9 de dezembro de 2011



Acendi um cigarro, sentei ao seu lado na calçada meio suja debaixo do pé de frutos que não dá frutos e observei a rua vazia. Era quase uma da manhã e seu carro estava parado perto da minha porta. Você apareceu na janela fumando um cigarro e meio bêbado também, trouxe pizza e me pediu que saísse. Saí. Com roupa de dormir e um cigarro aceso nos lábios, um pouco de álcool na cabeça e um coração partido.
- Que tal um beijo? 
Me pediu, olhando fundo nos meus olhos nada receptivos. Sorri meio torto e virei o rosto pro lado. Eu até queria estar ali, com você. Sua presença me faz bem, mas meu coração não estava nada em paz comigo. E você percebeu, quando virou pro lado e deixou a pizza nas minhas mãos, as chaves no bolso e uma expressão séria. Eu estava pensando nele enquanto você pensava em mim. Mas você estava ao meu lado enquanto ele não se importava em ficar do meu. Meras desculpas não adiantariam e um sorriso meu não te faria esquecer. 
Não somos certos e sempre estamos cometendo erros, até aí você pode me perdoar. Foi um erro te deixar ficar nessas circunstâncias, e você sempre soube que é um erro amar alguém que ama outro alguém. Mas estamos aqui não é? Eu com minhas dores, você com as suas e de certa maneira compartilhamos isso e completamos nossos vazios, mesmo com tantas doses de álcool e cigarros apagados no cinzeiro da sua casa, com sua cama bagunçada e meu cabelo despenteado. E de certa forma já somos muito e ainda não somos nada, por que eu hesito. Te disse pra não se apaixonar, lembra? Então prefiro não saber dos seus sentimentos apesar de você demonstrá-los mesmo assim. 
E que tal continuarmos apenas desse jeito? Você aí, eu aqui e nada de amor-eterno-que-dure-para-sempre. Ainda ando tão machucada por dentro... E você sabe, eu já disse que as decepções sempre batem à minha porta mais cedo do que eu possa controlar, então dessa vez, vamos manter essa estabilidade de quase-romance e não passar disso, certo?
Te deixo pagar meu sorvete da próxima vez e prometo cantar uma música em inglês pra você, assim como você prometeu colocar apenas Boyce Avenue quando estivermos em seu carro e inventar sempre uma boa desculpa pra minha mãe quando chegarmos em casa quase de manhã, trêbados e sujos demais. E pronto. Nem mais, nem menos, nem flores, nem frases feitas, nenhum eu te amo a partir de agora e vamos aproveitar a estadia por que a viagem é curta e quero voltar pra casa mais cedo. Antes que eu possa te chamar de amor e depois sentir vontade de atirá-lo da minha janela quando tudo acabar.

29 de novembro de 2011




Não, não fique aí parada como quem espera na última estação um trem que não vai aparecer. Corra, menina! A vida é tanto pra você querer ser tão pouco! Vamos lá, chega de esperar por ele. Ele não te merece. Chega de esganar seu orgulho pra viver ao redor dele, respirando o mesmo ar que te sufoca. Você tem o que muita gente quer ter, você tem cores. Tanta gente vivendo tão nude, tão preto e branco e você aí escondendo esse arco-íris lindo que te cerca. Vamos lá, deixa a vida te mostrar que o amor não pode ser tão ruim assim. Você ainda pode acreditar que existem pessoas melhores sim, e que você pode amar de novo. Decepção sempre existe, não é? Sofrer é necessário pra poder mudar suas próprias concepções, pra te tornar até mais forte, menina!
Não é por causa de um adeus que você deveria ficar aí pelos cantos, chorando. Esqueceu de todos os seus planos? E de todos os seus desejos? E curtir a vida, onde fica? Moça, você não é mais nenhuma criança. Vamos, me dê suas mãos. Posso te mostrar uma  porção de cadernos pra você pintar, e pode rabiscar bem, não quero coisas perfeitas, deixa o seu melhor desenho pro final, aproveita o rascunho e capricha, moça! Quero ver mais sorrisos nesse rosto e menos lágrimas, e ah! não esqueça: permita-se! Não deixe pra depois o que você já devia ter feito, não. Adiar as coisas só lhe tratá atrasos e frustrações, então moça, faça logo o que você tem que fazer, bom ou ruim, tudo é uma experiência a mais, e experiência é sempre bom.

