29 de novembro de 2011




Não, não fique aí parada como quem espera na última estação um trem que não vai aparecer. Corra, menina! A vida é tanto pra você querer ser tão pouco! Vamos lá, chega de esperar por ele. Ele não te merece. Chega de esganar seu orgulho pra viver ao redor dele, respirando o mesmo ar que te sufoca. Você tem o que muita gente quer ter, você tem cores. Tanta gente vivendo tão nude, tão preto e branco e você aí escondendo esse arco-íris lindo que te cerca. Vamos lá, deixa a vida te mostrar que o amor não pode ser tão ruim assim. Você ainda pode acreditar que existem pessoas melhores sim, e que você pode amar de novo. Decepção sempre existe, não é? Sofrer é necessário pra poder mudar suas próprias concepções, pra te tornar até mais forte, menina!
Não é por causa de um adeus que você deveria ficar aí pelos cantos, chorando. Esqueceu de todos os seus planos? E de todos os seus desejos? E curtir a vida, onde fica? Moça, você não é mais nenhuma criança. Vamos, me dê suas mãos. Posso te mostrar uma  porção de cadernos pra você pintar, e pode rabiscar bem, não quero coisas perfeitas, deixa o seu melhor desenho pro final, aproveita o rascunho e capricha, moça! Quero ver mais sorrisos nesse rosto e menos lágrimas, e ah! não esqueça: permita-se! Não deixe pra depois o que você já devia ter feito, não. Adiar as coisas só lhe tratá atrasos e frustrações, então moça, faça logo o que você tem que fazer, bom ou ruim, tudo é uma experiência a mais, e experiência é sempre bom.

24 de novembro de 2011



Eu acordo pensando no que fiz noite passada. Não bebi muito, nem fumei, mas a dor de cabeça vem de dentro pra fora me fazendo contorcer de dor. E nem sequer levanto, e me deixo ali, como se não houvesse outra saída a não ser olhar pro teto, fechar os olhos e abrir de novo, depois sentir a dor voltar cada vez com mais força. E me pergunto por que eu sempre tenho que atrapalhar os caminhos que minha vida segue. Não é o destino que trata de estragar tudo, ou alguém que se mete no meu caminho. Sou eu mesma que me atrapalho, me embaraço e vou criando labirintos enormes em torno de mim mesma, e vou me perdendo, me afastando das coisas que até poderiam ser boas se eu não as tivesse evitado. Mas eu sempre encontro uma maneira de escolher errado, de amar errado, de viver errado e continuar errando.
Estou aqui agora ouvindo Garoto de Aluguel de Zé Ramalho e eu sinto que minha vida inteira eu vivi de amores que vem e vão sem deixar nada de bom. Que o pouco que deixam são lembranças que eu prefiro manter esquecidas. Relações que chegam ao fim sem ter tido sequer um começo. Amores que vem e vão, que não marcam, e se marcam, logo vão embora, deixando vazios que preencho com outros corpos, outras bocas, outros beijos. E isso me cansa. 
Me cansa essa brincadeira de amar, me cansa amar. O amor definitivamente me cansa. Acho que não nasci pra isso. Nem eu me entendo mais. É esquisito acordar e achar que eu joguei fora a chance de amar alguém de novo, e é mais esquisito ainda na mesma hora pensar, "e daí? ele não era o certo mesmo". Depois isso fica martelando na minha cabeça, e eu me pego achando que fiz tudo errado de novo. "Eu deveria ter dado uma chance?" "Deveria ter retornado a ligação?" "Será que tô mesmo precisando de alguém pra poder chamar de meu?" "Ou isso tudo é passageiro e calma, que vai passar?"
Não tenho respostas, não encontro respostas. Acho que aquela garota que não se importa nem um pouco em dar um bolo, que maltrata e quer mesmo é ficar só está lentamente desaparecendo. Mas porque eu desistiria de toda essa mascara que criei logo agora que eu tava indo tão bem? Logo agora que eu já estava colocando os pontos nos is, me dedicando mais pra quem tá do meu lado, até me tornando mais responsável pelas minhas atitudes fúteis e fora do comum. Por que logo agora, Deus?
É véspera do meu aniversário e eu fico aqui pensando que eu poderia estar feliz com aquele cara que eu amei por tanto tempo e que depois eu ignorei até ele desistir de mim. E me dou conta de que ainda amo ele, que merda... Que merda eu fiz da minha vida!
Eu estou feliz, não nego. Mais é uma felicidade incompleta. Me falta algo. Me falta alguém, e essa falta cresce e vai criando abismos, destruindo sentimentos, destituindo a minha razão. E faltam algumas horas pro meu não tão esperado 17 e estou aqui pensando no que eu deveria ter feito e não fiz. No beijo que eu deveria ter dado e não dei. Nas coisas que eu deveria ter dito e não disse. E é um pouco tarde pra pensar nisso agora, mas eu não paro de pensar. 
São quase 17, algumas horas e pronto, mais um ano de vida, um ano difícil, por que amar é difícil, conviver é difícil, ser feliz é difícil. E são quase 17 que me impõem uma grande diferença, porque eu mudei tanto que mal me conheço. 
É quase madrugada e eu ainda estou sóbria, ainda estou séria, ainda estou sã. E ainda te tenho nos meus pensamentos e ainda não sei quem sou e porque sou. Mas agradeço, por que ainda estou viva. E meu coração sussurra baixinho, "é só 17, lembra da vida que tu tens pela frente", e aceito. Ainda tenho muito pra viver e pra aprender. E amanhã eu vou comemorar como se essa dor não existisse e sorrir, porque sorrir é bom. E mais uma vez agradecer, Deus, obrigada mesmo. E isso é sincero, porque eu tenho tanto e ainda reclamo, mas afague essa dor, por favor. E dessa vez, pelo menos dessa vez me mostre o caminho certo. Amém.

