9 de dezembro de 2011



Acendi um cigarro, sentei ao seu lado na calçada meio suja debaixo do pé de frutos que não dá frutos e observei a rua vazia. Era quase uma da manhã e seu carro estava parado perto da minha porta. Você apareceu na janela fumando um cigarro e meio bêbado também, trouxe pizza e me pediu que saísse. Saí. Com roupa de dormir e um cigarro aceso nos lábios, um pouco de álcool na cabeça e um coração partido.
- Que tal um beijo? 
Me pediu, olhando fundo nos meus olhos nada receptivos. Sorri meio torto e virei o rosto pro lado. Eu até queria estar ali, com você. Sua presença me faz bem, mas meu coração não estava nada em paz comigo. E você percebeu, quando virou pro lado e deixou a pizza nas minhas mãos, as chaves no bolso e uma expressão séria. Eu estava pensando nele enquanto você pensava em mim. Mas você estava ao meu lado enquanto ele não se importava em ficar do meu. Meras desculpas não adiantariam e um sorriso meu não te faria esquecer. 
Não somos certos e sempre estamos cometendo erros, até aí você pode me perdoar. Foi um erro te deixar ficar nessas circunstâncias, e você sempre soube que é um erro amar alguém que ama outro alguém. Mas estamos aqui não é? Eu com minhas dores, você com as suas e de certa maneira compartilhamos isso e completamos nossos vazios, mesmo com tantas doses de álcool e cigarros apagados no cinzeiro da sua casa, com sua cama bagunçada e meu cabelo despenteado. E de certa forma já somos muito e ainda não somos nada, por que eu hesito. Te disse pra não se apaixonar, lembra? Então prefiro não saber dos seus sentimentos apesar de você demonstrá-los mesmo assim. 
E que tal continuarmos apenas desse jeito? Você aí, eu aqui e nada de amor-eterno-que-dure-para-sempre. Ainda ando tão machucada por dentro... E você sabe, eu já disse que as decepções sempre batem à minha porta mais cedo do que eu possa controlar, então dessa vez, vamos manter essa estabilidade de quase-romance e não passar disso, certo?
Te deixo pagar meu sorvete da próxima vez e prometo cantar uma música em inglês pra você, assim como você prometeu colocar apenas Boyce Avenue quando estivermos em seu carro e inventar sempre uma boa desculpa pra minha mãe quando chegarmos em casa quase de manhã, trêbados e sujos demais. E pronto. Nem mais, nem menos, nem flores, nem frases feitas, nenhum eu te amo a partir de agora e vamos aproveitar a estadia por que a viagem é curta e quero voltar pra casa mais cedo. Antes que eu possa te chamar de amor e depois sentir vontade de atirá-lo da minha janela quando tudo acabar.

5 comentários:

  1. BELO BLOG, SUCESSO E BEIJOS.

    http://tepegonamoita.blogspot.com/

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  2. Aaaaah, que lindo *_*
    Sinto dizer, mas é impossível não se apegar. Eu queria saber como as pessoas conseguem fazer isso, porque eu sou um zero a esquerda. Quando vi, me entreguei.
    Amei seu texto! Flor, você escreve muito bem o que torna seus textos cativantes. Parabéns, sua talentosa
    Volte sempre e MUITO obrigada pelo carinho! Grandes beijoooos sua linda <3

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  3. Boa noite.
    Desculpa o incomodo, mas venho hoje pedir que olhe com carinho meu blog de resenhas literárias, o O Leitor.
    Se puder fazer parte, agradecemos.

    Obrigada e uma ótima quinta-feira. Beijos,

    Pamela.

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  4. Uau que texto lindo!
    Se você conseguir não se apegar, me ensina? rs
    Acho praticamente impossivel,, nos mulheres pensamos com o coração e não com a cabeça e isso nos torna mais vulneraveis a sentimentos, ao apego,

    Beijos

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