24 de novembro de 2011



Eu acordo pensando no que fiz noite passada. Não bebi muito, nem fumei, mas a dor de cabeça vem de dentro pra fora me fazendo contorcer de dor. E nem sequer levanto, e me deixo ali, como se não houvesse outra saída a não ser olhar pro teto, fechar os olhos e abrir de novo, depois sentir a dor voltar cada vez com mais força. E me pergunto por que eu sempre tenho que atrapalhar os caminhos que minha vida segue. Não é o destino que trata de estragar tudo, ou alguém que se mete no meu caminho. Sou eu mesma que me atrapalho, me embaraço e vou criando labirintos enormes em torno de mim mesma, e vou me perdendo, me afastando das coisas que até poderiam ser boas se eu não as tivesse evitado. Mas eu sempre encontro uma maneira de escolher errado, de amar errado, de viver errado e continuar errando.
Estou aqui agora ouvindo Garoto de Aluguel de Zé Ramalho e eu sinto que minha vida inteira eu vivi de amores que vem e vão sem deixar nada de bom. Que o pouco que deixam são lembranças que eu prefiro manter esquecidas. Relações que chegam ao fim sem ter tido sequer um começo. Amores que vem e vão, que não marcam, e se marcam, logo vão embora, deixando vazios que preencho com outros corpos, outras bocas, outros beijos. E isso me cansa. 
Me cansa essa brincadeira de amar, me cansa amar. O amor definitivamente me cansa. Acho que não nasci pra isso. Nem eu me entendo mais. É esquisito acordar e achar que eu joguei fora a chance de amar alguém de novo, e é mais esquisito ainda na mesma hora pensar, "e daí? ele não era o certo mesmo". Depois isso fica martelando na minha cabeça, e eu me pego achando que fiz tudo errado de novo. "Eu deveria ter dado uma chance?" "Deveria ter retornado a ligação?" "Será que tô mesmo precisando de alguém pra poder chamar de meu?" "Ou isso tudo é passageiro e calma, que vai passar?"
Não tenho respostas, não encontro respostas. Acho que aquela garota que não se importa nem um pouco em dar um bolo, que maltrata e quer mesmo é ficar só está lentamente desaparecendo. Mas porque eu desistiria de toda essa mascara que criei logo agora que eu tava indo tão bem? Logo agora que eu já estava colocando os pontos nos is, me dedicando mais pra quem tá do meu lado, até me tornando mais responsável pelas minhas atitudes fúteis e fora do comum. Por que logo agora, Deus?
É véspera do meu aniversário e eu fico aqui pensando que eu poderia estar feliz com aquele cara que eu amei por tanto tempo e que depois eu ignorei até ele desistir de mim. E me dou conta de que ainda amo ele, que merda... Que merda eu fiz da minha vida!
Eu estou feliz, não nego. Mais é uma felicidade incompleta. Me falta algo. Me falta alguém, e essa falta cresce e vai criando abismos, destruindo sentimentos, destituindo a minha razão. E faltam algumas horas pro meu não tão esperado 17 e estou aqui pensando no que eu deveria ter feito e não fiz. No beijo que eu deveria ter dado e não dei. Nas coisas que eu deveria ter dito e não disse. E é um pouco tarde pra pensar nisso agora, mas eu não paro de pensar. 
São quase 17, algumas horas e pronto, mais um ano de vida, um ano difícil, por que amar é difícil, conviver é difícil, ser feliz é difícil. E são quase 17 que me impõem uma grande diferença, porque eu mudei tanto que mal me conheço. 
É quase madrugada e eu ainda estou sóbria, ainda estou séria, ainda estou sã. E ainda te tenho nos meus pensamentos e ainda não sei quem sou e porque sou. Mas agradeço, por que ainda estou viva. E meu coração sussurra baixinho, "é só 17, lembra da vida que tu tens pela frente", e aceito. Ainda tenho muito pra viver e pra aprender. E amanhã eu vou comemorar como se essa dor não existisse e sorrir, porque sorrir é bom. E mais uma vez agradecer, Deus, obrigada mesmo. E isso é sincero, porque eu tenho tanto e ainda reclamo, mas afague essa dor, por favor. E dessa vez, pelo menos dessa vez me mostre o caminho certo. Amém.

18 de novembro de 2011



Ela atrai olhares por onde passa, os homens olham, comentam do seu corpo, do jeito que ela joga os cabelos pro lado, do rebolado e do olhar sério de mulher que tem lá os seus mistérios. Não passa despercebida, mas não gosta de tantos olhares e tantas cantadas, é discreta, tímida e pouco sociável. É mulher de poucos. E de muitos, muitos sorrisos, muito álcool, cigarros e porres. É muito além de o que se vê. Muito além do corpo bonito, do sorriso atraente.
Tem mais do que beleza. E tem um coração que é pouco usado, a não ser nas manhãs em que acorda ofegante e de ressaca, coração a mil e mãos tremendo. Aqui, ali, onde quer que ela vá, desista, ela não vai te dar moral. Não vai sorrir pra você nem dizer que adorou a noite passada, se chamá-la pra sair de novo, ela vai aceitar, mas não a beije, perderá todo o encanto. O desafio que ela precisa é saber que você a quer mas vai fazer doce até ela beijar você. O que ela quer mesmo é uma aventura, é alguém pra chamar de seu e depois fingir que nunca conheceu. Ela quer mesmo é alguém em sua cama depois de um dia chato e sem vexames. Chame a de amor, mas não acredite na força dessa palavra quando se tratar dela. Ela pode até se apaixonar por você, mas não vai dizer. Não por enquanto. Ela vai fazer de tudo pra esquecer, mandingas, macumba, simpatias. Se não der jeito, ai espera que ela vai te ligar bêbada às 3 da manhã e dizer que te ama loucamente, desesperadamente e que quer você a qualquer custo. Também não diga que a ama, ela vai fugir. Ela não sabe amar, mas se apaixona perdidamente, se joga, se perde, se dá. Se entrega e depois enjoa, friamente. Como eu disse, ela só entende de amor próprio. Será sua pra sempre até o dia amanhecer.
Ela cansa de ver interesses mútuos e propostas de amor eterno, mas não acredita em nenhum. É uma bagunça meio organizada, aqui e ali tem um amor pra contar. Mas é sozinha. Vive sozinha, e cercada de pessoas e declarações. Hoje uma rosa, amanhã um cartão, depois um eu te amo fajuto e um sorriso torto de adeus, meia hora depois. Ela não sabe permanecer. Mal sabe se manter, imagina manter um amor. Não sabe fazer as coisas durarem. Às vezes ela insiste em se apaixonar, e quando não é a primeira a fugir, do nada acorda e viu que o amor escapou, de novo. Por isso preferiu não permanecer.
Já está de malas prontas, óculos escuros pra disfarçar as lágrimas, sorriso de quem não se importa mesmo se importando e pronta pra próxima estação. E que venha o amanhã e depois, e o resto do ano e todos os outros amores que vão bater em sua porta, ficar por uns dias e depois acabar como se nada tivesse acontecido. Deixando vazios, lacunas, lapsos, que precisam ser urgentemente preenchidos e que ficarão acumulados, assim como ela faz com as pessoas. Acumula. Mas não as guarda, em hipótese alguma.

