30 de dezembro de 2012

Dreams for you return.


           Essa noite eu tive um sonho. Sonhei que estava muito feliz porque iria sair, algo me dizia que eu me surpreenderia nessa tarde, e ficar em casa não seria uma boa. Você aparecia no meio do sonho, como se tivesse surgido de uma outra dimensão. A tarde estava fria e estávamos em frente ao cinema, que mais parecia uma escola e tinha uma aparência antiga e parecia que já conhecíamos bem aquele lugar, antes de entrar nos sentamos em um banco.
           Foi quase igual a penúltima vez em que nos vimos, você apareceu do nada e vendou meus olhos com suas mãos e minhas amigas ficaram p-a-r-a-l-i-s-a-d-a-s, essa também foi minha reação ao olhar para trás. Só consegui te abraçar e sentir o meu coração pular pra fora de mim e num ímpeto perguntar o que você fazia a quase quinhentos quilômetros de distancia da sua casa e você despertou em meio a um sorriso torto e disse apenas "você não atendia minhas ligações então vim aqui saber porquê", e me dispersando um pouco do que já passou e afogando essa saudade dentro do meu peito, no meu sonho você usava uma camisa pólo vermelha e estava muito, muito, muito magro. Logo lembrei das razões pela qual estava assim e fechei os olhos apertando uma dor que me arranhava garganta acima, eu queria chorar - mas precisava me conter - você tinha voltado depois de longos anos e eu precisava resgatar um sorriso aqui dentro e abrir bem os braços por que eu queria, aliás eu precisava te abraçar.
           Lembro-me vagamente que olhastes fundo nos meus olhos e sua reação também foi a mesma ao me ver pela primeira vez depois de tanto tempo. Sentamos no tal banquinho e eu não queria sair dali, não importava a que horas o tal filme começaria, eu só queria encostar minha cabeça no teu peito frágil e me deixar levar pelo teu cheiro e pelo conforto que sinto sempre que estou com você. Nós não conversamos no sonho, eu apenas queria te sentir, minhas mãos em suas costas deslizavam lentamente e delicadamente, eu podia sentir os seus  ossos estatelando a pele dos meus dedos e isso me assustava. Então me volta à cabeça uma lembrança que tenho de você quando te vi internado na UTI, onze quilos a menos e os olhos fechados num sono induzido, minhas mãos sobre seus braços marcados por acessos intravenosos e o som do seu coração batendo em descompasso à minha frente através da máquina.
           No meu sonho parecia ser a última vez que iríamos nos ver, então eu não queria te deixar partir. Meu coração apertava, quebrava e se revirava de medo, seria o seu fim? Por que eu tinha uma sensação de que aquele seria o último adeus? Era uma tarde muito fria e você me parecia distante, quase indo embora quando o que eu mais queria era te ver ficar. Minhas lágrimas não se continham, caiam displicentes a cada pequeno toque, dei um suave beijo em seus ombros e já quase não sentia pele ou sequer o macio da camisa, somente os ossos frágeis e quase quebráveis roçando sobre os meus lábios frios, você estava muito fraco e no fundo eu queria te fazer ficar e poder cuidar de você. Mas você estava me deixando. 
           Acordei sobressaltada com vozes que vinham altas da cozinha e eu definitivamente não queria ter aberto os olhos, uma verdadeira contradição, por que no sonho eu não queria fechá-los com medo de abri- los novamente e você ter sumido como numa mágica. Fiquei deitada na cama refletindo sobre o que eu havia sonhado, senti medo porque aquela sensação de perda ainda estava tão desperta em mim. E às vezes me pergunto porque em meio a tantas renúncias, a tantos problemas eu ainda penso tanto em nós. Eu precisava de um tempo só, me deixei levar, procurei outros encantos mas não quis me envolver e no final das contas acabo aqui confessando minha paixão enlouquecida e possessa por você.

25 de dezembro de 2012

Dias e dias, começos e fins, prefiro ficar pro jantar.

Não sei porque ainda consigo me surpreender com minhas oscilações repentinas de humor como alguém que simplesmente foge de tudo e no fim não sabe do que está fugindo. Se estou fugindo de algo, hoje parei. Parei porque não quero mais correr tanto contra algo que de fato precisa ser enfrentado, dia ontem ou dia hoje. Eu não sei exatamente o que precisa ser enfrentado. Mas algo dentro de mim cresce quase que inconsciente, antes dormia, hoje desperta e me arranha por dentro. Às vezes sei, mas guardo pra mim. Prefiro esconder, e viver às escuras não é algo tão bom. Quero um  pouco mais de calma, um pouco mais de alma, como já suplicara Lenine.
A falta dói, vem e passa. Quando me encontro só, lembro de nós dois e me dói por dentro cada pouca lembrança. Quando estou rodeada, sinto que perdi o fio dos pensamentos que me levam a você e pela primeira vez, sorrio. Será que é você quem me trás a solidão? E se for, vale a pena sofrer tanto assim, amor? Tanto tempo perdido, um amor jogado às escuras pro alto numa chance de você apanhá-lo, colocá-lo nos braços e dizer que é seu. Mas você simplesmente deixou cair e descer pelo ralo tudo que dediquei a você. Foi um ano quase perdido...
Você me disse para ir e deixá-lo, me disse que precisava ficar só e viver de si mesmo. Me disse que precisava de espaço e que eu precisava viver, nosso amor já não existia mais em suas palavras. Nós dois  de alguma forma já éramos passado antes mesmo de me consultar, antes mesmo de eu saber, e eu ainda vivia do presente de nós. Remoendo lembranças, sonhando acordada e dormindo com você. Mas você me ajudou a perceber o fim. E por um lado não foi tão mal. Eu precisava/preciso mesmo viver, largar essas ruínas que deixei acumular entre nossas lembranças. Eu precisava varrer tudo pra fora e deixar apenas o vazio, pra seja preenchido de novo. É por isso que hoje sinto falta de algo que sei e não sei explicar. O que sinto é que perdi seu amor, o que não sei explicar é o porquê de haver tanta necessidade quase infindável em mim de preencher de volta o que foi perdido. Mas infelizmente amor, dessa vez quero amar de novo. Outro alguém.
Então, no fim das contas eu acabarei ficando pro jantar à luz de velas entre meu coração vazio e o coração de alguém que queira se preencher. Dois corações vazios e perdidos, de amores que se foram e não mais voltarão. Quem sabe isso dá certo.


Às vezes um homem se deixa levar
Quando ele sente que deveria estar tendo sua diversão
E muito mais cego pra ver o estrago que ele causou
Às vezes um homem tem que acordar pra descobrir que, na verdade,
Ele não tem ninguém...

16 de dezembro de 2012

Um pouco de paz

Estranho pra mim foi acordar hoje às 5, e ter sonhado com o seu abraço infinito onde só existia você e eu. Mas foi tudo um sonho. Eu não te reconheço mais, amor. E me dói sim, e cada parte disso é uma tortura. Eu não consigo colocar os pés no chão e simplesmente não ver, passar direto, atravessar a ponte e pegar o barco. Afundo em lágrimas e me apego ao travesseiro, estamos em fase terminal. Nós dois. E me faltam palavras, gestos e sorrisos.
Se você for, meu amor, eu irei junto. Em alma e coração. Meu corpo ficará aqui nesta terra, vazio, inóspito e sem saída. Mas eu vou com você, meu amor vai com você e não te deixará, em momento algum.
Eu quero estar contigo, só isso. Não importa se foi passado, não importa se já não existe sentimentos tão fortes quanto antes, eu só quero estar. Sem você eu simplesmente não estou, nem sou. Apenas fico só. E solidão é a pior das dores. Eu posso cuidar de você, estou distante, mas meus pensamentos estão sempre  por perto, e não há como mudar isso. 
Meu coração bate de um jeito diferente hoje, a noite está mais silenciosa que ontem e eu estou quase me deixando levar pela dor, mas eu ainda espero tão somente por essa cura. Esse Deus que virá à Terra para um dia provar que cumpre suas promessas é o mesmo que nos provará que pode mudar nossa história. E eu ainda espero, como nas minhas orações, que você continue respirando, devagar. Peço a Ele conforto e um pouco de paz. Pra que o ano que vem vindo seja diferente desse que já se foi, paz para saber aceitar o que eu não posso mudar. Paz para ser e continuar sendo essa tua única, e de mais ninguém.

10 de dezembro de 2012

11

Eu queria só por hoje não pensar em você. Nessas últimas noites já nem sei o que é dormir, e você fala com total naturalidade que essa dor é uma bobagem, um conto sem final.
Eu digo, haverá um final. Um dia. Um final justo, onde eu possa fazer valer a pena um amor de verdade, um sentimento que mude meus ares, que me faça feliz.
Eu também digo chega, eu digo que não quero mais, eu estou exausta, cansada, sem perspectivas, sem vontade de continuar.
Eu quero ser de outro alguém, já que sua eu já não sou mais. Tudo isso não passa de uma bobagem não é mesmo?
Você no meu lugar estaria dando graças a Deus, porque dor de amor a gente simplesmente dá um jeito, não é?
Sabe, eu vou dar um jeito... Um fim, esse é o meu único jeito.

