10 de novembro de 2011



Eu irrefutávelmente tentei me desapaixonar, me desprender e me livrar de tudo que um dia eu deixei que fizesse parte de você. Foram muitos momentos que deixei que te pertencessem, foram tantas músicas que permiti serem nossas e tantas conversas que não apaguei da cabeça. Fui me afastando, me punindo, me esquivando e até mesmo fechando bem forte os olhos pra lhe deixar ir e levar tudo isso de uma vez, sem chances de voltar.
Mas às vezes em dias de chuva, em noites sem sono e nos caminhos de volta pra casa, um pouco daquilo tudo me vem à cabeça, vem machucando e martelando e começa a doer devagar, quase incoscientemente, deixo passar despercebido, aliás, finjo. E continuo caminhando, sentindo o vento bater, e mover as folhas, e seguir seu tortuoso caminho. Assim como eu. Se eu já não tivesse me acostumado com tamanha dor essa de quem não mede esforços quando inventa de criar ilusões e expectativas de amor eterno, quem sabe eu já não teria surtado de vez.
Mas me acostumo, até mesmo pra amar é preciso se limitar. Não adianta ser infinito se não é pra sempre. E nada é pra sempre, então são se pode intensificar os sentimentos, é preciso findá-los. É preciso trancá-los em algum lugar no inconsciente onde as lembranças não tem livre acesso. Até porque as lembranças permanecem mesmo depois de anos, mesmo depois de tantas outras histórias. Esquecer é uma tarefa difícil e deixar de amar também.
Mas hoje permito-me viver. E vivo, e vou levando a vida com ou sem você. E vou bem, caso queira saber. Vou muito bem. Sorrio sempre que posso, que é pra não perder o encanto e saio mais até. Me divirto, e admito, até que estou bem melhor assim, sem você. Sem sua voz ou seu cabelo escuro entre  meus dedos, sem seus olhos nos meus, sem teu corpo no meu, sem tua força de vontade que me empurrava pra frente, sem o movimento dos nossos corpos debaixo do lençol, ou sua mão quente segurando as minhas quando eu lamentava as dores cotidianas.
Às vezes emudeço, fico quieta e me fecho pro mundo. Outras, me deixo ousar e faço tudo que me der na telha. Mesmo escondida atrás de todas essas garrafas de vodka e uísque 12 anos, ainda sou aquela "grande evolução" que você conheceu. Ainda sou a mesma, mesmo depois de muitos copos de cerveja quente e cartelas de cigarros vazias, ainda tenho aquele coração enorme que te conquistou, ainda sou a mesma apesar de tudo, ainda sou tua. Mesmo sabendo que de fato não te pertenço mais.

3 comentários:

  1. Nossa, que profundo! Tão honesto, adoro esses textos que nos deixam coma sensação de que colocamos nossos demônios para fora e para dar uma volta. Isso é libertador, sou daquelas que acredita que o processo da escrita é terapia, rs.
    Você falou uma frase que faz muito sentido pra mim, que até adotei como subtítulo do meu blog, a questão do " pra que ser infinito, senão é verdadeiro?". Total razão, aí chega o momento de virar a página e seguir. Amei a sua postagem e super obrigada pelo carinho e apoio. Seja bem vinda ao meu blog, fico feliz que tenha gostado. Volte sempre viu? :D Grandes beijos

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  2. Fiquei sem palavras Carol.
    Você sempre vai ser dele, de um jeito e ele sempre vai ser seu, mas tem momentos que precisamos seguir em frente

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  3. Nossa Carol,
    Que texto incrível,
    Ficou MAGNÍFICO, estou sem palavras.

    E mesmo sem ele querer, eu sou completamente dele ainda!

    Bjs.

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