10 de novembro de 2011



Eu irrefutávelmente tentei me desapaixonar, me desprender e me livrar de tudo que um dia eu deixei que fizesse parte de você. Foram muitos momentos que deixei que te pertencessem, foram tantas músicas que permiti serem nossas e tantas conversas que não apaguei da cabeça. Fui me afastando, me punindo, me esquivando e até mesmo fechando bem forte os olhos pra lhe deixar ir e levar tudo isso de uma vez, sem chances de voltar.
Mas às vezes em dias de chuva, em noites sem sono e nos caminhos de volta pra casa, um pouco daquilo tudo me vem à cabeça, vem machucando e martelando e começa a doer devagar, quase incoscientemente, deixo passar despercebido, aliás, finjo. E continuo caminhando, sentindo o vento bater, e mover as folhas, e seguir seu tortuoso caminho. Assim como eu. Se eu já não tivesse me acostumado com tamanha dor essa de quem não mede esforços quando inventa de criar ilusões e expectativas de amor eterno, quem sabe eu já não teria surtado de vez.
Mas me acostumo, até mesmo pra amar é preciso se limitar. Não adianta ser infinito se não é pra sempre. E nada é pra sempre, então são se pode intensificar os sentimentos, é preciso findá-los. É preciso trancá-los em algum lugar no inconsciente onde as lembranças não tem livre acesso. Até porque as lembranças permanecem mesmo depois de anos, mesmo depois de tantas outras histórias. Esquecer é uma tarefa difícil e deixar de amar também.
Mas hoje permito-me viver. E vivo, e vou levando a vida com ou sem você. E vou bem, caso queira saber. Vou muito bem. Sorrio sempre que posso, que é pra não perder o encanto e saio mais até. Me divirto, e admito, até que estou bem melhor assim, sem você. Sem sua voz ou seu cabelo escuro entre  meus dedos, sem seus olhos nos meus, sem teu corpo no meu, sem tua força de vontade que me empurrava pra frente, sem o movimento dos nossos corpos debaixo do lençol, ou sua mão quente segurando as minhas quando eu lamentava as dores cotidianas.
Às vezes emudeço, fico quieta e me fecho pro mundo. Outras, me deixo ousar e faço tudo que me der na telha. Mesmo escondida atrás de todas essas garrafas de vodka e uísque 12 anos, ainda sou aquela "grande evolução" que você conheceu. Ainda sou a mesma, mesmo depois de muitos copos de cerveja quente e cartelas de cigarros vazias, ainda tenho aquele coração enorme que te conquistou, ainda sou a mesma apesar de tudo, ainda sou tua. Mesmo sabendo que de fato não te pertenço mais.

3 de novembro de 2011



Moço de poucos sorrisos, de poucas palavras e de poucos sentimentos, apesar de me conheceres bem, eu não o conheço, aliás, só sei o que deixas transparecer. Mas há muitos caminhos obscuros que te cercam, e talvez seja por isso que fico tão indignada e inquieta quando olho pra você. Mas mesmo assim, fui digna a esse sentimento que há tanto tempo lhe dediquei, calei minha solidão e meu medo de amar, calei minha sanidade e me joguei nessa loucura. Mas e agora que já não sinto nada, estou começando a achar que lhe perdi. Mas isso não dói. E olhe que já doeu antes, tanto que chegou a sangrar.
Mas dessa vez lhe vejo distante e não sinto vontade de trazê-lo pra perto. Dessa vez sua solidão é tão gritante que ao invés de querer-te comigo para que fujas de todo esse desamor, lhe quero o mais longe possível. É que sua timidez, sua indiferença e até mesmo esse seu jeito de quem não se importa, me retém, me mete medo, eu não sei lhe explicar. Às vezes acho que tu ficas bem melhor sozinho, não me leve a mal. Mas você até parece que não tem coração e isso sinceramente me assusta.
Eu sou de muitas lágrimas e grandes sorrisos, sou daquelas que falam aos quatro ventos que é amor, mesmo que não seja. Eu sou muito efusiva, no bom sentido da palavra, é claro. É que não sei viver sem cantar as alegrias que preenchem meus dias, não sei acordar sem lembrar que a vida é linda e apesar dos pesares, eu gosto de estar sempre sorrindo, moço. Não sei disfarçar. É que solidão não combina comigo.
Não sei ficar só e se me sinto só, não sei permanecer assim. Já você, bem, como lhe disse antes, é difícil explicar. Quase impossível entender. Sua vida é feita de muitos caminhos, você teve muitas chances de me escolher, mas eu sempre lhe fui a segunda opção. E você acha que eu não vi isso, mas boy, eu sempre soube. Só demorei aceitar. Aliás nunca aceitei, apenas fingi que não via com medo de lhe perder.
Mas você sabe bem, as pessoas mudam, crescem, aparecem e acrescentam algo que lhes falta, eu acrescentei experiências e tive que acordar. E dessa vez eu não acordei ao seu lado. Agora, que já não o quero em meus braços, você finalmente descobriu (tarde demais) que eu lhe amei não apenas por ser como és, mas porque eu vi em você o que eu não via em mais ninguém. E acreditei. E me fudi.
Do seu lado, enfraqueci e me deixei viver apenas por sua causa, por você. Você deveria me fortalecer, mas de alguma maneira só de tocar no seu nome me dá dor de cabeça, é como se alguém me batesse muito forte e eu não pudesse suportar a dor.
Eu não seria capaz de dizer que se tornastes um peso em minha vida, jamais. Você chegou perto de ser, mas eu não permiti. Porque meus olhos não seriam capazes de vê-lo como algo ruim, e eu não seria capaz de admiti-lo como um mal. Mas de certa forma, fostes o pior veneno que ousei experimentar. Mas há males que vem para o bem, certo? E eu aprendi a ser seu mal também e dessa vez, isso me fez bem. Admito, te ver sofrer é ruim, mas é um prato que se come frio e dá mais prazer.
Antes eu até insistia, me mudei pro seu quarto, enchi sua casa de bebidas e cigarros, me refiz em sua vida, te liguei, te procurei, pisei, torturei e depois joguei fora o meu orgulho e me fiz tua. Eu disse que era amor, não disse? Sim eu disse. Te fiz os mais lindos poemas, os mais memoráreis gestos de amor. Esqueci de mim pra lembrar sempre de você, todos os dias, todas as horas, até antes de dormir e quando eu acordava. Deus, eu estava mesmo louca.
Há quem diga que não há cura pra toda essa insanidade, e que o amor é o único meio de fazer da loucura a única razão pra viver. Mas há, lhe garanto moço. Se eu ainda gosto de você, sim, e muito. Mas eu gosto mais de mim mesma, ao contrário de você.  Mas não se preocupe, não lhe pagarei na mesma moeda, não te farei minha segunda opção. Agora, só não te escolho mais.