5 de dezembro de 2012

Keep my records with you

"Quero minha casa, você, uma cama enorme
e 1 mês longe de tudo isso, só nós dois."
"Só 1 mês?"
"Um ano inteiro, dois ou três, quer saber? 
Quero minha vida toda ao seu lado,
 e nunca estive tão certo disso."
"Então, volta pra casa..."
"Um dia, amor, um dia. 
Quando Deus permitir."

Eu quis então te abraçar, antes mesmo de desligar. O amor que guardas por mim é maior do que eu poderia imaginar, esperar e lutar. É maior do que a incerteza de sua volta, penso eu. Acho que é por isso que nos amamos tanto assim, por que vivemos de incertezas. Elas nos motivam a buscar a verdade, nos tiram da cama. Me faz por os joelhos no chão e orar, te faz fechar os olhos e acreditar.
Acredite amor, a cura vem. Acredite amor, eu também sei onde está guardado o nosso último beijo, sei onde se escondem todos os nossos abraços não dados e todos os sorrisos despedaçados. Um dia irei levar todos para você, te encher de risadas e covinhas no canto da boca. Chega de tantas pertubações, por hoje uma morfina fará sua cabeça melhor do que outro analgésico qualquer. Vamos pular essa parte, então.
Te encontro perto do mar, sentado naquele banquinho no meio do nada onde tirastes uma foto que até hoje é a mais linda para mim. Me olhe com cara de encrenca, de desejo mesmo. De quem não vai me deixar ir embora, e faça juras eternas de amor, como antes. 
Eu avisei um dia para você não se apaixonar por mim, na verdade eu não queria te poupar, eu já estava apaixonada... Então você continuou. Por que eu desistiria agora?

18 de novembro de 2012

Distante de tudo, apenas perto de você

"Sou eu mais vez, te ligo porque te amo, não consigo parar de pensar em você um segundo, meu coração tá apertado e parece que tem algo me pressionando contra a parede e estou quase desistindo, resistência não é muito o meu forte, você sabe."

"Amor, eu estou preocupada. Você não retorna minhas ligações e às vezes eu penso que um caminhão passou por cima do seu celular ou é sua mãe mesmo que tomou de conta dele. Olha, eu sei que você está proibido de chegar perto do celular, mas eu só consigo me acalmar quando eu escuto sua voz me dizendo que está tudo bem, só assim posso ter certeza de que não preciso me preocupar tanto..."

"Oi, acho que sua mãe já abusou de ler essas minhas mensagens melancólicas e tudo, mas sou eu de novo, só quero dizer que estou com saudades e preocupada, mas estou confiante sim. Deus está cuidando de você.. eu sei. Tive um sonho estranho hoje queria te contar, você iria rir. Sabe, eu sinto saudades de quando você me ligava pra falarmos sobre nada, e sempre acabávamos falando sobre tudo, né? Sinto saudade de sorrir de suas piadas e suas histórias de infância, sabe, tem uma que eu sempre choro de tanto rir quando me lembro..."

"Mais uma vez, eu... uma hora você me liga e me tira dessa solidão! Haha... Amor, eu já nem sei mais o que faço com essa distancia, estou cada vez mais antissocial, você me conhece. Sempre que fico triste me desapego do mundo. Estou sentindo muito sua falta, eu nunca te contei.. mas eu adoro ouvir sua voz pela manhã, eu sempre levanto feliz da cama, só você mesmo pra me deixar assim."

"Hoje eu vi um casal tão feliz na igreja, eles estavam de mãos dadas e uma hora o moço olhou pra sua esposa e deu um beijo na sua testa e ela segurou sua mão. Eu achei tão lindo, sabe... olhei pro alto pra não deixar as lágrimas caírem e pedi à Deus pra um dia sermos nós dois, juntos na igreja..."

"Não sei mais o que dizer, vai completar um mês que não nos falamos e eu entendo que não é porque você não queira, eu sei que seu tratamento está ficando cada vez mais complicado. Passamos por isso uma vez juntos e agora estamos separados... eu queria estar aí pra te proteger, mesmo que eu não pudesse te abraçar, só em olhar pro teus olhos eu me sinto mais tranquila. Mas eu sei que você ficará bem, sempre vi isso em seus olhos. Por isso nunca desisti... Amor, se eu pudesse pegava um avião agora e ia parar aí, Deus sabe o quanto me dói essa saudade."

Completamos 10 meses há duas semanas... nossa, nos conhecemos já faz um ano e passamos por tanta coisa! Fiquei feliz por você ter lembrado, até pediu pra sua mãe me ligar só pra que eu soubesse que dessa vez você não esqueceu. Só estou triste porque não pude te falar com minhas próprias palavras que esse dia me deixou lembranças porque você continua bem e lutando pra reconquistar seu espaço. Você merece viver e Deus está cuidando disso pra que no futuro possamos olhar pra trás e dizer que valeu a pena toda essa espera e dor e só o que vai nos importar é o nosso amor, nossa casinha, nossos filhos. Ainda não esqueci de sua promessa, então volta, tá!"

Telefone toca às 7 da manhã, tempos depois.
- Amor, estou ligando pra dizer que estou quase bem, garganta inflamada e a febre não me deixam em paz. Li todas as mensagens e mamãe também, não fique brava. Eu te amo, preciso desligar. Foi bom ouvir tua voz, me fez bem hoje. Não sei quando poderei mandar mais notícias... está cada vez mais difícil aqui. Preciso desligar.

Do outro lado da linha uma criança meio perdida e desolada chora por querer ter dito tantas coisas, mas apenas chorou. Chorou de felicidade e de dor. Ele está bem, disse pra si mesma. Mas as lágrimas insistiam em cair, queria ter dito que estava feliz por ouvi-lo, mas apenas ouviu. Queria poder atravessar aquele pequeno mundo e abraçá-lo com todas as forças, mas apenas afundou-se na cama. Queria ser o sangue que o mantinha vivo, mas era apenas carne e ossos. Queria sorrir pra ele e vê-lo sorrir de volta, mas apenas viu cair lágrimas dos seus olhos. Estava se repetindo mais uma vez o que houvera acontecido antes, só que dessa vez eles já não estavam mais conectados. Agora ele suportaria a dor sozinho e ela carregaria consigo a sua dor e a dele numa esperança de deixá-lo mais leve. Mesmo distante, mesmo sozinha. Ela queria apenas lutar por uma vida que não era a sua, mas que lhe era tão importante que já não fazia sentido viver por si só.



13 de novembro de 2012

01


Eu queria olhar você de novo. Tocar sua pele, sentir seu cheiro e fazer de conta que o tempo nunca esteve entre nós. Falar bem baixo em seu ouvido todas as palavras que durante esses meses, foram apenas escritas e guardadas na última gaveta daquela velha estante do meu quarto.  Abraçar você em uma madrugada fria, e deixar nossos corpos se esquentarem, sem pressa. Não perder nenhum detalhe. Ouvir seu silêncio.

Autor desconhecido, mas que falou tudo por mim hoje.

9 de novembro de 2012

10 meses e um ano

Mamãe me diz que perdi minha vida no dia em que te conheci. Jovem demais, distante demais, amando demais, talvez eu tenha exagerado mesmo. Ou ela exagerou. O que vem acontecendo desde lá até aqui realmente não me deixou feliz. Ando perdida, desencontrada de todos, fugindo da felicidade que pode estar futuramente me esperando lá fora e ela chorou quando me viu chorar também. Eu sei que é verdade, estou vivendo inteiramente por outra pessoa, não sei se por amor ou pena, mas estou. 
Não queria que fosse assim, de verdade. Me dói olhar pra trás e ver que nossa pequena vida juntos se resume a lágrimas e medo de acordar no dia seguinte sem você pra me dizer bom dia. Me dói olhar pra trás e ver que os poucos sorrisos que tivemos juntos foram arrancados por esse mal que te enlaça e vai tirando tua vida aos poucos. Como um homem-bomba, vai te destruindo, canto por canto lentamente e só consigo ver teus olhos tristes, sofridos e não mais aquele sorriso de quem espera muito da vida. Você já não espera mais nada, a não ser se curar.
Sempre fui assim, sempre me dei demais. Isso talvez tenha sido um erro, mas eu sei que você queria ter alguém que continuaria te amando mesmo que um dia você chegasse a partir. Talvez eu ainda seja essa pessoa, por escolha própria escolhi não só a solidão como também a solidão de estar ao seu lado. 
Ela está certa quando diz que eu merecia uma vida melhor e menos lágrimas, menos dias vazios, menos dores, menos pena de mim mesma. Ela está certa quando diz que eu sou tão nova e já vivo uma vida de frustrações e sofrimento, coisas que não deveriam existir para uma garota de 17 anos. Não para uma garota como eu, logo eu, que prometi nunca me apaixonar pra não sofrer e olha só onde estou agora. Ela também está certa quando diz que eu poderia estar sendo feliz, que eu poderia estar amando de novo, que eu deveria estar pensando mais em mim e na minha felicidade. Mas é difícil ver alguém que gostamos muito numa situação difícil e isso nem ao menos nos comover, não sou de  ferro, mãe.
Talvez eu pule do navio e nade contra a correnteza até achar um porto em que eu possa me refugiar, sem deixar rastros eu posso ir embora a hora que eu quiser. Mas eu ainda não sei se posso ir contra mim mesma, a maré ta muito alta e eu posso me afogar em meio a tantas incertezas e nem chegar ao cais. Eu preciso de um tempo pra poder absorver tudo isso. 
Eu sempre fui emocional demais, cargas negativas ou positivas na última voltagem, e essa minha eterna melancolia não me põe pra frente e também não me joga pra trás, só me deixa à deriva, confusa, sem estratégia alguma de fuga. Não me deixa ir, não me deixa ficar. Me prende. Por mim mesma.
Você no meu lugar já teria ido embora? Eu estou tentando ficar. Só que não por muito tempo, não sei se tenho nervos o suficiente pra aguentar até o final, imagine você. Estamos dançando lentamente num quarto em chamas amor, já cantava John, sem nem ao menos nos conhecer. Não há como ficar nem como sair. Mas a fuga não é tão difícil, o mais difícil foi me apaixonar, suportar toda a dor e já chegamos até aqui, por que ir embora, não é mesmo? Mas meu coração é avulso demais pra uma bancada tão grande assim. Ele não tem credenciais e nem sabe se portar diante de tamanha dificuldade. Já suportou até demais. É hora de parar ou ele para por si só... Luzes brilham lá fora e imploram por minha atenção. Ando muito escura aqui dentro, preciso ver o sol da janela ou irei derreter em cinzas e pretos que me arrastam daqui. 
Você consegue me compreender? Será que no fundo já sabíamos que iria ser assim? Talvez eu só não queria admitir... e nem você.


