9 de agosto de 2011



Eu que ando às tontas e às cegas nesse mundo, que vim me privando de tudo e mais um tanto, que me abasteci de sentimentos árduos e sem perspectivas, aliás, apenas expectativas, vãs e desnecessárias. Eu que particularmente fiz da minha vida um elo, e me prendi a cada toque, a cada sorriso, a cada palavrinha bonita dita da boca pra fora. Me prendi sem direito a habeas corpus, sem direito a uma ligação pro mundo real, fugi da realidade que machuca e me deixei viver às custas de uma fantasia sem sentido, sem final feliz. E o pior, eu já sabia disso. E fui. 
Por isso sou tonta, sou cega. Eu que sou drama, me vesti de passividades e calmarias forçadas. Eu que sou inconsequente, me cobri de castidades. Eu fugi de quem eu sou, pra ser o que outro alguém queria que eu fosse. Porque eu queria ser de outro alguém. E foi isso que fez tudo desandar.
A verdade é que passividade não é comigo, eu sou estressada, sou ansiosa, neurótica, insuportável e sentimental demais. A verdade é que eu nunca servi de bom exemplo e nunca quis ser admirada por ninguém por ser a santa, a quieta, a mocinha de família que nasceu só pra estudar e trabalhar a vida inteira. Eu sou incoerente, sou mesmo inconsequente e pretensiosa. E quem não é? E quem é capaz de julgar com tanta prontidão os erros de alguém, a ponto de ferir e ainda assim se achar o bom samaritano isento de erros e problemas? 
Todos erram e pecam o tempo todo, essa história de céu e inferno é só mais um detalhe que insistem em colocar em pauta onde quer que você vá, e o que quer que você faça. E daí? Céu, inferno, purgatório, é tão relativo não é? Prefiro o aqui, o agora, o depois é só depois. Vivo de presente, porque amanhã será presente e o passado presente já foi. Planos e medos futuros são só obstáculos, arriscar é apenas um risco a mais. Porque ter medo?
E é tão torpe para mim te ver julgar os meus erros e saber que você acorda todas as manhãs e olha a sua cara no espelho achando que é assim que o mundo gira, somente em torno de você. É vergonhoso. Deus não julgou, então não se atreva a tanto. A verdade, a mais pura, essa que nunca contei, é que eu não gosto de mudar por nada e nem por ninguém, mas resolvi experimentar, só pra ver se dava certo. Mas olha só, amor nenhum deve mudar quem você é. Amor nenhum é capaz de te tornar uma pessoa melhor, você apenas mascara, esconde e omite a sua verdade interior. E não há nada mais fútil do que se deixar levar, por medo de perder. 
Eu prefiro perder tudo, à me perder. 
Agora, eu prefiro alguém que fique comigo não pelo que eu posso vir à ser, e sim pelo que sou, como sou e porque sou. Porque a única coisa que muda quando amamos alguém, é a maneira de olharmos para ela, não como alguém que julga, e sim como alguém que aceita, confia e se mantém firme, pro que der e vier.