30 de outubro de 2011



Andei fugindo. Fugindo sim, de amor, de lembranças, das palavras, de tudo. E continuo. E está bem melhor assim, é que quando assumimos que estamos apaixonados é como se uma porta se abrisse mostrando um mundo perfeito e sem defeitos. É a cegueira que nos toma e nos domina por um longo tempo, até a primeira decepção, depois a segunda, a terceira... e assim vai.
Eu fugi disso. E se me arrependo? Bem, eu não sei. Conquistei na minha vida inteira uma coleção de desilusões e as tornei minhas piores recordações e é por isso que nunca esqueço nenhuma lágrima e nenhum eu te amo não correspondido. É por isso que aprendi a manter o amor e os relacionamentos sérios à uma distância agradável. Prefiro aquela famosa "amizade com benefícios", onde não há amor, só um encontro de almas vazias. Nada de carinhos, nada de olhos nos olhos, nada de andar de mãos dadas por aí, nada. É só saciar a vontade, aplacar o desejo e depois ir embora como se nada tivesse acontecido. Não que eu não precise de amor e de ser amada também, porque eu preciso. Mas não o quero. Infelizmente tive que crescer e aprender que as decepções são mais comuns do que um "eu te amo".
Tomo meu café e fumo meus cigarros, observo os casais felizes e sua felicidade transbordando, e tento irrefutavelmente entender porque isso não acontece comigo. Antes de começar eu sempre fujo ou o amor foge de mim, não sei se a culpa é minha ou se minhas péssimas experiências é que me fazem andar pra trás. Talvez seja. Não sei porque comigo as coisas são sempre mais complicadas e prolixas. Se me apaixono me entrego, me jogo, me atiro e depois me arrependo. Se não me apaixono, desinteresso, fujo, largo, piso, até ir embora de vez. E pra que isso não aconteça, simplesmente fujo antes do primeiro "gosto de você", porque é aí que as coisas pioram.
Não discordo dos que se apaixonam perdidamente, afinal é lindo mesmo. Mas isso não serve pra pessoas tão complicadas como eu. Sou intensa demais, tudo tem que ser demais, extravagante e de uma infinidade constante. Às vezes cansa, outras, me fazem lembrar que se entregar demais assusta, porque ninguém está preparado para dar tanto amor assim, é preciso ir com calma, porque quando a sede é grande a água que tem no poço não sacia a vontade. Isso é fato.

25 de outubro de 2011





Sou o melhor que posso ser, e sem dúvida, estou tão feliz comigo mesma que mal caibo em mim. Sim, estou explodindo, mais não literalmente - até por que ando mais magra do que devia - estou feliz. Estou satisfeita com a maneira como estou vivendo agora e de fato estou bem melhor assim. Essa história de buscar no outro o que nos completa, é como esperar pelo impossível, explico, a única pessoa capaz de nos completar por inteiro, somos nós mesmos. 

10 de outubro de 2011





Hoje te vi andando na chuva.
Você não olhou pro lado ao atravessar.
Quando vi seu vestido molhado
cabelo amarrado
com coração fadado
pensei ''porque diabos não amei essa garota?''
Você olhou pra trás,
virou a esquina
e foi ali
aqui
nessa dobra da esquina você se despediu de mim.
Meu coração de menino gelou
e eu fiquei ali pa-ra-li-sa-do
lembrando de quando a gente se deitou naquele gramado da sua casa. Com duas cervejas e você me pediu amor. Segurou a minha mão, olhou pra dentro de mim, e desejou ser amada. Você me pediu amor.
E eu simplesmente não consegui dar. Se quer sorri. Eu nem estava ali.
E você escreveu na manhã seguinte do lado da cama. "Estávamos chegando perto."
Foi tudo que deixou de ti.
E estávamos chegando perto. Mas, eu simplesmente não consegui te dar amor naquela noite.
E você se foi.
Quando te vi hoje. Molhada. Talvez resfriada.
Dobrando a esquina. Eu senti pela primeira vez que estávamos chegando perto.
E agora, você está longe demais.