I'll love you baby, more than you'll ever know...

6 de novembro de 2012

Go.

Dia desses eu abandono todo e qualquer vestígio seu.
Canso tanto que mal quero olhar uma mensagem sua ou uma foto que traga alguma recordação.
Não há falta que supere a raiva que trago aqui no peito dos dia que me incomodam ao olhar pra trás e ver que estou aqui, justo onde não queria estar. Longe de tudo que um dia me fez sorrir. E hoje estou carregado de lágrimas.
Lágrimas que não caem, que não se manifestam. Abro um sorriso pra solidão e finjo que está tudo bem.
Mas estou cansado. Quero ir embora daqui, de você, de tudo. Queria calçar umas botas de frio e um casaco azul e me mandar pro sul. Pra longe desse inferno. Deve nevar no céu. Por que aqui pega fogo às vezes.
Infelizmente eu apenas fecho os olhos e sonho, por que sonhar não mata, não engorda e não faz mal. Mas eu queria mesmo era acabar logo com tudo isso e te deixar ir também. Não vê que eu não tenho mais pra onde ir? Por que ainda insiste em me perseguir? Não há estrada mais à frente, eu paro por aqui. Você também não deve continuar.
Vamos logo acabar com isso, te deixo viver. Te arranco da minha vida aos trancos, é melhor. Um dia você desiste de mim. Eu vou acabar aqui num desses cemitérios sem nome, lenço ou documento. Estou desistindo de mim, desista também.
Quando ninguém quiser te ouvir, menina e você então lembrar de mim, por favor, esqueça-me. Eu já morri. Por dentro. Não posso mais te ajudar. Há caminhos lá fora que irão te pertencer. Fuja. Rasgue o verbo, grite. Faça mal a alguém, faça mal a mim. Apaixone-se outra vez, ou não.
Tive uma noite muito longa hoje, não tenho mais pretensão de ficar. Estou indo embora, garota. Vá também. Não vê? Ou não quer mesmo enxergar? Você tinha sonhos de ir à Porto Alegre, rumar os caminhos da chuva. Chove muito aí dentro, não se deixe afogar. Realize teus sonhos, para que um dia faça sol na sua janela e você possa sorrir e dizer que está onde queria estar e sair então pra ver o mar.
O que te prende à mim? N-A-D-A. Não espere eu te dizer isso um dia, irei te machucar. Vá por conta própria, Deus te guiará. Eu não.

31 de outubro de 2012

Manhã quente aqui nessa cidade

Manhã quente nessa cidade, arrasta toda a disposição de acordar cedo. Ele acorda ainda meio sonolento e sai pra procurar sorrisos bonitos e batons vermelhos, vestidos curtos e blusas decotadas. 
Ela continua dormindo do outro lado do país, esperando uma força divina levantar-lhe da cama, e alguns minutos depois desperta e seu primeiro pensamento pousa sobre ele, do outro lado, sobre saias e decotes e seu natural instinto de galanteador que não pode ver um rabo de saia.
Ela se pergunta, por que se apaixonar logo pelo seu pior pesadelo?
E passa os dias a imaginar qual será a próxima garota que cairá no papo furado daquele rapaz de sentimentos duvidosos e sorrisos tortos que outra garota qualquer derreteria sob o sol.
Amor é algo que não se pode discutir mesmo. Há meses atrás ele só tinha olhos pra ela, seus abraços eram apertados, os beijos eram quentes e as noites eram um cenário pra prolongar o velho romance, palavras doces e olhares furtivos, declarações sinceras até então.
Deixou o tempo passar e levá-lo embora. Foi com ele os sorrisos e beijos e abraços e declarações. À ele já não lhe resta mais uma palavra bonita de saudade ou uma lágrima desperdiçada no meio das lembranças do que passou.
Mas ela ainda sente. Mesmo do outro lado ainda existe uma esperança, mesmo vã. Mas do que adianta viver todo esse amor se ela já está sozinha no meio da confusão?
É triste dizer um "eu te amo" de um lado da linha e ouvir o silêncio do outro. 
Amor por telefone não dá. Morre antes mesmo de começar. Então vão-se os sorrisos e sobram o que é resto. Do que foi deixado pra trás. Sobram partes infinitas de um amor que existiu, que precisa ser esquecido, mas ainda não foi.
Ela se pergunta se existe mesmo esse tal amor de longa data mesmo nas distancias da vida, impostas pelo tempo, por Deus, ou seja lá por quem for. Ele está do outro lado, moça. Ele não te vê mais. Existe amor sem o toque? Sem aquele frio na barriga que dá quando um beijo inesperado te escorre do canto da boca, ou aquele abraço forte que fala mais que mil "te amo" juntos?
Existe amor sem aquele olhar que se entrega mesmo quando se quer omitir? Ou sem aquele toque cúmplice das pernas dela que (in)voluntariamente tocam as dele quando sentados um do lado do outro naquele sofá da sala de estar, ou até o olhar curto e meio constrangedor seguidos de sorrisos férteis de uma noite que só está pra começar debaixo do cobertor? Eu acho que não.
Mas ela jura que sim. E se mantém na linha, não vai pra frente nem pra trás. Fica lá, inerte. Braços abertos, cabeça erguida, esperando pelo abraço. Aquele abraço que ela nem lembra mais como é.
Mas não desiste. Está lá se equilibrando na ponta dos pés, cai não cai. 
Se cair eu aparo e se não cair, bem, ela é muito mais forte do que eu pensava.

25 de outubro de 2012

Dissertações masculinas Part. I

Liah dá seu último gole de Whisky e me olha meio atravessado sentindo a garganta arder. Percebo um medo em seu olhar e mais uma vez ela diz algo que eu não queria ouvir que me leva a querer cada vez mais deixá-la. Como se não bastasse seu vício de álcool e ainda mais as suas paranoias. Amá-la nunca é suficiente? Nunca. Às vezes não sei o que ela quer, noutras sei tão bem quanto ela. Talvez tantas brigas assim lhe dê tesão, eu sinto nojo. Queria que ela apenas não falasse às vezes. Seria pedir muito?
Chego em casa cansado, perdido e sonolento. Ela briga, faz cara feia e quer conversar, eu digo não e ela não entende. E mais uma vez ela diz que me odeia e prefere me ver morto. Talvez eu não a ame como eu pensava antes. Hoje penso diferente. Sei que ela entende e sabe disso. Sei que ela me ama e quer entender porque eu mudo às vezes, eu também não sei. Na verdade sei, mas ela não deve saber. Existem tantas pessoas melhores que ela, eu também sei. Mas não devia pensar nisso. Eu não queria terminar com ela, não agora. Sinto que irei me arrepender arduamente depois, mas ficar perto dela não me comove mais. Seu sorriso é lindo, sua voz também, só que antes eu gostava mais deles. Seu corpo me deu prazer antes, mas hoje, sei lá. Não o quero mais, não a quero agora. E ela não têm que saber porquê. Mas insiste. Pobre Liah, talvez eu a esqueça daqui uns anos, mas seus insultos e mágoas ficarão para sempre comigo, pra que eu não esqueça o quanto eu me divertia com isso. Te ver chorar não me faz bem, mas te ver bufando de raiva e ódio me diverte. Sinto vontade até de aplaudir, belo teatro, belo drama. E os insultos, então? Adoro.
Drama é sua palavra final. Devia ser atriz de novela, ganharia bem. Eu não a odeio por isso, mas me divirto. Perco a paciência às vezes ou quase sempre. Mas dá pra relevar. Não sei por que ela leva as coisas tão ao pé da letra. Mulheres são sempre assim? Meu psicológico intelectual sobre a gnoseologia das mulheres diz que sim. Mas foda-se. Não quero entendê-las.Não quero entender Liah. Foda-se ela também.
Vou ficar aqui deitado, descansando e tendo sonhos eróticos com uma mulher bem mais sexy e loira, e se ela quiser continuar sofrendo por me achar distante, mais longe dela irei ficar. É a lógica masculina poxa! Aprende isso!