18 de novembro de 2011



Ela atrai olhares por onde passa, os homens olham, comentam do seu corpo, do jeito que ela joga os cabelos pro lado, do rebolado e do olhar sério de mulher que tem lá os seus mistérios. Não passa despercebida, mas não gosta de tantos olhares e tantas cantadas, é discreta, tímida e pouco sociável. É mulher de poucos. E de muitos, muitos sorrisos, muito álcool, cigarros e porres. É muito além de o que se vê. Muito além do corpo bonito, do sorriso atraente.
Tem mais do que beleza. E tem um coração que é pouco usado, a não ser nas manhãs em que acorda ofegante e de ressaca, coração a mil e mãos tremendo. Aqui, ali, onde quer que ela vá, desista, ela não vai te dar moral. Não vai sorrir pra você nem dizer que adorou a noite passada, se chamá-la pra sair de novo, ela vai aceitar, mas não a beije, perderá todo o encanto. O desafio que ela precisa é saber que você a quer mas vai fazer doce até ela beijar você. O que ela quer mesmo é uma aventura, é alguém pra chamar de seu e depois fingir que nunca conheceu. Ela quer mesmo é alguém em sua cama depois de um dia chato e sem vexames. Chame a de amor, mas não acredite na força dessa palavra quando se tratar dela. Ela pode até se apaixonar por você, mas não vai dizer. Não por enquanto. Ela vai fazer de tudo pra esquecer, mandingas, macumba, simpatias. Se não der jeito, ai espera que ela vai te ligar bêbada às 3 da manhã e dizer que te ama loucamente, desesperadamente e que quer você a qualquer custo. Também não diga que a ama, ela vai fugir. Ela não sabe amar, mas se apaixona perdidamente, se joga, se perde, se dá. Se entrega e depois enjoa, friamente. Como eu disse, ela só entende de amor próprio. Será sua pra sempre até o dia amanhecer.
Ela cansa de ver interesses mútuos e propostas de amor eterno, mas não acredita em nenhum. É uma bagunça meio organizada, aqui e ali tem um amor pra contar. Mas é sozinha. Vive sozinha, e cercada de pessoas e declarações. Hoje uma rosa, amanhã um cartão, depois um eu te amo fajuto e um sorriso torto de adeus, meia hora depois. Ela não sabe permanecer. Mal sabe se manter, imagina manter um amor. Não sabe fazer as coisas durarem. Às vezes ela insiste em se apaixonar, e quando não é a primeira a fugir, do nada acorda e viu que o amor escapou, de novo. Por isso preferiu não permanecer.
Já está de malas prontas, óculos escuros pra disfarçar as lágrimas, sorriso de quem não se importa mesmo se importando e pronta pra próxima estação. E que venha o amanhã e depois, e o resto do ano e todos os outros amores que vão bater em sua porta, ficar por uns dias e depois acabar como se nada tivesse acontecido. Deixando vazios, lacunas, lapsos, que precisam ser urgentemente preenchidos e que ficarão acumulados, assim como ela faz com as pessoas. Acumula. Mas não as guarda, em hipótese alguma.

