28 de abril de 2011



Foi em uma dessas noites frias, que o inverno ousa sussurrar suas melodias em meu ouvido. Foi em uma dessas noites vazias que a gente acorda um pouco mais cansado, um pouco mais arrependido, um tanto ferido e fora de si. Em umas dessas noites, a madrugada soara forte da minha janela, tomei um café e esperei que a minha solidão me fizesse companhia. E tive uma certeza. Ando só. Me desfiz de laços, de sorrisos, de felicidades repentinas, de dias coloridos, de tardes com cervejas e de alguém que pudesse sorrir junto, viver junto, amar junto, em conjunto como um só. Acho que estou desistindo de mim. Há confusões que não sei resolver, há incertezas que não sei conviver. Ando só. E não me esforço pra reconstruir velhas certezas e velhos sorrisos que eu mantinha comigo. Estou perdendo muitas coisas que eu dava valor e estou fechando os olhos, fingindo não ver. Estou fugindo. Mas não sei de quê. Compartilho minha solidão com todas as pessoas que ainda acreditam em mim, mesmo que eu mesma já não acredite. E estou cercada por tantos que mesmo comigo, se sentem só. E mesmo eu estando tão perto de quem me faz bem, a solidão me leva pra longe, lá onde eu deveria estar, onde eu realmente estaria completa, e permaneço só. E no fim descubro, que nós, juntos ou separados compartilhamos da mesma solidão. Mas fugimos da realidade e fingimos que não.

Ao som de REM - losing my religion

3 comentários:

  1. você é tão intensa, isso é bom. Este texto ficou bem forte.



    Carol, pode seguir meu outro blog também? http://roubandosentimentos.blogspot.com/ rs não vou deixar o nova perspectiva, pelo contrário, vou continuar lá todo dia! Fiz este blog só para postar textos de grandes escritores.

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  2. Esse texto poderia ter sido escrito por mim, fácil fácil.
    Eu também estou assim, fugindo de tudo que sinto e de todos.
    Espero que seja só uma fase!
    Adorei o texto!

    Beijos

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