28 de março de 2012

Duas primaveras e meia

Ela te procuraria por todos os lugares até lhe encontrar. E você sabe que por mais que você tentasse se esconder, o amor dela te sufocaria, te faria perder as forças até se render. Era mais forte do que ela era capaz de controlar. Ela sorria amor, suspirava amor, transpirava amor e morria cada dia mais por um amor mal sucedido, apenas começado mas nunca terminado. Um amor pela metade, que se conformava apenas com olhares furtivos e sorrisos tímidos e depois desmoronava em lágrimas e pudor trancada no banheiro,  quando estava só.
Por você boy, ela moveria montanhas e não sentiria dor alguma. Por você ela daria tudo, até sua pureza. Por você ela fez promessas mas nunca as cumpriu, porque você fugia. Você temia. Tocá-la era como sujar um altar cheio de reverências pra Deus. Ela sempre esteve no pedestal e sempre lhe fora luz demais pra sua indescritível escuridão. Luz que caminhava sobre as trevas... as trevas que cercavam o seu amor. Luz que já não brilhava pois não havia espaço, não havia lugar para ela. Onde você estava, só havia você. Não lhe era permitido amar, nem mesmo se entregar, nem mesmo o toque do abraço ou o beijo roubado.
E um dia em meio a lágrimas que ela não conseguiu conter, levantou-se estarrecida da cama, era manhã de pouco sol e nuvens de chuva que logo molhariam sua janela. Com uma mão no coração e outra que segurava o vão de madeira envelhecido da janela, fechou docemente os olhos e desejou nunca ter acordado, nunca ter existido e nunca ter te amado. Mas já que estava ali, sabia que cedo ou tarde acordaria mas não de um pesadelo, afinal viver ainda era um sonho de terror. Ela jurou com todas as forças que restavam de seu corpo já cansado nunca mais lhe dirigir a palavra, ou sequer olhar-te nos olhos. E ela ainda vive, cada dia um pesadelo a mais ou menos que já não faz muita diferença.
Quando você realmente se foi deixou com ela muitas respostas que esclareceram o seu total abandono, fazendo-a se conformar, mesmo em meio à tanta solidão e vazio. Agora, depois que ela finalmente o deixou, você percebe que ela também levou consigo todas as respostas e lhe deixou apenas vazios. E em meio a versos não terminados e palavras de amor escritas em blocos você se esconde de todas essas armadilhas que só o amor é capaz de fazer, e trai a si mesmo lutando contra aquilo que já não se pode negar.
O paradeiro dela, você jamais voltará a saber. Quem sabe ela tenha lhe esquecido, ou quem sabe esse amor é o mesmo depois de tudo. Como eu disse boy, ela levou tudo consigo pra não deixar uma gota daquilo que antes era mel e agora é fel. Talvez seja o fim, ou só mais um começo. Entre tantos meios e fins, já não se pode dizer o que será a partir de agora.

2 comentários:

  1. Oi Carol! Lembra de mim? ;p Já estava com saudades de ler seus textos, sempre tão bem feitos... Admiro muito seu talento.
    Se puder, da uma passadinha no meu novo blog? http://1007filmes.blogspot.com.br/ Para amantes de cinema.

    Um beijo!


    Mah

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  2. Putz! Nem sei o que comentar Carol!
    O texto ficou perfeito, a história em si, tudo.
    Me desculpa!

    Beijos

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