26 de agosto de 2011


E de sorrisos e descomplicações, tão natural como ela, sentir é um leve pesar. Simples é ser, difícil é tentar. Sua simplicidade sorri, e suas tristezas se vão sempre no piscar de suas pálpebras, e na facilidade com que se move, viver é apenas mais um passo, e ela está sempre pronta à arriscar.


24 de agosto de 2011



Quero tanto e pouco. Quero ser e ver tudo, e por tudo aqui estou. Depois de tudo. Quero sorrisos e menos dor de cabeça. Quero um amor daqueles que durem e não se percam na metade do caminho. Quero mais que amizades, quero irmãos. Quero reciprocidades e tudo aquilo que vier de coração. Quero uma vodca e um cigarro, talvez dois ou três. Quero amar de menos e viver de mais. Quero acrescentar o que ainda não foi acrescentado e jogar fora o que já está velho.
Eu já desperdicei muito tempo, agora resumo em poucas palavras o que e deveria ter feito e não fiz. Eu não vivi. Mas estou disposta agora a viver tudo, um pouco mais de tudo. É isso que eu quero. E é isso que vou fazer. Por que também tenho minhas determinações, tenho meus limites. Não estou cansada, aliás, estou mais pronta do que nunca.
Agora quero pessoas diferentes na minha vida, momentos diferentes, quero mudanças. E enquanto houver um eu aqui nesta terra, haverá mudanças. Boas ou ruins. Só não quero ser o que fui ontem. E esperar ansiosa pelo amanhã, cheia de novos eus que fazem parte de mim, que são a minha história, enfim.

12 de agosto de 2011



Eu choro. E admito. Estou chorando agora e chorarei mais amanhã ou depois. E vivo, e levo a minha vida carregando esse corpo, essa alma, esse coração. Viver não dói, o que dói é amar. Viver de amor dói. Mas o que seria da vida, se não houvesse amor? Não sei filosofar, mas isso me parece uma reflexão. E isso não é apenas uma pergunta retórica.
Eu escrevo. Escrevo sobre medos, perdas, decepções e demasiadamente sobre amor. Não sei porque escrevo. As vezes é uma necessidade. Mas escrever me deixa vulnerável. Eu estou aqui falando de coisas que não consigo dizer a ninguém, estou aqui por que preciso dizer o que me dói. E o que me dói é amar. Ou melhor, a falta de amar. Estou aqui por que metade das coisas e pessoas que passaram por mim, deixaram marcas. E depois eu as perdi. E com elas todo o amor se foi. E sinto falta da importância que cada uma delas tinham na minha vida, então escrevo pra ver a dor passar. Escrevo pra que eu não sinta falta de tudo que perdi. E a dor atravessa esse coração e vem parar aqui. Apenas palavras, nuas e cruas. Quem me ler, não vai entender. Por que só eu sei a intensidade de cada coisa que escrevo aqui.
Mas não preciso ser entendida, não quero respostas, só que quero que passe. Que tudo passe.
O futuro é incerto, mas se eu não agir como quero agora, eu não estarei feliz amanhã. Eu queria deixar de lado esse medo e arriscar, uma última chance de ter de volta o amor. Mas puta que pariu, eu não sei o que tá acontecendo comigo. Eu não quero mais lutar.
Não sei lidar com perdas. E eu perdi, perdi aquilo que me move, perdi o que me leva a querer viver. Mesmo que viver não faça o menor sentido. Eu perdi o amor. Não sei se o deixei escapar ou se fugiu de mim. Não sei. Mas perdi. Ainda sinto doer, mas não é o amor. Agora, que sei que o perdi o que me dói é a certeza de que não o encontrarei mais. Talvez um dia, mas só talvez.
Porque o frio que me corta aqui, cresce. E está ficando cada dia mais fácil viver sem amar. Eu não preciso sofrer, não preciso ir atrás de ninguém, não preciso me apegar, não preciso implorar pra ser amada em troca, não preciso me preocupar, ou pensar em alguém cada segundo da minha vida. Eu sou frieza. E aprendi que a dor nos torna cruéis. E me pergunto outra vez, o que seria da nossas vidas se não houvesse o amor? Bem, eu sei a resposta. Só há ganho se houver dor. Amar dói. Se não há amor, não há ganhos. Então você não perde nem ganha. Você apenas vive.