Em homenagem à T. L., com amor.

16 de outubro de 2012

In your arms

Sabe quando você ama tanto que não sabe onde guardar tanto amor? É como estar preso e não querer se desprender e mesmo assim lutar pra fugir.

Eu deixo então sorrisos e lágrimas sobre o travesseiro, levo milhões de expectativas e jogo fora todas as chances de ser tua novamente.
Como eu li uma vez em um livro qualquer "o amor sempre deixa marcas significativas", e deixa mesmo. Que é pra nunca esquecer, e sempre antes de fechar os olhos verás o quanto as marcas desse amor deixaram dores em seu peito, e mesmo que isso não lhe dê motivos pra chorar, haverá sempre uma pequena dose de lembranças, e estas vão doer. Digo isso por que guardo mais lembranças do que a sua presença.
Então eu acordo e tomo um café, mais estou sempre sonhando com seu rosto e suas mãos. Estou sempre cantando a nossa canção, tentando silenciar sua voz na minha cabeça.
Mas uma coisa me conforta, eu sempre volto pros seus braços, neles não encontro apenas carne e ossos, encontro abrigo. Um pequeno lugar em que eu posso fechar os olhos e sorrir ou chorar sem precisar fingir dores ou alegrias demasiadamente falsas.
Lugar que mais ninguém soube me oferecer, e você o fez, sem pedir nada em troca. Um amor que não se retribui, apenas se dá.

10 de outubro de 2012

Será ele mesmo?

Raiva. Brigas. Mais raiva. Ela desligou o telefone antes de ele terminar o "eu te amo". Eu te amo fajuto, pensou ela. Sentiu o peso na consciência e se afundou nas cobertas esperando o sono vir. Já era tarde o bastante para se preocupar e tarde demais para o sono resolver aparecer.
Fechou os olhos por um momento e pensou se era isso que queria para a vida toda. Um casamento, uma casinha pequena com chaminé e dois filhos. Acordar cedo pela manhã, sentir a cabeça dele sobre o seu coração e depois se desprender lentamente do abraço, levar café na cama, sexo matinal e outras coisas que andaram sonhando pro futuro. Será que ele era o escolhido?
Era por ele que seu coração batia em descompasso, suas pernas tremiam em desespero e suas lágrimas caiam com mais intensidade. Era com ele que com ou sem camisa de força, ou de vênus, o prazer de dormir e acordar nas manhãs ao seu lado se tornava um vício inexplicável e despretencioso. Acordar apenas para ter certeza de que ele estava lá, ja lhe fazia dormir melhor durante a noite seguinte.
Sim, ele era diferente de todos os outros. Uns não se importavam, outros já pecavam justamente nessa parte, uns eram sufoco, outros ausência. Ele era desejo, vontade de estar sempre perto, de ouvir a voz, sentir o calor, deixar o beijo rolar naturalmente, como chuva em dias frios. Ele era a chuva dos dias trépidos e calmos, daqueles em que você se enrola em um cobertor, faz um chocolate quente e lê um livro na espera de ver a chuva molhar o vidro da janela, enquanto você para e se perde nas gotinhas e no barulho que elas fazem ao tocar o chão. Tão natural... Mas aí vem as tempestades, aquela nostalgia dos dias passados, aquela saudade da calmaria e o desgaste que dá em não saber até quando vai durar.
Ela joga o celular contra a parede e lembra quando ele a jogou contra aquela outra parede de sua casa num movimento rápido e totalmente brusco, e a beijou como se não houvesse outra coisa no mundo que o fizesse mais feliz do que estar ali com ela, lhe arrancando suas roupas e suspiros. Por que lembrar disso logo agora?
E já fazia tanto tempo, mas cada lembrança era uma faísca que aumentava cada vez mais a intensidade do fogo, e queimava lentamente, deixando rastros, algumas dores e outros prazeres dos quais ela jamais poderia se desprender. Ele era parte viva dela que jamais ousaria morrer, mais que lembrança, era prensença mesmo na ausência. Era ódio e amor ao mesmo tempo, era raiva acumulada e lágrimas jogadas fora. Inexplicável, mas não tão difícil de se entender. Eles se compreendiam, mesmo com tanto vai e vêm. E mesmo sem saber que se conheciam, já se entendiam mais do que poderiam imaginar. Eram feitos um pro outro e ainda assim não se encaixavam, mas depois de umas preliminares e uma noite trancados e sozinhos, com um vinho e Hotel Califórnia no disco de vinil, nada mais precisava ser explicado, exceto o porquê de se amarem tanto assim. E sim, cabiam perfeitamente um no outro, como um só. E nisso não havia o que contestar, eram perfeitos. Nasceram para permanecer justamente ali, um dentro do outro, inseparáveis e incompreendidos. Deixa ser. Um dia acabam mesmo numa casinha com chaminé, numa cidade fria e com dois pequenos travessos, a cara do pai ou da mãe. Vai saber. Mais de qualquer forma, sempre juntos, mesmo que apenas na lembrança, irão permanecer.

14 de agosto de 2012

Oitavo mês

"Alguém que eu costumava conhecer"
Passei duas noites acordada sem contar aquela no ônibus de volta pra casa. Essa frase martelou na minha cabeça como minha tão conhecida enxaqueca, cheguei a pensar que duas as coisas eram uma só e conspiravam contra mim. Mas era só mais uma paranoia, ou quem sabe minhas paranoias sejam certezas mais que absolutas que eu quero esconder de mim mesma às vezes, se é que "certezas absolutas" existem.
Antes eu estava feliz e sorriamos com os olhos, boca e mãos. O gosto do teu toque, cheiro e pele me davam a sensação de que mais nada me faltava e que eu poderia sempre estar com você mesmo longe. Espaços curtos de tempo me fazem sentir medo de te deixar ir. Nossos corpos lambuzados e nossas mãos cada vez mais bobas me faziam perder o medo de te mostrar que amor não é mera concepção e que se resumia a nós e só.
Mas sou humana e me perco às vezes, sou infantil e ainda tenho 17 anos. Você já nos 23 e já caminhando sob a linha tênue entre o limite e a liberdade. Eu não conheço essa linha, não conheço os limites, posso ate saber do que se trata, mas não os sigo. Estou tentando me adaptar à medida que cresço e admito, nesse últimos meses cresci 10 anos a mais.
Tenho síndromes de ansiedade e labirintites que me atacam sempre quando penso que posso te perder. E acima de todo esse orgulho meio adolescente e essa cabeça de sex, alcool and sex again, existe um tal amor que se destaca e que me ajudou a entender as tuas razões e limitações. Eu não mudei por você, eu me adaptei para ser melhor aos teus olhos, eu te compreendi.
Somos dois desconhecidos agora, suas limitações e minhas distrações, suas piadas e meus sorrisos agora estão calados e solitários. Você era alguém antes de se tornar esse novo personagem quase bíblico. Você mudou mais rápido do que o esperado e eu ainda te vejo com os olhos de ontem. Mas certas coisas ainda te fazem ser único pra mim, coisas bobas que me fazem lembrar do antes e gostar mais do hoje.
Eu costumava te conhecer e me reconhecer em você, hoje te desconheço mas me desconheceria muito mais longe de você.

17 de junho de 2012

Shine

Cada pedacinho desse lugar me trazem lembranças, cada sorriso que vejo e olhares que encontro atravessando a rua me lembram como é bom quando temos tudo. Amigos, família, amor. Se perder é fácil, qualquer passo errado e você já esquece porque veio e se ainda faz sentido continuar. A vida é mesmo dura e uma hora é necessário tomar decisões sozinho. Um dia você percebe quão poucos são os que permanecem do seu lado e precisa tirar do coração os que se afastam. 
Eu permaneci neutra e ouvi tudo que um coração já machucado poderia suportar, deixei que me julgassem da maneira que quisessem e esqueci do meu lugar. Me perdi. Palavras são forças que se mal usadas podem levar à destruição. Esqueci de amar e esqueci de viver um amor. Deixei que as pessoas apenas passassem por mim, algumas deixaram tempestades na minha cabeça, outras foram apenas vendavais, enquanto muitas apenas brisaram meu caminho, sem marcas, sem mudanças. 
Perder-se por causa de alguém é o pior dos erros, desistir é uma opção sempre fácil e os mais fracos a dominam bem. Mas decidi continuar mesmo com toda essa fraqueza que me faz tremer as mãos e essa obsessão em acreditar que a qualquer momento o chão se abrirá diante de mim e verei o capeta mais cedo do que imaginava.
Se me perguntarem, estou bem, mas se me olhar nos olhos por mais de 5 segundos chorariam comigo por dias. E as lágrimas, ah, estas venho tentando vertê-las em suor em horas de exercícios. É melhor do que passar horas chorando até que tudo perca o sentido, a tão famosa linha tênue entre ingenuidade e a loucura. Decidi apenas sorrir. 
Pros fortes, fracos, mal-informados ou fodidos, estou sempre sorrindo e pouco me importando pra opinião de vocês. Descobri uma coisa hoje que eu já sabia, mas que pela primeira vez levei à sério: a vida é curta, e enquanto muitos querem tirá-la e outros querem isolar-se atrás de paredes e viverem apenas pra morrer aos poucos e um-dia-de-cada-vez, eu quero apenas me libertar. 
Viver é para poucos, e a maioria só descobre isso quando é tarde demais.

