogarmos os lençóis no chão daquele canto escuro do quarto, eu queria ter te olhado nos olhos e dito que aquela era nossa última vez. E quasse disse. Mas algo, não sei de onde, que surgiu sabe-se lá como me fez calar. Eu sabia que devia continuar. Mesmo achando que o amor já estava escasso, fraco. E quando olhei você vestindo a camisa do lado errado, percebi que você ainda me fazia rir. E quando entrei no seu carro e fechamos a porta ao mesmo tempo, meu coração bateu forte porque sabia que já era quase manhã e eu voltaria pra nova rotina outra vez e demoraria a te ver de novo, pelo menos era o que eu achava.
Então você me beijou e disse que me amava e eu só respondi que sabia e não consegui te olhar nos olhos outra vez. Mas eu sempre soube, so não quis intensificar, sei lá, talvez medo. Mas eu sabia que era amor e sabia da intimidade que rolava em entre nós e te beijar só acrescentava mais essa certeza,
 mesmo no meio dessa bagunça toda em que se econtrava meu coração.
Então eu decidi continuar, foi uma decisão quase obrigatória pois meu desejo era mesmo outro. Mas sabe lá Deus em quantos milhões de pedaços eu estaria agora, quando às 5:40 da manhã eu tivesse recebido aquela sua mensagem e corrido pra UTI, e em meio a lágrimas que eu não poderia conter, dizer incontáveis vezes o quanto eu te amava naquele momento, depois dele e por toda a eternidade se fosse possível. E já seria tarde demais, afinal seu coração já não mais me pertenceria e eu iria apenas assistir calada a dor de te perder e acordar incontáveis noites com pesadelos e choros incontidos.
É, Deus te colocou no meu caminho e não foi por acaso que ele te fez ficar. E não vai ser um simples acaso a nossa história. Eu sei amor, há planos pra gente. E são esse planos futuros que nos mantém aqui, tão atados, tão nós.

Um comentário:

  1. É isso...
    Embora os sentimentos sejam confusos, mesmo que a razão fale algo e o coração tenha planos diferentes, ainda assim Deus vai mostrar um caminho, você vai saber o que fazer. E isso porque Deus sabe o que faz.

    Beijo
    Além das Palavras (umpoucodemimsm.blogspot.com)

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