31 de maio de 2011



Hoje já não me falta a vaga clareza dos dias passados e também já não me falta o leve sorriso dos dias tranquilos. Hoje já não falta-me nada que eu não possa repor. Hoje, se tenho esse sorriso calmo é porque já chorei demais, e vi que pra sorrir é preciso conhecer a dor e fazer valer a pena um sorriso sincero, puro, de quem sabe o real valor das coisas boas, dos sentimentos bons que vem de dentro, lá do fundo da alma, onde a pureza ainda não cedeu o lugar para as coisas tolas do dia a dia.
Hoje tenho aquela velha sensação de paz e a certeza de que um dia, desses de outono, as verdades que há tempos estavam escondidas hão de florescer, hei de ver declarações que surgem do coração e saem de dentro pra fora, as mais belas palavras que não podem ser ditas com o olhar apenas. É preciso serem descritas, desvendadas e sentidas.
Hoje sou apenas maré calma, brisa leve, fim de tarde ao som das ondas, sou tempo perdido, encontrado e revivido. Sou tudo e nada, porque vivo de intensidades inesperadas e calmarias arrastadas. Sou isso agora e com toda vontade de ser, vou indo, vivendo, sonhando e aprendendo.


Bloqueei comentários, agora só reações  =)

23 de maio de 2011


Fui sorriso enquanto pude ser. Depois lágrima o resto dos dias. E assim se passa quase uma vida inteira. Em meio a tantos nãos e tantos movimentos forçados, tentar parecer compreensível e feliz o tempo todo me deixa sem ar. Às vezes o que quero é muito pouco, apenas um sorriso acolhedor, uma palavra que me faça mudar certas atitudes e um abraço que me faça calar e esquecer um pouco de tudo. Mas parece que é pedir demais. Parece que precisar de você às vezes, é incômodo. És parede fria que não se move quando mais preciso que seja no mínimo acolhedor, ou que pelo menos me escute. Sem ter nada a dizer, ou aconselhar, apenas ouvir. E deixar o coração livre pra sentir, e fazer dessas horas tristes um momento são, um momento nosso. E seria tudo, sem pedir mais. Mas tudo é nada quando estamos à beira de um precipício. Ainda mais quando tudo que precisamos é simplesmente nada ao olhos de quem nos vê apenas com a razão, deixando o coração e a emoção de lado. É se arrastar mais e mais pro começo de um fim que deixará cicatrizes, marcas de um passado que agora é preciso esquecer. E equanto eu pude sorrir e fingir felicidade, tudo ia bem, externamente. Porque do lado de dentro o coração estava quebrado com um sentimento mal resolvido, e essa irrefutável dor acaba se tornando meu ponto fraco o meu ponto final. Ou talvez o meu recomeço, outra vez. Por você. Mas do que me adianta recomeçar, se ao teu lado já não me reconheço, se com você nada é concreto? És tão relativo que tudo pode ser nada e depois fingir que o nada é tudo e assim deixar passar. É como acreditar em vôos cegos e depois despencar do paraíso construído através de incertezas e medos infindáveis. É tentar realizar o irrealizável sem medir esforços ou consequências e depois descobrir que tudo foi em vão. E mesmo por trás dessas palavras austeras que dizem tudo e ao mesmo tempo não dizem nada, por trás dessas palavras mudas e bagunçadas assim como teu coração, que sente tanto e pouco demonstra,    por trás de tantos começos e fins que mal soubemos conciliar, e por trás da minha insegurança e sua cruel indecisão, continuo a preferir o silêncio. Não que eu queira silenciar e esperar o entorpecer dessas horas frias que nunca passam, é por medo de me machucar, machucar você. E nos perdemos um do outro, outra vez.