VERONICA RODRIGUES

23 de setembro de 2011



Não sei calar quando dói. Sei que não deveria escrever sobre isso, mas é mais forte que eu. Não se pode segurar uma dor. Não se pode apagar ou fingir que não dói. Eu não sei fechar os olhos e apenas respirar. Minha vontade é gritar pra que todos possam ouvir o quanto o meu desejo de fugir e esquecer é grande. Mas não consigo gritar. Eu poderia escancarar essa raiva, como quando se corta os pulsos, e deixar fluir todo o sangue até não sobrar uma gota. Queria abrir essa ferida e como já dizia Leoni: "manter cada corte em carne viva, a minha dor em eterna exposição e sair nos jornais e na televisão só pra te enlouquecer, até você pedir perdão", mas eu não sou capaz. Eu me calo, eu finjo, eu me escondo e mantenho a frieza, pulso firme, até chegar no limite, então escrevo. E as palavras vem bagunçadas, os pensamentos em contradição, eu não sei o que fazer. O bom é que passa, cedo ou um pouco tarde, mas passa.
Eu não tenho muito a falar sobre nós, sentir raiva de tudo me consome quase o tempo todo. E não fazer nada é sempre a única escolha que me convém. Eu não faço absolutamente nada e isso me torna tão obsoleta. Eu queria lutar com todas as minhas forças, não por amor, e sim por ego. Sim, apenas pelo meu egoísmo de querer você só pra mim. Eu esperei tanto pra desistir de tudo no último momento, porque sou precipitada e insegura, eu sei. Mas é difícil acreditar. Eu aprendi com todos os meus relacionamentos, bons ou ruins que acreditar é abrir uma porta pro fim. Por que você sempre se decepciona por ter acreditado demais. Por isso eu não acredito em você e me decepciono do mesmo jeito. 
De qualquer maneira vou continuar em silêncio até que tudo enfim acabe, de alguma maneira esse martírio um dia terá um fim. Não vou te amar pra sempre e disso eu tenho certeza. De tantas coisas, poucas restaram, a maioria delas são ruins e machucam muito. Não há muito o que fazer agora e não estou mais tão desesperada como das outras vezes, mas dói.  E me conformo. Nenhuma dor é pra sempre, e isso é bem clichê, mas preciso ficar repetindo o tempo todo pra mim mesma pra não acabar esquecendo outra vez.

12 de setembro de 2011



Acorde e veja que não há fim nas coisas ditas pelo coração. Você até tenta se afastar, mas amor meu caro é isso mesmo. São apenas possibilidades. É possível ser feliz sozinho? É possível esquecer quando o que mais queremos é estar perto?
E são as possibilidades que podem atrapalhar. Sim. Expectativas de um beijo inesperado, ou uma visita às 4 da manhã, são possibilidades que não te deixam dormir, que te fazem acreditar no que geralmente não acontece.
Aquele te amo de manhã, aquela declaração inusitada no espelho do banheiro, tomar um banho juntos e ouvi-lo dizer que foi a melhor transa da vida dele, são possibilidades que geralmente não acontecem, mas que você quer ver acontecer. Resumo isso em pura ilusão.
Quando no meio de uma briga ele te olha e não diz nada, apenas olha profundamente e deixa o silêncio falar por si só, o que você mais queria ouvir era um "amor, te amo, vamo parar de brigar, tá?", é uma possibilidade, mas ele não vai dizer isso. Ele tá sentindo, ele quer dizer, mas nunca, em hipótese alguma ele dará o braço a torcer. 
As possibilidades te dão uma breve evidência do que poderá acontecer futuramente, você se sente seguro, acha que ela vai aceitar aquele pedido de namoro e no fim ela quer pensar. Do que adiantam essas tais possibilidades? Sempre me decepciono com elas, quando penso que posso na verdade eu não posso nada. Quando sinto que pertenço a alguém, na verdade não pertenço. Quando sinto que tenho alguém só pra mim, na verdade estou só. E assim vivo alimentando apenas essas possibilidades, do que poderia vir acontecer, de como as coisas seriam se eu tivesse feito de outro jeito.
Mas são as possibilidades que edificam um relacionamento. Isso é fato. É só interpretar as entrelinhas. O que ele nunca dirá é o que ele mais quer dizer. São essas coisas que são possíveis de acontecer (e não acontecem) que te fazem acreditar que o amor existe, e existe não de uma maneira explícita e sim de um jeito que só quem sente de verdade é que consegue entender.
São as dificuldades que te fazem entender que o valor das coisas estão nas palavras não ditas, nos sentimentos não declarados e nas verdades ocultas. São essas coisas quase possíveis de acontecer que te fazem prestar atenção nos pequenos detalhes, são os pequenos detalhes quase sempre implícitos que te dão a certeza do que você quer saber. 
E mesmo que eu sempre acabe me fodendo acreditando em um possível futuro que imagino pra nós, ainda assim são elas que me mantém aqui, talvez ainda na esperança quase ausente de que há uma nova chance pra nós. Mas são só possibilidades mesmo.

Comentários ativados, quem quiser deixar sua opinião, sinta-se à vontade =)

9 de setembro de 2011



O problema é que as pessoas só esperam eu me acostumar com a ausência delas, para aparecer e ferrar com a minha vida.

Desconheço autoria.

26 de agosto de 2011


E de sorrisos e descomplicações, tão natural como ela, sentir é um leve pesar. Simples é ser, difícil é tentar. Sua simplicidade sorri, e suas tristezas se vão sempre no piscar de suas pálpebras, e na facilidade com que se move, viver é apenas mais um passo, e ela está sempre pronta à arriscar.


24 de agosto de 2011



Quero tanto e pouco. Quero ser e ver tudo, e por tudo aqui estou. Depois de tudo. Quero sorrisos e menos dor de cabeça. Quero um amor daqueles que durem e não se percam na metade do caminho. Quero mais que amizades, quero irmãos. Quero reciprocidades e tudo aquilo que vier de coração. Quero uma vodca e um cigarro, talvez dois ou três. Quero amar de menos e viver de mais. Quero acrescentar o que ainda não foi acrescentado e jogar fora o que já está velho.
Eu já desperdicei muito tempo, agora resumo em poucas palavras o que e deveria ter feito e não fiz. Eu não vivi. Mas estou disposta agora a viver tudo, um pouco mais de tudo. É isso que eu quero. E é isso que vou fazer. Por que também tenho minhas determinações, tenho meus limites. Não estou cansada, aliás, estou mais pronta do que nunca.
Agora quero pessoas diferentes na minha vida, momentos diferentes, quero mudanças. E enquanto houver um eu aqui nesta terra, haverá mudanças. Boas ou ruins. Só não quero ser o que fui ontem. E esperar ansiosa pelo amanhã, cheia de novos eus que fazem parte de mim, que são a minha história, enfim.