1 de junho de 2012



Você não serve pra mim. E eu sempre me apaixono pelas pessoas erradas.
Estávamos a um passo do melhor da noite e então te olhei nos olhos e disse que você não era bom pra mim e você apenas sorriu e balbuciou um ‘tarde demais’ no meu ouvido e nos beijamos outra vez.
Suas mãos nas minhas coxas e meus cabelos emaranhados, espalhados pelo seu cobertor. Sorrisos e desejos, almas e corpos, perdidos.
Estamos no fim da rua e seu carro acelera mais e mais, te excita me ver assim? Eu estou feliz baby, e quero você. Mas você realmente não é bom pra mim.
E então você aparece na minha porta às 3 da manhã, dois fugitivos perdidos na madrugada e poucas horas nos restam e é um quase fim que começa.
E pra onde iremos? Céu ou inferno? Isso não importa, às vezes somos santos e noutras pecadores, qualquer lugar é perfeito. Então vamos fugir, ainda é cedo pra se entregar ao cansaço, somos tão jovens... 
E eu ainda lembro, era dezembro e eu usava aqueles óculos escuros que te lembravam Marilyn Monroe e você queria arrancar meu jeans azul porque estava calor e nós estávamos de ressaca.
Eu sinto saudade daquele dezembro ainda tão nítido na minha pele, até o gosto do teu beijo e a aquela velha vontade de ficar a vida inteira debaixo do teu corpo e poder encarar teus olhos escuros e o sussurro dos teus lábios a dizer que é tarde demais e que eu estou amando você.



24 de maio de 2012

Não aceito


Você vai e volta, vai e volta, volta e vai como naquela noite em que nas suas mãos eu deixei meu corpo e minha vida ingênua pra trás. E quando você vai, dói. Mas você sempre volta. E isso cansa. Talvez nosso tempo acabou e eu já fiz o favor de passar um rímel preto e colocar um salto alto e sumir noite afora. 
Não vou trocar o disco, Hotel California ainda é minha favorite song. Mas entenda, estou cansada. Quero você ao meu lado e não em cima de mim. Quero você me ouvindo falar e não gritar, ou apenas sussurrar. Quero não me cansar entende?
E eu to absurdamente cansada. Cansada de não ser ouvida. Cansada de ver milhões de lindas propostas suas que na verdade não passam de marketing barato. Sabe como eu sei de disso? Eu também não, simplesmente sei.
Cansei de acordar sempre no mesmo lugar, com as mesmas pessoas (inclusive você) e tudo continuar do mesmo jeito: inalterado, inalterável. É indubitavelmente um saco ter que acordar sabendo que nada mudou e dormir com essa ideia, sonhar com isso e ter que suportar a cada dia que passa. 
Eu odeio aceitar as coisas. Não entende? Explico: nunca fui de me adaptar. Sempre fugi de tudo que me prendia ao certo, bacana e politicamente correto. E agora me vejo na situação que sempre foi o motivo dos meus pesadelos e suores noturnos. Eu estou aceitando tudo que vem de você. E isso inclui sua falta de tempo, sua impaciência, essa maneira fútil de agir como se eu não existisse, essa coisa toda de se preocupar apenas com uma coisinha de cada vez. E assim eu vou ficando cada vez mais de lado, ali, guardada num cantinho bem escondido e sendo requisitada somente nos casos de emergência.
Olha cara, sou sua namorada e não o seu anjo da guarda, não estou aqui somente pra te salvar do tédio ou dos problemas mais difíceis de se lidar. Eu tenho sentimentos e vida também. Tenho milhões de decisões a tomar. E mesmo nos dias em que eu não tenho o que fazer, eu ainda assim tenho o que fazer. Não me chame quando estiver nos momentos finais, no desespero da vida quando não se tem mais ninguém pra recorrer. Eu não serei a pessoa que vai te escutar. Se fosse eu no seu lugar, você me ouviria? Me ouviria chorar? Cuidaria de mim? Estaria ao meu lado mesmo doente, mesmo fracassada, mesmo quando ninguém mais quisesse sequer olhar na minha cara? Você ainda assim estaria ao meu lado? Eu duvido.
Então, recuso sua proposta gentil feita apenas para me agradecer por eu ter estado esse tempo todo lutando por você, ao seu lado, suportando todas as dores e noites sem dormir, cuidando de você, mas eu realmente não quero uma vida inteira ao seu lado. Talvez esse é o meu jeito de gostar das pessoas, cuidando delas. Estou sendo precipitada demais? Então prove que estou errada. Me escuta pelo menos uma vez e tenta entender porque às vezes eu fujo. Se um dia chegar a uma conclusão e finalmente descobrir porque sempre me canso de você, quem sabe eu te aceite na minha vida.
Assim, no meio de um turbilhão de sentimentos mal organizados e essa avalanche que destruiu nossos fortes, é impossível construir um alicerce que sobreviva ao intemperismo da vida.

3 de maio de 2012

O que não existe em nós

São dolorosas as lembranças do que foi.
Do que deixo aqui.
Hoje eu deixo sorrisos e volúpias,
que antes foram centro de tudo.
Talvez não deixaram de ser.
Não estou abandonando sentimentos,
um dia eles fizeram parte da nossa história.
Só estou amenizando um pouco essa dor
que cresce desproporcionalmente aqui dentro.
É um coração apertado demais pra um lugar tão grande
que abriga lembranças tão infindáveis.

Eu não tenho tempo pra tanta melancolia.
Não me deixe chorar. Só por hoje.
Afague esse pequeno coração, me diga uma coisa bonita.
Algo como "as coisas vão mudar, acredite"
e me faça acreditar, mesmo que por poucos instantes
e na última instância eu desisto de nós.

Não que eu queira, mas não há desvios
não há reticências, mal há um nós.

28 de abril de 2012

"É lenha, é fogo, é foda"


Eu queria beber todo o álcool do mundo até ficar em overdose absoluta, jogada no chão frio de um bar requintado da zona sul. Sozinha ou acompanhada eu queria mesmo era apagar, não importa.
O cigarro apagou e a vontade de viver também. Fecho os olhos por um minuto e ainda me vejo aqui, sem vontade sequer de tirar essa camisa que você me deu no dia em que dormi na sua casa. E olha, nunca esqueci dessa noite.
Voltar pra essa cidade me lembra muitas coisas que juro que queria esquecer mas não consigo. Todos os lugares me lembram da gente, o barzinho aqui da frente e a gente ouvindo pagode e bebendo cerveja, pra variar. O parapeito da janela em que você me encostou naquela madrugada e me beijou, arrancando meu babydoll. Até mesmo do seu tão conhecido sorriso quando quer me amarrar, me jogar numa cama e me prender lá pro resto da vida. Sim, esse sorriso torto aí mesmo. Esse que você passa a língua entre os lábios e depois os morde fechando lentamente os olhos. Esse sorriso de desejo, de vontades insaciáveis e ocultadas implodindo dentro de você, um sorriso de carne, do qual não sei (e nem quero) fugir.
E sei lá, acho que são essas vontades de viver tudo de novo que faz com que eu acabe não vivendo. Não sei mais o que significa viver, desde o último carnaval. Eu voltei e voltei pior do que antes. Agora não há mais saco pra noites quentes ao som de AC/DC e gudang de menta, não há mais calor suficiente que me arranque daqui e me faça dançar até amanhecer, naquelas batidas de sábado à noite. O que se esperar de um sábado à noite a não ser que dessa vez as lágrimas não borrem minha maquiagem e o sono venha antes das 4 da manhã?

"Dói essa saudade de te ter" e dói mesmo. Dói porque te tenho e não te tenho. Dói porque te tenho do meu lado, mas não na minha cama. E isso dói. DÓI MESMO. É uma anáfora que me persegue não só nessa reiteração toda, mas em qualquer lugar que eu esteja, porque dói em tudo que faço ou deixo de fazer. Dói em qualquer pensamento bobo. Dói cada centímetro do meu corpo que mesmo saudável, se sente doer com você e por você.
E de tanto doer, até sonho com isso. Com a gente. Você de camisa pólo e bermuda de praia, essa combinação meio ofuscante que sempre me fazia rir da sua cara até as dobrinhas do canto da boca  cansarem, e com aquele seu sorriso tão seu e tão meu, parado na frente da minha casa com as chaves no bolso e encostado no vão da porta de braços cruzados me dizendo que já passa da hora de acordar porque o pior já passou. Mas o pior ainda não passou.
Você ainda está aí e eu estou aqui. Às vezes estamos juntos, você deitado nessa cama interte, preso. E eu sentada no mini sofá tentando esticar desastrosamente as pernas. Nós dois inutilmente enclausurados. Escondendo o desejo, a vontade súbita de arrancar nossas roupas e nos jogar nessa cama sem pensar no amanhã. Nas malditas consequências do "amanhã". Já percebeu que vivemos em torno dele?
Esse amanhã que todos os médicos, parentes, amigos, gatos, cachorros e afins tanto falam. Esse tão distante e inacessível amanhã que a gente só ouve dizer que tá chegando, e nunca chega. Mas esperamos convictos, convencidos, persuadidos e fudidos. Quanto vale esse amanhã? Quanto vale essa espera?
Eu quero te ver bem porra! Então porque não hoje? Por que só amanhã? Por quê?