Escrito dia 13 de março, 2011

18 de maio de 2011


O mundo é mesmo pequeno, e o abismo que construímos entre nós está cada vez maior.
E como já dizia Camelo "e se já não sinto os teus sinais pode ser da vida acostumar?"
Sim, pode. O tempo passa e a gente se acostuma com a ausência desmedida.
Não há nada que o tempo não resolva, não há ferida que não cicatrize, não há dor que não acabe, não há amor que não é esquecido, não há solidão que não é preenchida.
Não há nada que não possa ser devidamente colocado em seu lugar.
E eu vou me convencendo pouco a pouco.
Um dia hei de sorrir e ver que tudo está bem, um dia hei de dizer que está tudo como deveria estar e que felicidade melhor não há.
Porque eu acredito na minha fé, eu acredito que o melhor me espera, mesmo que eu já não espere o melhor de mais ninguém. E depois hei de falar abertamente sobre tudo isso e rir.
É só uma fase. E esse desamparo há de se tornar sorriso. E esse sorriso há de ser sincero, de coração.


16 de maio de 2011



Antes se eu não sabia o que sentir e me faltavam palavras pra dizer, hoje eu sei muito bem o que sinto, mas me faltam palavras pra expressar, e bastante esforço pra não desistir.

13 de maio de 2011



A vida não é só amar e nem só de amor alguém vive, mas é bom sentir as vezes esse amor e saber que é amado, só pra se sentir bem, um pouco mais leve. Amar sempre é bom quando é recíproco, e se existe amor, nada importa. E de verdade, amor é para os fortes, para os que sabem sentir, não para aqueles que fingem que não amam, também não é para aqueles que escondem o que sentem, não é pra qualquer um. É para aqueles que choram todas as noites antes de dormir, que perdem o sono quando não recebe uma ligação, que se preocupam com o outro mesmo estando do seu lado, e que milhas e milhas de distancia não acabam com um sentimento verdadeiro. Amor é para aqueles que se perdem nos pensamentos, revivendo as lembranças boas, que não sentem medo de dizer que amam, que não negam abraços, retribui beijos, que buscam no outro a sua paz. Amor não é para os que vivem muito, nem para os sábios, amor é pros inexperientes mesmo, que descobrem no outro o desejo, o gosto do beijo e a felicidade compartilhada. Amor é viver de lembranças e desejar viver todas de novo, com mais intensidade. É desejar estar sempre perto, é sentir saudade quando a distancia insiste em separar. Amar é nunca desejar o mal, é brigar quando necessário, é punir certas falhas, é repreender, mas sempre para o bem do outro. Amor só existe uma vez e não vai embora sem antes deixar marcas, até mesmo cicatrizes. Viva de amor e morra por ele, não se limite, porque se arrepender às vezes é bom. Melhor se arrepender do que fez do que se amargurar eternamente pelo que deixou de fazer.

11 de maio de 2011



Coisas fora do lugar, pensamentos negativos, uma baita dor de cabeça, daquelas que não passam com remédio. Sinto falta da harmonia dos dias tranquilos, de não ter nada pra fazer e ainda assim me sentir bem. Sinto vontade de chorar, mas as lágrimas não vem. E é melhor assim.
Sabe, ando pensando no futuro. E isso é assustador pra mim, não estou preparada e são tantas coisas pra fazer, são tantas decisões pra tomar. É família de um lado, os amigos de outro e a minha cabeça está confusa demais pra separar o bom do ruim. Então eu misturo tudo, depois me arrependo. Tento voltar atrás e já não consigo. Dou ouvido pra coisas banais quando eu deveria ouvir as coisas certas. Me preocupo com coisas sem importância quando deveria estar preocupada com o que vou fazer daqui alguns anos. Me sinto cada vez mais indisposta pra aturar certos comportamentos e atitudes (ou melhor, a falta delas), e se continuar do jeito que está acabo abrindo mão também do que mais importa pra mim nesse exato momento, até porque não sou de ferro. Eu posso até suportar algumas vezes, mas eu canso. Canso de não ser ouvida quando eu preciso falar, canso de me importar tanto com quem não se importa mais comigo, canso de estar sempre de bom humor, canso de bancar sempre a romântica e compreensiva, quando eu já deveria ter dado um piti.
Não vou usar meu orgulho como arma por que dessa vez eu quero mudar pra melhor, não quero desandar, quero apenas seguir minha vida sem humilhar ninguém, quero paz, definitivamente. Já ando cheia demais pra ter que aturar intrigas, pessoas sem coração e sangue frio já basta o meu mesmo.

