15 de julho de 2011



Sento aqui e me lembro das suas últimas palavras. Você realmente falou sério quando disse adeus, eu que não quis acreditar. Esperei porque no fundo eu tinha esperanças, eu tinha expectativas. Mas como qualquer sonho, há sempre o despertar. É hora de seguir adiante, coração.
Talvez eu perca algumas lembranças e jogue fora algumas coisas que deixastes aqui, talvez eu mude a fotografia da estante e apague todo e qualquer vestígio seu. Talvez eu me afaste de vez. Talvez. Ou talvez eu não faça nada disso. É que com as nossas memórias é mais difícil de lidar, e essas coisas que vem de dentro são fortes demais pra serem apagadas como se não houvessem importância.
Mas eu vou mudar. Vou me proibir menos, abdicar dos meus sentimentos, nunca mais. Talvez eu me revolte e faça uma tatuagem, ou até mesmo um alargador na orelha esquerda. Talvez eu beba mais, saia mais, ou até me converta. Essa rotina que vivo agora não me faz bem, porque tudo tem uma lembrança, a sala de estar, as fotos da estante, a tv ligada no mudo, o auto-retrato na parede do corredor. Quem sabe eu mude de casa, eu vou mesmo embora, fica mais fácil pra mim.
Darei um fim em cada música fofinha que me lembre da sua existência, principalmente a que estou ouvindo agora, nem que eu passe a não gostar mais de músicas. Não deixarei mais o som ligado à noite, ou as lágrimas surgirem quando eu assistir algum filme que me lembre você. 
De uma forma ou de outra eu vou mudar. Porque você destruiu todos os obstáculos que eu criei pra que eu não me apaixonasse outra vez, você me fez ficar vulnerável de novo. Passei anos fugindo disso e em menos de segundos você fez tudo voltar.
E depois, tomamos rumos diferentes e seguimos outros caminhos. Por escolha própria, escolheu a distância e é isso que farei também.