16 de janeiro de 2012

Life's a journey not



Estou presa até o último fio de cabelo à minha insanidade fútil de quem acha que tudo é motivo para um escarcéu, uma tempestade em copo d'água, uma chuva de lágrimas derramadas sem o menor pudor, e julgue como quiser. Eu sou assim até nos dias mais regulamentados, o que dirá dos dias mais sentimentais e deprimentes.
Mas me diga você, o que há nesse seu sorriso que me feriu tanto? Não é amor minha cara, não é não. Vi você pela primeira vez na vida naquele ônibus e sabia que ficaria a noite inteira reparando na cor do seu cabelo que nada combinava com esses olhos tão verdes e sua cor tão branca. Mas eu reparei em você, esperando silenciosamente como quem espera alguém que nunca virá, e me reconheci naquele seu olhar, destinando-se apenas a entrever o vai e vem de pessoas segurando malas, carrinhos de bebê e crianças chorando por um colo ou um brinquedo qualquer. E olhava insistentemente pro celular a cada cinco minutos certinhos, que eu contei. Talvez esperasse uma ligação que não ocorreu, não naquela noite, não ali na espera de embarque. Até que talvez pela milésima vez o celular continuava ali sem tocar, eu a vi jogá-lo na bolsa e uma lágrima cair docemente depois de jogar fora a última esperança de um recomeço.
Também a vi pegar um cigarro e sentar no banco mais próximo, acendeu-o com mãos trêmulas e lágrimas que escorriam agora sem cessar. Qualquer pessoa que olhasse pra uma garota encostada num banco de rodoviária, sozinha e com lágrimas nos olhos e um cigarro aceso tão cedo da manhã, lhe acharia estranha ou louca, mas eu a compreendi tão bem...
Talvez você esperasse por alguém, alguém que a impedisse de ir embora, e carregar todas aquelas malas pesadas de volta pra casa. Até então você não havia percebido minha presença, mas eu já havia prestado atenção na sua, inclusive na sua solidão, bem mais pesada que todas aquelas tralhas que deviam lhe acompanhar, bem mais pesada que o seu sorriso meio que forçado de alguém que deixou a felicidade no carro e fechou a porta antes que ela pudesse sair. E mais uma vez me reconheci em você, na sua insistência por alguém que lhe pedisse pra ficar pra sempre, pra não ir embora e pra não jogar uma vida inteira na lama e simplesmente sumir.
Sabe, um dia eu também quis ficar. Eu quis receber uma ligação, eu queria ter ouvido um eu te amo, ou até mesmo um volte pra casa. Mas nada disso aconteceu. Nosso orgulho irrevogável e egoísta não nos permitiu esperar por uma segunda chance. Eu mesma não quis voltar, mas no fundo, eu teria dado tudo pra ficar também. E ainda assim fui embora, e como você, não queria me desprender. Queria agarrar-me a qualquer fio de esperança que me pusesse de volta nos braços de quem um dia me afagou e depois me largou como quem compra rosas e as deixa murchar por falta de cuidados. Mas sabe, há momentos nessa vida que ir embora é a unica escolha que temos. É quando o amor com todas as suas maleficências e benevolências insiste em maltratar e doer como ferida que não cicatriza mais. Nessas horas é preciso partir porque não há mais espaço pra compreensão alguma, só flores mortas acumuladas em um jardim que já não tem mais adubo suficiente pra esperar por uma nova estação.
Entendi no seu sorriso quando passou por mim e finalmente me notou, por que de alguma maneira quase que impossível, éramos parecidas e você até parecia saber. Então você partiu, sem ligações, sem despedidas, sem alguém que aparecesse repentinamente e lhe implorasse de volta esse amor que você tanto se dispôs a dar. Assim como eu também parti depois de esperar demais. Mas não se preocupe moça, onde quer que você vá, o que quer que você faça, um dia você esquece e se apaixona de novo, e depois luta e chora pra esquecer, e nunca aprende de fato. Nós nunca aprendemos de fato.

4 comentários:

  1. Que lindo Carol *_*
    Me identifiquei com seu texto "com aqueles olhos verdes e tão branca" rs, isso é tão eu <3
    Só que nem foi só por isso, esse texto me fez lembrar naquele filme De repente é o amor com ashton kutcher, que é o meu preferido. Não sei se viu, mas a descrição do seu texto, me lembra mto ele. Estou certa ou viajei? HAHAHAHHA
    Espero que 2012 também seja incrível para você. Minhas férias estão uma loucura, mas tem novas lá no blog.
    Volte sempre, beijos *_*

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  2. Que lindo!
    As vezes a melhor coisa se fazer é realmente ir embora, partir.
    E com o passar do tempo se apaixonar novamente.

    Beijos

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  3. Que lindo!

    É verdade... A gente nunca aprende de fato.
    Mesmo que doa, mesmo que tenhamos que fugir de tudo e de todos ou de uma pessoa exclusivamente, ainda assim, lá na frente vamos nos reerguer, criar coragem e nos permitir viver tudo outra vez.

    Beijos.
    Além das Palavras (umpoucodemimsm.blogspot.com)

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