8 de maio de 2011



Mãe, a que me esperou por oito meses muito sofridos em seu ventre. Ainda lembro quando tivestes que ir embora, eu tinha apenas oito anos. E sei que sofrestes ao deixar eu e minha irmã. Mas agora a tenho comigo, meu maior tesouro, meu amor maior.
Às vezes eu sei que não demonstro o meu amor pela senhora, e sei que sempre fui assim. Nunca fui de demonstrar o quanto as pessoas que amo são importantes pra mim, ainda bem que as palavras sempre me foram grandes aliadas e é através delas que expresso esses sentimentos que mantenho guardados aqui.
E apesar de nossos conflitos, às vezes lágrimas e dor, eu ainda lhe amo muito.

Vó, minha querida mãezinha. Estivestes comigo desde o dia em que nasci, com lágrimas nos olhos e um grande sorriso no rosto viu a primeira netinha vir ao mundo. Aquela coisinha pequena, que cabia na palma de sua mão. Com toda sua sabedoria que nunca falha, me educou, me amou, e fostes minha mãe quando a outra teve que partir. E continua sendo. Pois para mim, é a melhor mãe do mundo. Você e mamãe.
Deixo claro aqui que amo vocês duas mais que tudo nessa vida. E que esses conflitos diários, essa minha personalidade forte e essa diminuta paciência que sempre está ausente quando não deveria, machucam, eu sei. Mas eu venho tentando ser uma pessoa melhor, por vocês duas. Pois jamais tive a intenção de machucar as duas únicas mulheres que me amam de verdade. Eu AMO muito vocês, de verdade.

O único amor que dura, que é firme como rocha, que não se acaba com o tempo, o único amor verdadeiro que nem a morte é capaz de destruir, é o amor de mãe.

6 de maio de 2011



Acordo. Tomo um café. Sento na varanda. Ouço discos de vinis. Músicas antigas, quando havia sentimento verdadeiro pra compartilhar. Sentimentos antigos. Quando eu ainda tinha um amor. Gosto do vento batendo nas árvores. São 5 da manhã e o alvorecer está só começando. Um novo dia, mas com as mesmas velhas lembranças que nunca se vão. Hoje eu quase não dormi e ouvi música a noite toda. Sinto-me outra pessoa. Renovada e cansada, e com os mesmos sentimentos antigos que moram no meu coração. Esse velho amor, que vive aqui. Comigo. Senti vontade de acender um cigarro e ver a fumaça se desfazer lentamente, como a velha canção de amor que escuto baixinho, só para mim. Senti saudade de um sorriso que há tempos não vejo. Senti vontade de reviver uma velha amizade que o tempo levou. Senti saudade de alguém. E pensei em chorar. As lágrimas não resolveriam, mas aquietaria a dor. E lentamente olho pro céu, pequenos raios de sol incidem sobre meu rosto e mais uma vez, eu desejei estar perto de alguém. E fechar os olhos. E sentir na pele a lembrança do último abraço, o entrelaçar dos dedos e o beijo roubado. Esse alguém que fugiu da minha vista e do meu coração. Um dia resolvi amá-lo, mas nada me sobrou. Então resolvi esquecê-lo, e aqui estou. Saudade às vezes bate, mas logo se vai. É só o tempo de eu abrir os olhos e voltar a sorrir.