9 de agosto de 2011



Eu que ando às tontas e às cegas nesse mundo, que vim me privando de tudo e mais um tanto, que me abasteci de sentimentos árduos e sem perspectivas, aliás, apenas expectativas, vãs e desnecessárias. Eu que particularmente fiz da minha vida um elo, e me prendi a cada toque, a cada sorriso, a cada palavrinha bonita dita da boca pra fora. Me prendi sem direito a habeas corpus, sem direito a uma ligação pro mundo real, fugi da realidade que machuca e me deixei viver às custas de uma fantasia sem sentido, sem final feliz. E o pior, eu já sabia disso. E fui. 
Por isso sou tonta, sou cega. Eu que sou drama, me vesti de passividades e calmarias forçadas. Eu que sou inconsequente, me cobri de castidades. Eu fugi de quem eu sou, pra ser o que outro alguém queria que eu fosse. Porque eu queria ser de outro alguém. E foi isso que fez tudo desandar.
A verdade é que passividade não é comigo, eu sou estressada, sou ansiosa, neurótica, insuportável e sentimental demais. A verdade é que eu nunca servi de bom exemplo e nunca quis ser admirada por ninguém por ser a santa, a quieta, a mocinha de família que nasceu só pra estudar e trabalhar a vida inteira. Eu sou incoerente, sou mesmo inconsequente e pretensiosa. E quem não é? E quem é capaz de julgar com tanta prontidão os erros de alguém, a ponto de ferir e ainda assim se achar o bom samaritano isento de erros e problemas? 
Todos erram e pecam o tempo todo, essa história de céu e inferno é só mais um detalhe que insistem em colocar em pauta onde quer que você vá, e o que quer que você faça. E daí? Céu, inferno, purgatório, é tão relativo não é? Prefiro o aqui, o agora, o depois é só depois. Vivo de presente, porque amanhã será presente e o passado presente já foi. Planos e medos futuros são só obstáculos, arriscar é apenas um risco a mais. Porque ter medo?
E é tão torpe para mim te ver julgar os meus erros e saber que você acorda todas as manhãs e olha a sua cara no espelho achando que é assim que o mundo gira, somente em torno de você. É vergonhoso. Deus não julgou, então não se atreva a tanto. A verdade, a mais pura, essa que nunca contei, é que eu não gosto de mudar por nada e nem por ninguém, mas resolvi experimentar, só pra ver se dava certo. Mas olha só, amor nenhum deve mudar quem você é. Amor nenhum é capaz de te tornar uma pessoa melhor, você apenas mascara, esconde e omite a sua verdade interior. E não há nada mais fútil do que se deixar levar, por medo de perder. 
Eu prefiro perder tudo, à me perder. 
Agora, eu prefiro alguém que fique comigo não pelo que eu posso vir à ser, e sim pelo que sou, como sou e porque sou. Porque a única coisa que muda quando amamos alguém, é a maneira de olharmos para ela, não como alguém que julga, e sim como alguém que aceita, confia e se mantém firme, pro que der e vier.

8 de agosto de 2011




"Tô me afastando de tudo que me atrasa, me engana, me segura e me retém. Tô me aproximando de tudo que me faz completo, me faz feliz e que me quer bem. Tô aproveitando tudo de bom que essa nossa vida tem. Tô me dedicando de verdade pra agradar um outro alguém. Tô trazendo pra perto de mim quem eu gosto e quem gosta de mim também. Ultimamente eu só tô querendo ver o bom que todo mundo tem. Relaxa, respira, se irritar é bom pra quem? Supera, suporta, entenda: isento de problemas eu não conheço ninguém. Queira viver, viver melhor, viver sorrindo e até os cem. Tô feliz, tô despreocupado, com a vida eu tô de bem."

Caio Fernando Abreu, sempre me entende.