23 de abril de 2011



Na sala de estar. A minha sala de estar. Os móveis sobre a mesa, a tv ligada no mudo. Nossas expressões frias, de quem não tinha nada a dizer, por medo de confessar sem querer o que realmente sentíamos. Fostes de novo o único a ficar. Desta vez, seus olhos pairaram sobre os meus apavorados. Eu já não sabia o que fazer. E enquanto todos fugiam, você continuou, aqui. Eu quis ir abrir a porta e fazer você ir embora, mas eu precisava de alguém. Alguém que me perguntasse se eu estava bem, e não se calasse apenas com um sim como resposta. Alguém que pudesse decifrar o que eu sentia apenas com um olhar, e ainda assim me perguntasse e ouvisse com atenção o que esse coração vazio tem a dizer. Ainda que ele se cale, por não ter forças pra recomeçar.
Ficaste. Entre a força do não e a necessidade de permanecer aqui. E me ver, mais uma vez. Uma última vez. E me ouvir chorar. Sentir a dor. A minha dor que se tornou a sua também, outra vez. E por fim não desistiu, ainda não. E por tantas vezes eu quis um final, sem recomeços ou esperanças. Mas ainda não. Não por falta de motivos, ou mera falta de atenção. Por tantos meios e fins, altos e baixos, te manteve em cima do muro, quase seguro e ainda olhas para a porta, prometendo jamais sair por ela. Pois estarás aqui, sempre. E hoje, a presença que me falta é a tua. Pois te tenho tanto que tenho medo de te perder. Pois te tenho aqui preso. E já me falta o ar, imagine para você. Mas te deixo sair por aquela porta se quiser. Mas não a feche. Não a tranque. Apenas vá sem pressa de voltar.
As vezes penso apagar o passado, cada lembrança, olhar ou gesto. Por onde andamos e o que fomos. O que sonhamos e o que realizamos. O que ainda queremos realizar. Mas eu não seria nada capaz, eu não tenho peito pra fugir. Mas também não tenho forças para continuar. O que me leva a ficar também é o que me faz querer desistir. Além do mais, me sinto presa também. E não dá pra construir nada assim, repentinamente, displicentemente. Está um pouco tarde, mas não tarde o bastante, eu sei. Mas não saio por aquela porta até que nossas últimas promessas sejam cumpridas. Até que nosso último sorriso seja desperdiçado por uma causa justa. Não saio. Não me movo. Não apareço, nem sumo. Fico. Porque ficastes também.

Fictício. 

6 comentários:

  1. que liiindo gente.. adorei carol :]

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  2. intensa, adorei a última frase...fico,hoje e sempre!

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  3. que lindo carol. Me vi completamente no teu texto.
    Tenho ficado por que o vejo e ficar, eo que me faz querer desistir é justamente o que quer me manter de pé.


    um beijo

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  4. Olá, Carol... Tudo bem? Estou passando por aqui apenas para te desejar uma semana linda, alegre e abençoada! E que seja doce...

    Beijo enorme

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  5. Passo exatamente pelo mesmo. Mas você escreve de uma forma muito bonita, aquilo que eu não consigo expressar.

    Beijos da Flor

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  6. Uma pena ser fictício. Seria uma bela história de amor. Quando o temos, temos medo de perdê-los. E quando não o temos, queremos mais do que tudo, mesmo que isso seja contra nossos princípios. Mas é isso, vivendo e aprendendo. Deixando-os ir, mesmo que a gente queira que eles fiquem. Se eles voltarem, é porque nos pertencem. Se não voltarem, é porque jamais foram nossos.
    É o amor... rs

    Um beijo.

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