9 de abril de 2012

3 meses de uma eternidade



Era manhã de segunda e abri os olhos com dificuldade, o céu estava claro e a luz me fez fecha-los com força. Eu queria permanecer na cama e me enrolar no cobertor e ficar assim por um ano. Dizem que o tempo ajuda a melhorar as coisas, pois bem, quero que isso seja verdade. Eu preciso de tempo, acho que penso nisso o tempo todo. Talvez por que não tenho tempo pra mais nada. As horas correm, os dias passam com tanta aspereza que chega a machucar. E fico aqui, nessa mania de olhar sempre pra cima pra que todos pensem que está tudo bem. Mas porra, nada está bem não! Acho que nunca esteve...
Então, vou pra escola e conto os segundos. E aprendo muito lá. Ontem mesmo descobri algo novo, vou precisar pegar dois ônibus até chegar lá. Isso é ótimo. Sinto pressão por todos os lados e até hoje nunca ouvi ninguém a não ser eu mesma. E não pretendo mudar de opinião. 
Com uma caneta verde presa ao cabelo escuto o professor afirmar com toda convicção que o movimento uniformemente variado é aquele em que o corpo sofre aceleração constante, acho que me encaixo nessa parte da física. Mas isso não faz o menor sentido pra mim, não agora. Eu queria mesmo era quebrar essas cadeiras e sair correndo daqui, sei lá, fugir.  Mas não tenho tempo pra isso também.
Hoje fazem 3 meses que conheci você e nem parece, sabe. Foram tantas coisas que tivemos que enfrentar juntos que desde aquele 9 de janeiro, uma eternidade e meia se passou. E as coisas mudaram tanto. Às vezes me dói lembrar, mas nunca digo isso a você. É que essas coisas é melhor deixar apenas comigo mesmo. Essa história de esperar é sempre tão doloroso, eu já sei muito bem como é isso, passo a vida inteira esperando por dias melhores como já cantava Jota Quest. Mas o fato é que dias melhores são raros, raríssimos. E nem sabemos agradecer quando eles aparecem em nossas vidas. E lembro com remorso e uma vontade sobre-humana de que eles voltem e que eu nunca saia deles.
Nossos momentos descontraídos, bebendo cerveja e fumando alguns cigarros pensando na vida, lembrando do passado e planejando futuros. As noites debaixo do pé de árvore, sentindo o vento frio assanhar nossas vontades e dormir juntos e acordar com você me olhando dormir com aquela cara de quero mais ou te prendo aqui pra sempre. E sempre havia mais. Mais tardes chuvosas ao som de Boyce, mais noites quentes ao som de Eagles e seu eterno caso com a heroína. E nada mais podia prender nossa atenção além de nós mesmos. E não pedi muita coisa nessa vida, mas se eu pudesse pedir mais, queria só voltar.
Eu jamais falaria isso pra você porque essa minha falta de fé pode atingir sua vontade de viver também. Eu sei que as coisas estão difíceis mas fico feliz por você aceitar bem tudo isso e lutar com força pra sair daí. E é isso que realmente importa. Essa minha afetividade com o passado é só uma mania que tenho de me apegar às coisas que não me pertencem mais, aí as deixo vivas e sorridentes dentro das lembranças e vez ou outra me pego vivendo tudo de novo, mas dessa vez de maneira abstrata e isso dói. Tudo que não é palpável e não volta, dói.
Mas eu sei que as coisas irão se normalizar, cedo ou tarde as coisas vão se estabilizar. Escuto isso o tempo todo, e até acredito mais agora. É isso, viver é não deixar de acreditar. Porque um dia, de tanto crer, as coisas acabam acontecendo mesmo.

6 de abril de 2012

You are not alone



Volta e meia você erra, finge que não foi você e continua sua vida. Ela perdoa. Não sei se é porque você está aí do lado de dentro, preso à uma cama e esperando nada mais do que sua recuperação ou se é porque de fato já não consegue dizer não a esse sentimento. Ela também não sabe, e fecha os olhos, as mãos sempre presas ao coração numa chance de segurá-lo, dizer que ainda está ali apesar da dor, numa tentativa de fazer doer menos esse coração que está fadado a bater sempre por quem lhe é importante, pois se não fosse, ah se não fosse, ela não estaria aí moço lhe observando todos os dias. Cuidando de você, lutando por você. Lhe sendo fiel. 
Não quero dizer que você não consegue ver isso, eu sei que você vê. Mas entenda, não há nada que ela possa fazer pra que você acredite. Você só precisa acreditar. Não é fácil, nada é fácil e tudo tende a piorar. Mas nesse caso, espere. Assim como você espera pelo futuro e por mudanças vindouras, espere por ela também.
Enquanto houver chama, deixe queimar. Tudo acaba, um dia tudo sempre acaba. Não antecipe as coisas, não deixe as inseguranças premeditarem o futuro. Você a ama e é por isso que ela lhe ama também. Então não duvide. Se um dia você deixar de amá-la, acredite, ela também deixará. E é isso que deve ser premeditado.
Por enquanto, apenas deixe vagar as esperanças por este quarto lotado de equipamentos médicos, um dia eles irão lhe salvar. Agora, apenas deixe essa história de so far away e you won't come back pra depois, porque ela não está distante e vai voltar. Se um dia acontecer o contrário, não se preocupe haverá aviso prévio.

5 de abril de 2012

17



Não te amo como eu disse um dia. Não te quero como quis um dia. Não sinto nada que possa me fazer mudar de ideia. Aliás, não tenho ideias. Nem sentimentos. Um dia precisei muito deles, era como cigarro, me fazia bem e mal, ao mesmo tempo. Hoje, prefiro o cigarro.
As coisas boas ultimamente andam acontecendo com mais frequência e ontem eu senti que a mesma de antes é a estranha de hoje. Essa estranha sou eu. E eu gosto dessa estranheza, acho que me adaptei a ela, ou ela se adaptou a mim. Vai saber.
Quero hoje apenas ser essa pequena estranha que aqui surge, porque gosto dela. E foda-se o resto. Foda-se quem um dia eu amei e que agora não amo mais. Fodam-se as lembranças. Foda-se quem está longe achando que está perto, não existe mais conexão, ligação, nem porra nenhuma de amor que sobreviva à distancia. Eu quero mesmo é me libertar. Aliás livre já sou, só me resta saber exercer.

28 de março de 2012

Duas primaveras e meia

Ela te procuraria por todos os lugares até lhe encontrar. E você sabe que por mais que você tentasse se esconder, o amor dela te sufocaria, te faria perder as forças até se render. Era mais forte do que ela era capaz de controlar. Ela sorria amor, suspirava amor, transpirava amor e morria cada dia mais por um amor mal sucedido, apenas começado mas nunca terminado. Um amor pela metade, que se conformava apenas com olhares furtivos e sorrisos tímidos e depois desmoronava em lágrimas e pudor trancada no banheiro,  quando estava só.
Por você boy, ela moveria montanhas e não sentiria dor alguma. Por você ela daria tudo, até sua pureza. Por você ela fez promessas mas nunca as cumpriu, porque você fugia. Você temia. Tocá-la era como sujar um altar cheio de reverências pra Deus. Ela sempre esteve no pedestal e sempre lhe fora luz demais pra sua indescritível escuridão. Luz que caminhava sobre as trevas... as trevas que cercavam o seu amor. Luz que já não brilhava pois não havia espaço, não havia lugar para ela. Onde você estava, só havia você. Não lhe era permitido amar, nem mesmo se entregar, nem mesmo o toque do abraço ou o beijo roubado.
E um dia em meio a lágrimas que ela não conseguiu conter, levantou-se estarrecida da cama, era manhã de pouco sol e nuvens de chuva que logo molhariam sua janela. Com uma mão no coração e outra que segurava o vão de madeira envelhecido da janela, fechou docemente os olhos e desejou nunca ter acordado, nunca ter existido e nunca ter te amado. Mas já que estava ali, sabia que cedo ou tarde acordaria mas não de um pesadelo, afinal viver ainda era um sonho de terror. Ela jurou com todas as forças que restavam de seu corpo já cansado nunca mais lhe dirigir a palavra, ou sequer olhar-te nos olhos. E ela ainda vive, cada dia um pesadelo a mais ou menos que já não faz muita diferença.
Quando você realmente se foi deixou com ela muitas respostas que esclareceram o seu total abandono, fazendo-a se conformar, mesmo em meio à tanta solidão e vazio. Agora, depois que ela finalmente o deixou, você percebe que ela também levou consigo todas as respostas e lhe deixou apenas vazios. E em meio a versos não terminados e palavras de amor escritas em blocos você se esconde de todas essas armadilhas que só o amor é capaz de fazer, e trai a si mesmo lutando contra aquilo que já não se pode negar.
O paradeiro dela, você jamais voltará a saber. Quem sabe ela tenha lhe esquecido, ou quem sabe esse amor é o mesmo depois de tudo. Como eu disse boy, ela levou tudo consigo pra não deixar uma gota daquilo que antes era mel e agora é fel. Talvez seja o fim, ou só mais um começo. Entre tantos meios e fins, já não se pode dizer o que será a partir de agora.

