18 de novembro de 2011



Ela atrai olhares por onde passa, os homens olham, comentam do seu corpo, do jeito que ela joga os cabelos pro lado, do rebolado e do olhar sério de mulher que tem lá os seus mistérios. Não passa despercebida, mas não gosta de tantos olhares e tantas cantadas, é discreta, tímida e pouco sociável. É mulher de poucos. E de muitos, muitos sorrisos, muito álcool, cigarros e porres. É muito além de o que se vê. Muito além do corpo bonito, do sorriso atraente.
Tem mais do que beleza. E tem um coração que é pouco usado, a não ser nas manhãs em que acorda ofegante e de ressaca, coração a mil e mãos tremendo. Aqui, ali, onde quer que ela vá, desista, ela não vai te dar moral. Não vai sorrir pra você nem dizer que adorou a noite passada, se chamá-la pra sair de novo, ela vai aceitar, mas não a beije, perderá todo o encanto. O desafio que ela precisa é saber que você a quer mas vai fazer doce até ela beijar você. O que ela quer mesmo é uma aventura, é alguém pra chamar de seu e depois fingir que nunca conheceu. Ela quer mesmo é alguém em sua cama depois de um dia chato e sem vexames. Chame a de amor, mas não acredite na força dessa palavra quando se tratar dela. Ela pode até se apaixonar por você, mas não vai dizer. Não por enquanto. Ela vai fazer de tudo pra esquecer, mandingas, macumba, simpatias. Se não der jeito, ai espera que ela vai te ligar bêbada às 3 da manhã e dizer que te ama loucamente, desesperadamente e que quer você a qualquer custo. Também não diga que a ama, ela vai fugir. Ela não sabe amar, mas se apaixona perdidamente, se joga, se perde, se dá. Se entrega e depois enjoa, friamente. Como eu disse, ela só entende de amor próprio. Será sua pra sempre até o dia amanhecer.
Ela cansa de ver interesses mútuos e propostas de amor eterno, mas não acredita em nenhum. É uma bagunça meio organizada, aqui e ali tem um amor pra contar. Mas é sozinha. Vive sozinha, e cercada de pessoas e declarações. Hoje uma rosa, amanhã um cartão, depois um eu te amo fajuto e um sorriso torto de adeus, meia hora depois. Ela não sabe permanecer. Mal sabe se manter, imagina manter um amor. Não sabe fazer as coisas durarem. Às vezes ela insiste em se apaixonar, e quando não é a primeira a fugir, do nada acorda e viu que o amor escapou, de novo. Por isso preferiu não permanecer.
Já está de malas prontas, óculos escuros pra disfarçar as lágrimas, sorriso de quem não se importa mesmo se importando e pronta pra próxima estação. E que venha o amanhã e depois, e o resto do ano e todos os outros amores que vão bater em sua porta, ficar por uns dias e depois acabar como se nada tivesse acontecido. Deixando vazios, lacunas, lapsos, que precisam ser urgentemente preenchidos e que ficarão acumulados, assim como ela faz com as pessoas. Acumula. Mas não as guarda, em hipótese alguma.

Um comentário:

  1. Sem palavras, sem fôlego... seu texto é incrível e não tem ideia do quanto me identifiquei com a personagem do seu texto. Toda essa independência e amor próprio dela. Sabe eu não acho errado? Ao contrário, acho certíssimo ela ser dessa forma. Devemos pensar em primeiro lugar na gente, o amor por outro alguém vem depois. Vc é muito talentosa, imagino um livro escrito por vc ... vai ser lindo!
    Fico feliz que tenha apoiado a causa! Fique atenta as novidades e volte sempre viu? Grandes beijos :D

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