10 de novembro de 2011



Eu irrefutávelmente tentei me desapaixonar, me desprender e me livrar de tudo que um dia eu deixei que fizesse parte de você. Foram muitos momentos que deixei que te pertencessem, foram tantas músicas que permiti serem nossas e tantas conversas que não apaguei da cabeça. Fui me afastando, me punindo, me esquivando e até mesmo fechando bem forte os olhos pra lhe deixar ir e levar tudo isso de uma vez, sem chances de voltar.
Mas às vezes em dias de chuva, em noites sem sono e nos caminhos de volta pra casa, um pouco daquilo tudo me vem à cabeça, vem machucando e martelando e começa a doer devagar, quase incoscientemente, deixo passar despercebido, aliás, finjo. E continuo caminhando, sentindo o vento bater, e mover as folhas, e seguir seu tortuoso caminho. Assim como eu. Se eu já não tivesse me acostumado com tamanha dor essa de quem não mede esforços quando inventa de criar ilusões e expectativas de amor eterno, quem sabe eu já não teria surtado de vez.
Mas me acostumo, até mesmo pra amar é preciso se limitar. Não adianta ser infinito se não é pra sempre. E nada é pra sempre, então são se pode intensificar os sentimentos, é preciso findá-los. É preciso trancá-los em algum lugar no inconsciente onde as lembranças não tem livre acesso. Até porque as lembranças permanecem mesmo depois de anos, mesmo depois de tantas outras histórias. Esquecer é uma tarefa difícil e deixar de amar também.
Mas hoje permito-me viver. E vivo, e vou levando a vida com ou sem você. E vou bem, caso queira saber. Vou muito bem. Sorrio sempre que posso, que é pra não perder o encanto e saio mais até. Me divirto, e admito, até que estou bem melhor assim, sem você. Sem sua voz ou seu cabelo escuro entre  meus dedos, sem seus olhos nos meus, sem teu corpo no meu, sem tua força de vontade que me empurrava pra frente, sem o movimento dos nossos corpos debaixo do lençol, ou sua mão quente segurando as minhas quando eu lamentava as dores cotidianas.
Às vezes emudeço, fico quieta e me fecho pro mundo. Outras, me deixo ousar e faço tudo que me der na telha. Mesmo escondida atrás de todas essas garrafas de vodka e uísque 12 anos, ainda sou aquela "grande evolução" que você conheceu. Ainda sou a mesma, mesmo depois de muitos copos de cerveja quente e cartelas de cigarros vazias, ainda tenho aquele coração enorme que te conquistou, ainda sou a mesma apesar de tudo, ainda sou tua. Mesmo sabendo que de fato não te pertenço mais.

