15 de junho de 2011



Não, eu não prefiro assim. Não como está. Deixar as coisas fluírem e um possível futuro nos aproximar. Não. Não quero. Olha no que estamos nos tornando, colecionadores de decepções. Todo dia as mesmas histórias que não tem fim, os mesmos sorrisos forçados, verdades ocultas, lembranças reprimidas, palavras soltas e situações cômodas demais. Estamos nos acostumando a isso. Estamos nos permitindo viver dessa maneira. 
Está ficando tarde pra nós. Lembre o que éramos e veja o que somos, eu achava que te conhecia, e você sabe que não sou mais a mesma. 
Hoje boy, andei pensando. Em meio a lágrimas que não pude conter, pensei em nós. Hoje, nossos desejos já não são como faísca, nossas músicas já não tem o mesmo ritmo. Batidas diferentes geram dissonância demais quando juntas. É isso que somos, dissonância. Porque nossa canção não tem mais aquela pureza dos dias passados. Vivemos em mundos relativamente diferentes, somos quase independentes e ainda temos tanto pra viver.
Prefiro que pare. Prefiro que você desapareça mesmo que isso machuque, mesmo que seja a pior solução. Mas não quero sua amizade, não quero sua gentileza, não quero você pela metade. Eu dou um jeito, eu encontro alguém que me ajude te esquecer, eu fujo. Mas assim não.
Esse silêncio, teu silêncio. E essa ilusão toda que criei de você. Deixa, eu que vi perfeição onde só havia defeitos. Metade disso é culpa minha também. Mas por favor, apenas pare de criar expectativas onde não há chance alguma de futuro. Nós não temos futuro, boy. Foi nisso que pensei.