25 de março de 2012

Prelúdio


Bons tempos nos esperam na janela amor. E hoje está frio como naquele dia em que chovia e você me telefonou. Falamos da noite que passamos juntos e como foi lindo te abraçar depois que entramos na sua casa molhados e com frio, falamos da maneira como seu coração bateu forte quando eu deitei sobre você e sorrimos ao olharmos um para o outro como se não houvesse mais nada no mundo que pudesse tirar nossa concentração.
Bons tempos são esses amor que em meio à tribulação nos fazem sorrir, por poucos instantes, mas sorrisos intensos que valem a pena, sim. E te ver feliz é até bonito, é como se toda a história que vivemos até aqui de fato tivesse alguma importância pra você, e que essas lembranças que sempre passam por nossas cabeças, tivessem uma intensidade forte e excitante como num filme a la privé. E se ainda estamos juntos, não há porque não lembrar. Difícil seria ter que passar pelo que estamos passando e por medo, nos privar.
Eu sei, os tempos bons vem e vão como maré, hoje você sorri e amanhã você se detém em olhar pro lado e chorar silenciosamente por saber que é mais um dia. Mais um dia e mesmo que seja vitorioso por você estar sobrevivendo, ainda sim é triste por você está sobrevivendo dessa maneira. Inerte. Já não há mais toque, os sorrisos cada vez menores e vazios intimidam nossos olhares, as palavras fogem de nossas bocas e caem no chão desse quarto de hospital e por lá ficam, inertes também.
Eu queria te resgatar daí, te arrancar esses catéteres e jogar fora esses soros todos e fugirmos desse hospital disfarçados, com roupas de médico. Mas eu não posso fazer porque quero que você viva, eu te mataria se realizasse seu desejo, entenda por favor. Eu me imagino em você, e você sabe e conhece bem, eu sofro a solidão alheia, curto a dor do outro e choro com você e por você.
E hoje acordei arrependida e com medo, mas acordei feliz. Talvez por ontem, aliás, foi o melhor dia que tive desde quando cheguei aqui. Eu esperava por esse momento como quem espera que a eternidade se concretize em minutos. E meu corpo pediu, implorou, desejou algo que eu não podia dar a ele: você. E eu fui instigada a te falar, eu precisava do teu corpo como você precisa de sangue pra sobreviver. Quanto egoísmo eu sei. Não devia ter permitido, não devíamos ter nos permitido. Mas somos muito carnais, e isso é amor. Amor que não se contenta apenas com olhares ou prelúdios é preciso a consumação, o ato, o pecado em si. E é disso que gostamos, é disso que precisamos, é isso que nos mantém aqui.
Se eu pudesse choraria cada gota como chuva de verão que vem com força e devasta, depois vai embora até mesmo com as lembranças. Mas eu não consigo chorar porque eu sinto que estou completa e isso me deixa eufórica também. E não vou chorar porque não quero esquecer. Eu sei, é egoísmo. Mas você também se sente assim apesar do cansaço. Mas por hoje amor, vamos apenas nos completar. Somos egoístas mesmo e isso nós já sabíamos.
Por hoje, lembranças caem forte sobre meu céu como um raio. Mas não vai chover. Não vou esquecer. Vou estar aqui se precisar, você sabe. Sou fraca também. Agora só rezo amor, rezo pra você ficar bem. E sei que ficará, por mim, por nós e por todos os outros detalhes que não saem da nossa cabeça, eu acredito que você voltará e se levantará dessa cama mais forte do que antes e realizaremos nossos planos juntos, ou talvez separados, não sei. Mas de alguma maneira interligados.

16 de março de 2012

Não é por acaso

Abro os olhos e são 5:40 da manhã. Uma nova rotina, novos horários, novas pessoas, lugares diferentes e eu aqui de novo a me readaptar. O celular toca uma vez, a segunda, e na terceira eu finalmente desisto de continuar na cama. Uma mensagem chega com uma notícia ruim e eu fico parada sem saber se me levanto e vou pra aula ou corro pra UTI.
São muitas coisas que um coração sozinho e abalado precisa saber pra lidar com tantas circunstâncias assim. E eu aqui, longe de casa, não há mais de uma semana, já se passaram meses e logo se passarão anos e eu vou continuar sozinha tendo que lidar com meus próprios erros e emoções.
Foi quando eu ouvi meu professor dizer com toda a sua expêriencia nessa mania de amor além de qualquer coisa, que a razão é aquilo que nós sabemos que devemos fazer, e a emoção é a nossa fraqueza, é o lugar onde o não simplesmente não interfere em nada. E então eu finalmente entendi porque nunca agimos por razão. Não é que sejamos fracos, não somos. Não é que seja da própria natureza humana seguir as emoções, não é falta de equilíbrio ou qualquer outra proposição que se ache digna de ser verdadeira. A emoção provém do que sentimos, e sentir está além de qualquer razão. Não importa, não precisa explicação mais plausível ou Freudiana pra tanto. Sentir é o centro, a base. Por isso o amor sempre se sobressai.
Por isso eu falo tanto de amor, não é que não consiga me controlar. É por ser o centro de todas as minhas decisões. Eu definitivamente não entendo e nem acredito naquelas pessoas que dizem ser mais forte que qualquer emoção, porque até pra deixar de amar é preciso ter amado antes. E sei, estou tão clichê que mal encontro as palavras certas.
Eu tentei abrigar frieza nesse coração pequeno, mas não encontrei meios ou razões pra deixá-la ficar. Eu quis mesmo que tudo acabasse naquela noite. Depois de jogarmos os lençóis no chão daquele canto escuro do quarto, eu queria ter te olhado nos olhos e dito que aquela era nossa última vez. E quasse disse. Mas algo, não sei de onde, que surgiu sabe-se lá como me fez calar. Eu sabia que devia continuar. Mesmo achando que o amor já estava escasso, fraco. E quando olhei você vestindo a camisa do lado errado, percebi que você ainda me fazia rir. E quando entrei no seu carro e fechamos a porta ao mesmo tempo, meu coração bateu forte porque sabia que já era quase manhã e eu voltaria pra nova rotina outra vez e demoraria a te ver de novo, pelo menos era o que eu achava.
Então você me beijou e disse que me amava e eu só respondi que sabia e não consegui te olhar nos olhos outra vez. Mas eu sempre soube, so não quis intensificar, sei lá, talvez medo. Mas eu sabia que era amor e sabia da intimidade que rolava em entre nós e te beijar só acrescentava mais essa certeza,
 mesmo no meio dessa bagunça toda em que se econtrava meu coração.
Então eu decidi continuar, foi uma decisão quase obrigatória pois meu desejo era mesmo outro. Mas sabe lá Deus em quantos milhões de pedaços eu estaria agora, quando às 5:40 da manhã eu tivesse recebido aquela sua mensagem e corrido pra UTI, e em meio a lágrimas que eu não poderia conter, dizer incontáveis vezes o quanto eu te amava naquele momento, depois dele e por toda a eternidade se fosse possível. E já seria tarde demais, afinal seu coração já não mais me pertenceria e eu iria apenas assistir calada a dor de te perder e acordar incontáveis noites com pesadelos e choros incontidos.
É, Deus te colocou no meu caminho e não foi por acaso que ele te fez ficar. E não vai ser um simples acaso a nossa história. Eu sei amor, há planos pra gente. E são esse planos futuros que nos mantém aqui, tão atados, tão nós.