Ao som de Santa Esmeralda - you're my everything

4 de maio de 2011




E de tudo, só restarão essas poucas lembranças, algumas boas e outras ruins, algumas que valerão a pena lembrar e outras que serão eternamente esquecidas. Porque um dia eu prometi ser tudo sem receber nada em troca, mas me cansei dessa promessa, e o que era para ser intenso e infinito, se tornou frio e morreu jovem demais, antes mesmo de parecer amor.

Ao som de Just a boy - Angus and Julia Stone






Virei com menos frequência aqui,
mas tentarei postar regularmente, 
ainda preciso de distrações.

3 de maio de 2011



Os dias se vão. E mais uma vez um fim de tarde frio, daqueles chuvosos me levam a pensar. Em tudo. E desta vez, um turbilhão de sentimentos amontoados, acumulados na minha cabeça. E eu paro pra sentar e tomar uma cerveja. Olhar a chuva. Olhar o vento que leva as folhas de um lado a outro, dançando lentamente, sutilmente. Eu já não sei o que pensar em relação a  tudo. Sinto que estou confusa, confusa demais pra tomar uma decisão. E por mais que eu queira que as coisas mudem, ao mesmo tempo me falta algo, sinto que jamais estaria completa. Algo sempre haverá de me faltar, mesmo que eu tenha tudo. Inclusive você. E sinto que vou ficar bêbada de novo. Mas tudo bem. E então eu sento aqui e espero que as palavras venham e que de alguma forma eu consiga expressar o que tou sentindo agora. Mas eu não sei. Sempre fui tão boa com palavras, mas hoje definitivamente não sei como me descrever. Talvez duas palavras me bastariam: um caos. E olhe que eu nunca gostei de bagunça. Mas hoje eu não quero reorganizar meus pensamentos, nem colocar todas as coisas no lugar. Porque eu não sei como entrei nisso, e consequentemente não sei como irei sair. Nunca fui de certezas, e assim fui levando a minha vida, e através das minhas dúvidas fui construindo meu castelo. Sempre hesitante, sempre com medo de titubear e cair. Mas cresci. Com minhas incertezas, medos e afins. E não estou disposta a criar certezas e expectativas vãs. Que no fim, acabarão por me deixar frustrada. Não irei fantasiar, nem relembrar certas coisas que não passam de meros passados, que um dia já fizeram parte de mim. Mas isso é passado também. Já basta eu ter me tornado um exemplo perfeito de confusão, ainda ter que sonhar, é cansativo demais levar uma vida assim. E não falo aqui de desilusão, caro leitor. Por que não sou a iludida, e em momento algum me iludi. Falo aqui de esperenças que nunca tive, por não mais acreditar nesse conto de fadas predestinado a ter sempre um 'final feliz' que não existe na vida real. E não irei mais assistir a minha dor sem fazer absolutamente nada, não irei ficar assistindo de camarote enquanto qualquer mal entendido fira meu ego e já não importa o quão egoísta isso possa parecer, porque no meio de toda essa confusão, ainda há algo que eu quero salvar e guardar de tudo isso até que essa tempestade definitivamente passe: o meu coração.

Allie nunca soube por que aquilo aconteceu, mas foi naquele exato momento que o abismo começou a se fechar para ela, o abismo que ela mesma tinha aberto na sua vida para separar a dor do prazer. E ela então suspeitou, talvez não conscientemente, que estavam em jogo mais coisas do que gostaria de admitir.
Mas, nesse momento, ela ainda não tinha tomado plena consciência disso, e virou-se para encarar Noah. Estendeu o braço e tocou a mão dele, em um gesto hesitante, suave, fascinada pelo fato de que mesmo depois de tantos anos ele, de alguma maneira, sabia exatamente o que ela precisava ouvir. Quando os olhos de ambos se encontraram, ela mais uma vez percebeu como ele era especial.
E, por um momento fugaz, uma minúscula fagulha de tempo que paira no ar feito vagalumes nos céus de verão, ela se perguntou se não estaria outra vez apaixonada por ele.

Trecho de Diário de uma paixão, Nicolas Sparks