12 de agosto de 2011



Eu choro. E admito. Estou chorando agora e chorarei mais amanhã ou depois. E vivo, e levo a minha vida carregando esse corpo, essa alma, esse coração. Viver não dói, o que dói é amar. Viver de amor dói. Mas o que seria da vida, se não houvesse amor? Não sei filosofar, mas isso me parece uma reflexão. E isso não é apenas uma pergunta retórica.
Eu escrevo. Escrevo sobre medos, perdas, decepções e demasiadamente sobre amor. Não sei porque escrevo. As vezes é uma necessidade. Mas escrever me deixa vulnerável. Eu estou aqui falando de coisas que não consigo dizer a ninguém, estou aqui por que preciso dizer o que me dói. E o que me dói é amar. Ou melhor, a falta de amar. Estou aqui por que metade das coisas e pessoas que passaram por mim, deixaram marcas. E depois eu as perdi. E com elas todo o amor se foi. E sinto falta da importância que cada uma delas tinham na minha vida, então escrevo pra ver a dor passar. Escrevo pra que eu não sinta falta de tudo que perdi. E a dor atravessa esse coração e vem parar aqui. Apenas palavras, nuas e cruas. Quem me ler, não vai entender. Por que só eu sei a intensidade de cada coisa que escrevo aqui.
Mas não preciso ser entendida, não quero respostas, só que quero que passe. Que tudo passe.
O futuro é incerto, mas se eu não agir como quero agora, eu não estarei feliz amanhã. Eu queria deixar de lado esse medo e arriscar, uma última chance de ter de volta o amor. Mas puta que pariu, eu não sei o que tá acontecendo comigo. Eu não quero mais lutar.
Não sei lidar com perdas. E eu perdi, perdi aquilo que me move, perdi o que me leva a querer viver. Mesmo que viver não faça o menor sentido. Eu perdi o amor. Não sei se o deixei escapar ou se fugiu de mim. Não sei. Mas perdi. Ainda sinto doer, mas não é o amor. Agora, que sei que o perdi o que me dói é a certeza de que não o encontrarei mais. Talvez um dia, mas só talvez.
Porque o frio que me corta aqui, cresce. E está ficando cada dia mais fácil viver sem amar. Eu não preciso sofrer, não preciso ir atrás de ninguém, não preciso me apegar, não preciso implorar pra ser amada em troca, não preciso me preocupar, ou pensar em alguém cada segundo da minha vida. Eu sou frieza. E aprendi que a dor nos torna cruéis. E me pergunto outra vez, o que seria da nossas vidas se não houvesse o amor? Bem, eu sei a resposta. Só há ganho se houver dor. Amar dói. Se não há amor, não há ganhos. Então você não perde nem ganha. Você apenas vive.

9 de agosto de 2011



Eu que ando às tontas e às cegas nesse mundo, que vim me privando de tudo e mais um tanto, que me abasteci de sentimentos árduos e sem perspectivas, aliás, apenas expectativas, vãs e desnecessárias. Eu que particularmente fiz da minha vida um elo, e me prendi a cada toque, a cada sorriso, a cada palavrinha bonita dita da boca pra fora. Me prendi sem direito a habeas corpus, sem direito a uma ligação pro mundo real, fugi da realidade que machuca e me deixei viver às custas de uma fantasia sem sentido, sem final feliz. E o pior, eu já sabia disso. E fui. 
Por isso sou tonta, sou cega. Eu que sou drama, me vesti de passividades e calmarias forçadas. Eu que sou inconsequente, me cobri de castidades. Eu fugi de quem eu sou, pra ser o que outro alguém queria que eu fosse. Porque eu queria ser de outro alguém. E foi isso que fez tudo desandar.
A verdade é que passividade não é comigo, eu sou estressada, sou ansiosa, neurótica, insuportável e sentimental demais. A verdade é que eu nunca servi de bom exemplo e nunca quis ser admirada por ninguém por ser a santa, a quieta, a mocinha de família que nasceu só pra estudar e trabalhar a vida inteira. Eu sou incoerente, sou mesmo inconsequente e pretensiosa. E quem não é? E quem é capaz de julgar com tanta prontidão os erros de alguém, a ponto de ferir e ainda assim se achar o bom samaritano isento de erros e problemas? 
Todos erram e pecam o tempo todo, essa história de céu e inferno é só mais um detalhe que insistem em colocar em pauta onde quer que você vá, e o que quer que você faça. E daí? Céu, inferno, purgatório, é tão relativo não é? Prefiro o aqui, o agora, o depois é só depois. Vivo de presente, porque amanhã será presente e o passado presente já foi. Planos e medos futuros são só obstáculos, arriscar é apenas um risco a mais. Porque ter medo?
E é tão torpe para mim te ver julgar os meus erros e saber que você acorda todas as manhãs e olha a sua cara no espelho achando que é assim que o mundo gira, somente em torno de você. É vergonhoso. Deus não julgou, então não se atreva a tanto. A verdade, a mais pura, essa que nunca contei, é que eu não gosto de mudar por nada e nem por ninguém, mas resolvi experimentar, só pra ver se dava certo. Mas olha só, amor nenhum deve mudar quem você é. Amor nenhum é capaz de te tornar uma pessoa melhor, você apenas mascara, esconde e omite a sua verdade interior. E não há nada mais fútil do que se deixar levar, por medo de perder. 
Eu prefiro perder tudo, à me perder. 
Agora, eu prefiro alguém que fique comigo não pelo que eu posso vir à ser, e sim pelo que sou, como sou e porque sou. Porque a única coisa que muda quando amamos alguém, é a maneira de olharmos para ela, não como alguém que julga, e sim como alguém que aceita, confia e se mantém firme, pro que der e vier.