17 de fevereiro de 2012

First



Ela acordava às 6 e levantava da minha cama num susto, às vezes falava dormindo, antes sussurrava um eu te amo, quieto, no silêncio escuro da madrugada fria debaixo do meu lençol. E eu acariciava suas costas e seu cabelo, desejando ter pra sempre aquele rosto sobre a minha barriga e aquele corpo em cima do meu.
Já era quase rotina vê-la acordar e vestir a roupa do colégio, o mais rápido possível pra chegar a tempo de assistir a segunda aula, e eu permanecia sentado na cama observando sua maneira desastrosa de colocar o tênis e sorrindo do jeito esquisito que ela amarrava o cadarço.
Então ela me olhava de soslaio e sorria um sorriso de deboche por se achar melhor do que aparenta ser e dizia quase num sussurro "não sou esse desastre sempre, é que hoje você não me acordou", e eu continuava rindo e falando que uma aula de etiqueta lhe cairia bem, por que dizer alguma coisa sempre a deixava estérica e eu me divertia com esse jeito louco e seu humor de fera pela manhã. Quando pronta dizia que tomaria um café na rua mesmo e me dava um beijo doce de quem volta amanhã ou depois.
E me lembro do quanto foi difícil ver você se acostumar a nós, a tudo. Do dia em que à luz de velas você se entregou pra mim pela primeira vez. Eu vi lágrimas caírem e molhar a minha camisa, mas você disse que estava feliz. E mesmo na dor do vai e vêm de nossos corpos nus, você estava feliz. E eu olhei nos teus olhos que dilatavam de prazer, ou dor e senti que você me queria tanto quanto eu queria você. Não sei o que me prendeu tanto, talvez a lembrança dos teus cabelos castanhos claros sobre meu rosto, ou suas coxas entre as minhas, talvez o toque frio das tuas mãos na minha nuca quando eu estava em cima de você, ou seu sorriso libidinoso transbordando desejo quando eu tocava tuas coxas delicadamente pra te provocar. Não sei o que me aconteceu. Você não foi a primeira nem tampouco a última, eu lhe havia sido o primeiro, mas pra você, apenas o primeiro de muitos. Já quanto a mim, foste a única que dei meu coração dentre todas as outras.
Mas o tempo passou e você já não lembrava mais do sabor do meu beijo e sempre hesitava quando eu te tomava em meus braços, uma dor de cabeça, um compromisso, sei lá. E no fundo eu sabia que outro tocava seus seios, e suas pernas, e sua nuca, e te fazia delirar entre tantos vai e vêm. E eu permanecia aqui, apenas como apoio pra quando aquele outro te desse um pé na bunda. E você vinha chorar em meu ombro, molhar a minha camisa e dizer que eu era o cara certo. E eu te abraçava e te olhava nos olhos, eu sabia que era verdade. E sabia que por mais que nós fossemos apenas um caso sem começo, meio ou fim, eu te amava. Dentre todas as outras, era você quem tinha meu coração de bandeja. E foi por isso que arranquei teu vestido daquela maneira, e te joguei contra aquela parede marrom escura, por isso te beijei daquela forma tão intensa, você até se assustou, talvez com a forma como te comi naquela noite, ou com a raiva que eu sentia que mal consegui disfarçar.
Foi por isso que senti raiva, por que sabia da sua promiscuidade e que só ia possuí-la naquele dia e depois você iria me tratar de novo como o melhor amigo de conversas jogadas fora e essas coisas que me deixam puto, mas mesmo assim, eu queria te ter aquela noite, eu queria teu corpo colado no meu outra vez, mesmo sabendo que outro já havia tomado o teu coração e abusado do teu corpo. Por isso que te deixei feridas que demorarão a cicatrizar, marcas de um amor que de fato não deveria existir. Mas existe, e queria que você nunca se esquecesse.
Foi por isso que sangrou naquela primeira vez, respingos de sangue na colcha branca da cama e sobre o sofá, isso você jamais vai esquecer. Você me deu sua alma naquela noite, sua inocência estava em minhas mãos. E eu em troca te dei meu coração. Já sua inocência eu jamais poderei devolver, mas meu coração será sempre teu menina, sempre teu..

16 de janeiro de 2012

Life's a journey not



Estou presa até o último fio de cabelo à minha insanidade fútil de quem acha que tudo é motivo para um escarcéu, uma tempestade em copo d'água, uma chuva de lágrimas derramadas sem o menor pudor, e julgue como quiser. Eu sou assim até nos dias mais regulamentados, o que dirá dos dias mais sentimentais e deprimentes.
Mas me diga você, o que há nesse seu sorriso que me feriu tanto? Não é amor minha cara, não é não. Vi você pela primeira vez na vida naquele ônibus e sabia que ficaria a noite inteira reparando na cor do seu cabelo que nada combinava com esses olhos tão verdes e sua cor tão branca. Mas eu reparei em você, esperando silenciosamente como quem espera alguém que nunca virá, e me reconheci naquele seu olhar, destinando-se apenas a entrever o vai e vem de pessoas segurando malas, carrinhos de bebê e crianças chorando por um colo ou um brinquedo qualquer. E olhava insistentemente pro celular a cada cinco minutos certinhos, que eu contei. Talvez esperasse uma ligação que não ocorreu, não naquela noite, não ali na espera de embarque. Até que talvez pela milésima vez o celular continuava ali sem tocar, eu a vi jogá-lo na bolsa e uma lágrima cair docemente depois de jogar fora a última esperança de um recomeço.
Também a vi pegar um cigarro e sentar no banco mais próximo, acendeu-o com mãos trêmulas e lágrimas que escorriam agora sem cessar. Qualquer pessoa que olhasse pra uma garota encostada num banco de rodoviária, sozinha e com lágrimas nos olhos e um cigarro aceso tão cedo da manhã, lhe acharia estranha ou louca, mas eu a compreendi tão bem...
Talvez você esperasse por alguém, alguém que a impedisse de ir embora, e carregar todas aquelas malas pesadas de volta pra casa. Até então você não havia percebido minha presença, mas eu já havia prestado atenção na sua, inclusive na sua solidão, bem mais pesada que todas aquelas tralhas que deviam lhe acompanhar, bem mais pesada que o seu sorriso meio que forçado de alguém que deixou a felicidade no carro e fechou a porta antes que ela pudesse sair. E mais uma vez me reconheci em você, na sua insistência por alguém que lhe pedisse pra ficar pra sempre, pra não ir embora e pra não jogar uma vida inteira na lama e simplesmente sumir.
Sabe, um dia eu também quis ficar. Eu quis receber uma ligação, eu queria ter ouvido um eu te amo, ou até mesmo um volte pra casa. Mas nada disso aconteceu. Nosso orgulho irrevogável e egoísta não nos permitiu esperar por uma segunda chance. Eu mesma não quis voltar, mas no fundo, eu teria dado tudo pra ficar também. E ainda assim fui embora, e como você, não queria me desprender. Queria agarrar-me a qualquer fio de esperança que me pusesse de volta nos braços de quem um dia me afagou e depois me largou como quem compra rosas e as deixa murchar por falta de cuidados. Mas sabe, há momentos nessa vida que ir embora é a unica escolha que temos. É quando o amor com todas as suas maleficências e benevolências insiste em maltratar e doer como ferida que não cicatriza mais. Nessas horas é preciso partir porque não há mais espaço pra compreensão alguma, só flores mortas acumuladas em um jardim que já não tem mais adubo suficiente pra esperar por uma nova estação.
Entendi no seu sorriso quando passou por mim e finalmente me notou, por que de alguma maneira quase que impossível, éramos parecidas e você até parecia saber. Então você partiu, sem ligações, sem despedidas, sem alguém que aparecesse repentinamente e lhe implorasse de volta esse amor que você tanto se dispôs a dar. Assim como eu também parti depois de esperar demais. Mas não se preocupe moça, onde quer que você vá, o que quer que você faça, um dia você esquece e se apaixona de novo, e depois luta e chora pra esquecer, e nunca aprende de fato. Nós nunca aprendemos de fato.

11 de janeiro de 2012



Digo que o tempo é o remédio e de cetra forma, é. Mas se não fosse por nossa lutas diárias e força de vontade pra seguir em frente, de nada o passar das horas no relógio adiantariam, e o barulho do tic tac chegaria a ser ensurdecedor.  
E me deparo com o coração batendo, saudável. E um dia novo nascendo, de novo. E como para todo fim há um recomeço, estou aqui a recomeçar. De novo. E essas palavras que deixo soltas aqui, um dia me foram tudo e hoje já quase nada são. Mas são minhas, uma parte da força que me empurra pra frente. Então as deixo aqui por que um dia me foram importantes assim como o amor que perdi.
E deixo comigo metade das recordações que um dia foram meu único meio de levar a vida. O que eu não sabia era que eu podia viver sem elas, e hoje eu sei. Hoje são só uma parte que guardo porque esquecer seria puro egoísmo. Mas posso viver sem essas lembranças que um dia cedo ou tarde demais chegaram a doer. E hoje, já tão tarde vejo minha vida passar e as lembranças indo e vindo, torturando às vezes e me fazendo rir em outras.
Mas olho pro hoje, pro que construí, pro que joguei fora e pra tudo que tenho aqui. Há tantos caminhos e tantas dificuldades que estou lidando ou tentando lidar, mesmo com esse meu jeito meio bruto e esse coração gelado, mesmo com tanta imaturidade e ao mesmo tempo tanta sabedoria de quem quase nada sofreu. 
Olho pra você, caro futuro. E fecho os olhos porque te desejo de um jeito, mas sempre acabamos de outro, não é mesmo?  Não quero reivindicar direitos que não fui capaz de conquistar, deixo nas mãos de Deus os erros e espero não pagar por todos eles no futuro. 
Mas é isso, hoje não falo mais de amor na primeira pessoa do singular, porque eu não sei amar. Também não falo de sonhos que posteriormente seriam realizados por mim, por que não adianta apenas escrever sobre eles, eu preciso mais do que papel e caneta, afinal eu preciso mais de mim mesma pra torná-los realidade.
Hoje só de acordar feliz, já é de bom tamanho. Cansei de pedir demais, sonhar demais, amar demais. Chega de fadar o destino, o que é pra ser será e Deus sabe quando. E por enquanto, digo amém pro que vem vindo e assim seja pro que virá. Não vou me acomodar, não vou perecer e aceitar tudo que vier. Mas não vou perseguir o inalcançável nem desejar o indesejável. Chega de extremos, exagero é bom quando se trata apenas de ser feliz. Por enquanto fico aqui, não estou à espera nem desesperada. Só estou, e uma vírgula porque ainda não cheguei no ponto final.