3 de novembro de 2011



Moço de poucos sorrisos, de poucas palavras e de poucos sentimentos, apesar de me conheceres bem, eu não o conheço, aliás, só sei o que deixas transparecer. Mas há muitos caminhos obscuros que te cercam, e talvez seja por isso que fico tão indignada e inquieta quando olho pra você. Mas mesmo assim, fui digna a esse sentimento que há tanto tempo lhe dediquei, calei minha solidão e meu medo de amar, calei minha sanidade e me joguei nessa loucura. Mas e agora que já não sinto nada, estou começando a achar que lhe perdi. Mas isso não dói. E olhe que já doeu antes, tanto que chegou a sangrar.
Mas dessa vez lhe vejo distante e não sinto vontade de trazê-lo pra perto. Dessa vez sua solidão é tão gritante que ao invés de querer-te comigo para que fujas de todo esse desamor, lhe quero o mais longe possível. É que sua timidez, sua indiferença e até mesmo esse seu jeito de quem não se importa, me retém, me mete medo, eu não sei lhe explicar. Às vezes acho que tu ficas bem melhor sozinho, não me leve a mal. Mas você até parece que não tem coração e isso sinceramente me assusta.
Eu sou de muitas lágrimas e grandes sorrisos, sou daquelas que falam aos quatro ventos que é amor, mesmo que não seja. Eu sou muito efusiva, no bom sentido da palavra, é claro. É que não sei viver sem cantar as alegrias que preenchem meus dias, não sei acordar sem lembrar que a vida é linda e apesar dos pesares, eu gosto de estar sempre sorrindo, moço. Não sei disfarçar. É que solidão não combina comigo.
Não sei ficar só e se me sinto só, não sei permanecer assim. Já você, bem, como lhe disse antes, é difícil explicar. Quase impossível entender. Sua vida é feita de muitos caminhos, você teve muitas chances de me escolher, mas eu sempre lhe fui a segunda opção. E você acha que eu não vi isso, mas boy, eu sempre soube. Só demorei aceitar. Aliás nunca aceitei, apenas fingi que não via com medo de lhe perder.
Mas você sabe bem, as pessoas mudam, crescem, aparecem e acrescentam algo que lhes falta, eu acrescentei experiências e tive que acordar. E dessa vez eu não acordei ao seu lado. Agora, que já não o quero em meus braços, você finalmente descobriu (tarde demais) que eu lhe amei não apenas por ser como és, mas porque eu vi em você o que eu não via em mais ninguém. E acreditei. E me fudi.
Do seu lado, enfraqueci e me deixei viver apenas por sua causa, por você. Você deveria me fortalecer, mas de alguma maneira só de tocar no seu nome me dá dor de cabeça, é como se alguém me batesse muito forte e eu não pudesse suportar a dor.
Eu não seria capaz de dizer que se tornastes um peso em minha vida, jamais. Você chegou perto de ser, mas eu não permiti. Porque meus olhos não seriam capazes de vê-lo como algo ruim, e eu não seria capaz de admiti-lo como um mal. Mas de certa forma, fostes o pior veneno que ousei experimentar. Mas há males que vem para o bem, certo? E eu aprendi a ser seu mal também e dessa vez, isso me fez bem. Admito, te ver sofrer é ruim, mas é um prato que se come frio e dá mais prazer.
Antes eu até insistia, me mudei pro seu quarto, enchi sua casa de bebidas e cigarros, me refiz em sua vida, te liguei, te procurei, pisei, torturei e depois joguei fora o meu orgulho e me fiz tua. Eu disse que era amor, não disse? Sim eu disse. Te fiz os mais lindos poemas, os mais memoráreis gestos de amor. Esqueci de mim pra lembrar sempre de você, todos os dias, todas as horas, até antes de dormir e quando eu acordava. Deus, eu estava mesmo louca.
Há quem diga que não há cura pra toda essa insanidade, e que o amor é o único meio de fazer da loucura a única razão pra viver. Mas há, lhe garanto moço. Se eu ainda gosto de você, sim, e muito. Mas eu gosto mais de mim mesma, ao contrário de você.  Mas não se preocupe, não lhe pagarei na mesma moeda, não te farei minha segunda opção. Agora, só não te escolho mais.

7 comentários:

  1. A gente deixa o amor acabar por que só amor não basta.
    Adorei, muito lindo.
    Bjs.

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  2. Lindo Carol.
    como a Lais disse, só amor não basta

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Moça,

    Você mudou muito. Da última vez que te li, era menina; sua prosa agora é de mulher. E não, não há mais inocência nisso tudo. Por vezes, penso que o amor é daquelas mentiras fantásticas. É bom ser cético. - Não, não é. Se é para acreditar em alguma coisa, Carol, não sobra muita coisa: findamos acreditando nele.

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  5. Se se o amor bastasse as coisas seriam bem mais fáceis mas não é assim, junto com o amor tem que vir o respeito, o carinho, fidelidade e varias outras coisas né!

    Belo post!

    Beijos

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  6. Precisa-se de mais, néam?

    Muito bom.

    =*

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  7. O amor as vezes nos engana, vem sozinho e sem saber que precisamos de um pouco mais,outras coisas que fazem tanta diferença e nos fazem escolher sempre: ele. Só ele.
    A gente se desilude várias vezes na vida, várias vezes por dia, com várias pessoas, mas não temos outra escolha, o amor é o combustível dessa vida.

    Estou vendo que as palavras te acharam, texto maravilhoso Carol.
    Senti uma verdade madura aqui viu? muito bom mesmo.
    beijo, beijo.

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