8 de agosto de 2011




"Tô me afastando de tudo que me atrasa, me engana, me segura e me retém. Tô me aproximando de tudo que me faz completo, me faz feliz e que me quer bem. Tô aproveitando tudo de bom que essa nossa vida tem. Tô me dedicando de verdade pra agradar um outro alguém. Tô trazendo pra perto de mim quem eu gosto e quem gosta de mim também. Ultimamente eu só tô querendo ver o bom que todo mundo tem. Relaxa, respira, se irritar é bom pra quem? Supera, suporta, entenda: isento de problemas eu não conheço ninguém. Queira viver, viver melhor, viver sorrindo e até os cem. Tô feliz, tô despreocupado, com a vida eu tô de bem."

Caio Fernando Abreu, sempre me entende.

19 de julho de 2011



É fato que nunca estamos precisamente certos do que somos e do que sentimos. Vivemos à procura de. Na esperança de. Na vontade de. E depois que conseguimos, surge a acomodação e se vai o desejo, a vontade, as esperanças, enfim. Vivemos em busca do amor e somos dominados por ele, depois que o conhecemos, descobrimos as consequências também, e depois que o ganhamos o jogamos fora. Você se identifica com isso? Eu também.
Você idealiza o amor, sonha com ele, conquista, vê que é recíproco e depois perde a graça. É que nunca estamos satisfeitos, nunca temos tudo e sempre pedimos um pouco mais de tudo. Aí você finalmente se dá conta do quão fácil é descartar alguém da nossa vida e dos nossos sentimentos. E o quanto é fácil é alguém te descartar da sua vida também. É uma via de mão dupla.
Pessoas se afastam, ou você mesmo as afasta de si. E nunca é o bastante. Amor nunca é o suficiente, porque chega uma hora em que amar não é mais importante e você quer respirar outros ares, vida nova, novo amor. E encontra uma maneira de fugir. Estamos sempre fugindo. Até de nós mesmos. 
É que viver é isso, é nunca se acomodar, é não se acostumar. É mudar e mudar e mesmo assim continuar no mesmo lugar, mas com outra cabeça, outros sentimentos, outro você. Tudo muda não é? Não há razão pra continuar o mesmo sempre. Os sentimentos são descartáveis, sim, caro leitor. Aqui, hoje você ama alguém, amanhã você já não o conhece mais. Você gosta de. Amanhã você odeia. 
Viver é estar sempre procurando, não importa o quê, não importa como. É procurar. Para o calendário de alguns, esperar não entra nem como feriado. E quem vive de passado é museu. Então esperar pra quê se você pode procurar outras coisas que não precisam ser esperadas e não se precisa lutar tanto pra conseguir?
Quem se acostuma com a rotina, deixa passar os melhores momentos que poderiam ser intensificados, se você não vivesse à margem da espera. Procure. Não espere nada, vá atrás de suas escolhas e sentimentos. Não se prenda a nada. Não se pode apaziguar a vida e viver de passividades. É preciso estar sempre à procura. De que? Amigos, dinheiro, amor, sentimentos... O que é novo fascina e não te deixa a espera. 
O que é novo te mantém vivo e ativo, te muda, te constrói. E não há nada mais gratificante do que ser hoje totalmente o contrário do que você já foi um dia.

15 de julho de 2011



Sento aqui e me lembro das suas últimas palavras. Você realmente falou sério quando disse adeus, eu que não quis acreditar. Esperei porque no fundo eu tinha esperanças, eu tinha expectativas. Mas como qualquer sonho, há sempre o despertar. É hora de seguir adiante, coração.
Talvez eu perca algumas lembranças e jogue fora algumas coisas que deixastes aqui, talvez eu mude a fotografia da estante e apague todo e qualquer vestígio seu. Talvez eu me afaste de vez. Talvez. Ou talvez eu não faça nada disso. É que com as nossas memórias é mais difícil de lidar, e essas coisas que vem de dentro são fortes demais pra serem apagadas como se não houvessem importância.
Mas eu vou mudar. Vou me proibir menos, abdicar dos meus sentimentos, nunca mais. Talvez eu me revolte e faça uma tatuagem, ou até mesmo um alargador na orelha esquerda. Talvez eu beba mais, saia mais, ou até me converta. Essa rotina que vivo agora não me faz bem, porque tudo tem uma lembrança, a sala de estar, as fotos da estante, a tv ligada no mudo, o auto-retrato na parede do corredor. Quem sabe eu mude de casa, eu vou mesmo embora, fica mais fácil pra mim.
Darei um fim em cada música fofinha que me lembre da sua existência, principalmente a que estou ouvindo agora, nem que eu passe a não gostar mais de músicas. Não deixarei mais o som ligado à noite, ou as lágrimas surgirem quando eu assistir algum filme que me lembre você. 
De uma forma ou de outra eu vou mudar. Porque você destruiu todos os obstáculos que eu criei pra que eu não me apaixonasse outra vez, você me fez ficar vulnerável de novo. Passei anos fugindo disso e em menos de segundos você fez tudo voltar.
E depois, tomamos rumos diferentes e seguimos outros caminhos. Por escolha própria, escolheu a distância e é isso que farei também. 