3 de novembro de 2011



Moço de poucos sorrisos, de poucas palavras e de poucos sentimentos, apesar de me conheceres bem, eu não o conheço, aliás, só sei o que deixas transparecer. Mas há muitos caminhos obscuros que te cercam, e talvez seja por isso que fico tão indignada e inquieta quando olho pra você. Mas mesmo assim, fui digna a esse sentimento que há tanto tempo lhe dediquei, calei minha solidão e meu medo de amar, calei minha sanidade e me joguei nessa loucura. Mas e agora que já não sinto nada, estou começando a achar que lhe perdi. Mas isso não dói. E olhe que já doeu antes, tanto que chegou a sangrar.
Mas dessa vez lhe vejo distante e não sinto vontade de trazê-lo pra perto. Dessa vez sua solidão é tão gritante que ao invés de querer-te comigo para que fujas de todo esse desamor, lhe quero o mais longe possível. É que sua timidez, sua indiferença e até mesmo esse seu jeito de quem não se importa, me retém, me mete medo, eu não sei lhe explicar. Às vezes acho que tu ficas bem melhor sozinho, não me leve a mal. Mas você até parece que não tem coração e isso sinceramente me assusta.
Eu sou de muitas lágrimas e grandes sorrisos, sou daquelas que falam aos quatro ventos que é amor, mesmo que não seja. Eu sou muito efusiva, no bom sentido da palavra, é claro. É que não sei viver sem cantar as alegrias que preenchem meus dias, não sei acordar sem lembrar que a vida é linda e apesar dos pesares, eu gosto de estar sempre sorrindo, moço. Não sei disfarçar. É que solidão não combina comigo.
Não sei ficar só e se me sinto só, não sei permanecer assim. Já você, bem, como lhe disse antes, é difícil explicar. Quase impossível entender. Sua vida é feita de muitos caminhos, você teve muitas chances de me escolher, mas eu sempre lhe fui a segunda opção. E você acha que eu não vi isso, mas boy, eu sempre soube. Só demorei aceitar. Aliás nunca aceitei, apenas fingi que não via com medo de lhe perder.
Mas você sabe bem, as pessoas mudam, crescem, aparecem e acrescentam algo que lhes falta, eu acrescentei experiências e tive que acordar. E dessa vez eu não acordei ao seu lado. Agora, que já não o quero em meus braços, você finalmente descobriu (tarde demais) que eu lhe amei não apenas por ser como és, mas porque eu vi em você o que eu não via em mais ninguém. E acreditei. E me fudi.
Do seu lado, enfraqueci e me deixei viver apenas por sua causa, por você. Você deveria me fortalecer, mas de alguma maneira só de tocar no seu nome me dá dor de cabeça, é como se alguém me batesse muito forte e eu não pudesse suportar a dor.
Eu não seria capaz de dizer que se tornastes um peso em minha vida, jamais. Você chegou perto de ser, mas eu não permiti. Porque meus olhos não seriam capazes de vê-lo como algo ruim, e eu não seria capaz de admiti-lo como um mal. Mas de certa forma, fostes o pior veneno que ousei experimentar. Mas há males que vem para o bem, certo? E eu aprendi a ser seu mal também e dessa vez, isso me fez bem. Admito, te ver sofrer é ruim, mas é um prato que se come frio e dá mais prazer.
Antes eu até insistia, me mudei pro seu quarto, enchi sua casa de bebidas e cigarros, me refiz em sua vida, te liguei, te procurei, pisei, torturei e depois joguei fora o meu orgulho e me fiz tua. Eu disse que era amor, não disse? Sim eu disse. Te fiz os mais lindos poemas, os mais memoráreis gestos de amor. Esqueci de mim pra lembrar sempre de você, todos os dias, todas as horas, até antes de dormir e quando eu acordava. Deus, eu estava mesmo louca.
Há quem diga que não há cura pra toda essa insanidade, e que o amor é o único meio de fazer da loucura a única razão pra viver. Mas há, lhe garanto moço. Se eu ainda gosto de você, sim, e muito. Mas eu gosto mais de mim mesma, ao contrário de você.  Mas não se preocupe, não lhe pagarei na mesma moeda, não te farei minha segunda opção. Agora, só não te escolho mais.