9 de julho de 2011



Você caminha por rumos afora, pés descalços, mãos no  rosto e o coração de gelo.Você olha ao redor e vê inúmeras possibilidades de amar de novo, mas revira os olhos e prefere se manter assim como está.
Você tem tudo aquilo que precisa e sabe sempre o por que dos prós e contras, é inteligente, esforçado. Não precisa de muitos artifícios mas não gosta de ficar só. Ainda lembra a última vez que se apaixonou de verdade, e lembra da noite em que precisou resgatar seu coração, em pedaços. E reconstruí-lo. Pedaço por pedaço, chegando a jurar que de amor não viveria mais.
Você aprende que o tempo não apaga as lembranças, mas elas ficam fora de foco. Coisas novas vão surgindo. Amigos, farras, festas, bebidas. E a ferida vai sumindo devagar. No calar da noite, involuntariamente o escuro é uma porta pras lembranças, e fecha os olhos. É como se houvesse acontecido ontem. Mas você não sente vontade de chorar, e finalmente abre os olhos e sorri. Cicatrizou.
Hoje você não precisa mais se apegar tanto à alguém, hoje sua felicidade não depende de ninguém pra existir. 
Hoje sua luz se propaga sozinha, sem forças superiores. De certa forma, seu coração já não bate por alguém da mesma maneira de antes, seu corpo já não abriga calor suficiente para manter alguém ao seu lado por muito tempo. Antes mesmo de virar afeto, você foge. Isso não é fraqueza, não é. Essa é a sua maneira de se manter forte, porque o amor diferente do que muitos pensam, nos enfraquece, nos detém, é um invólucro para a alma, uma prisão. E não está errado. Mas errar as vezes pode ser um acerto. Porque arriscar é um risco, mas não arriscar é um risco pior ainda. Na dúvida, erre. Sem medo, o erro te leva a um novo acerto.
Porque hoje, sua vida moderada e monótona te impede de sentir o calor de alguém, te impede de manter alguém ao seu lado, porque de tanto você fugir, agora as pessoas fogem de você, da sua frieza, da sua  maturidade egoísta que você considera a melhor solução pros seus problemas. Você tem medo de errar de novo, e ser novamente o único catador de promessas perdidas e lágrimas furtivas de um outro amor que se foi.
Mas e quem foi disse que se pode esperar só o melhor de tudo? Isso também é um erro, e sempre haverão milhares de outras decepções. Mas não se pode desistir no primeiro obstáculo, isso sim é fraqueza. Outro erro é esperar apenas o pior, as pessoas também podem surpreender. Nesse caso, fique focado no meio termo, não espere mais nem menos, espere apenas aquilo que você sabe que alguém pode te oferecer. Apenas se permita viver, porque a vida é amor e isso não é só mais um estereótipo de porta de igreja ou comercial da coca-cola, isso é a única verdade que se pode ter absoluta certeza, meu caro.

25 de junho de 2011


Não sou de guardar lágrimas, mas as vezes me pego chorando por algo que já passou. Não guardo sonhos desfeitos, mas não os esqueço. Sempre há uma lembrança, que dói ou que me faz sorrir. Não sou de eternizar pessoas que já não fazem mais parte da minha vida, mas ainda me lembro de todas e do que aprendi com cada uma delas.
Hoje eu não pareço mais tão apta a sorrir e os dias não se compadecem mais à minha frieza. Eu fiz de tudo pra não apagar as lembranças que deixamos no tempo, pra não esquecer. Eu fiz de tudo pra salvar o seu sorriso e jogar fora tudo que me fez mal, a questão é que você me faz mal e eu não posso te jogar fora. Não se trata de um brinquedo, mas eu poderia tirar você da minha vida sim, caso eu tentasse.
Mas não tenho certeza se é isso que eu quero. 
E quando se trata de você, bem, é difícil explicar e inútil tentar entender. Descobri que não há uma explicação plausível pra tudo que vivemos até agora, por isso desisti de tentar me convencer de que somos alguma coisa. Porque por um momento, por uma pequena distração, eu me perdi e me deixei levar. Foi quando percebi que estava cometendo um erro.
Eu te falei de amores recíprocos que sempre dão certo, te falei que quando um ama de mais e o outro de menos, o final nunca é feliz, te falei que se há uma segunda pessoa no caminho, é melhor escolher a segunda, pois se a primeira realmente valesse a pena, não haveria outra opção.
Mas não te falei de amores que começam e acabam, mas que nunca terminam de verdade, que ficam nessa de nunca perder o contato, mas por medo, não seguem em frente, não lutam pelo que querem. Aliás, lutam, mas contra o desejo de ter o outro por perto, lutam por medo da distância que pode possivelmente destruir um relacionamento. Também não te falei que se você realmente não tem uma segunda opção, obviamente a primeira valeu a pena, mas é por essa que você não quer lutar. 
Não te falei que se a distância fosse realmente um problema, nós ainda não estaríamos nessa, aliás não existiria mais um nós. E se ainda temos algo que nos prende tanto assim, que não nos deixa respirar e viver, que nos deixa confusos e nos tira o sono, porque ainda te restam duvidas do que isso pode ser?
Mas se é difícil pra você, tudo bem. É certo que outra pessoa não me ajudará a esquecer um velho amor, mas não ficarei esperando por respostas ou reciprocidades. Não é difícil pra mim, eu tenho outros caminhos, não tão certos quanto o seu, daí a expressão "se vive melhor, se divertindo com os errados", enquanto eu não encontrar o certo outra vez.

15 de junho de 2011



Não, eu não prefiro assim. Não como está. Deixar as coisas fluírem e um possível futuro nos aproximar. Não. Não quero. Olha no que estamos nos tornando, colecionadores de decepções. Todo dia as mesmas histórias que não tem fim, os mesmos sorrisos forçados, verdades ocultas, lembranças reprimidas, palavras soltas e situações cômodas demais. Estamos nos acostumando a isso. Estamos nos permitindo viver dessa maneira. 
Está ficando tarde pra nós. Lembre o que éramos e veja o que somos, eu achava que te conhecia, e você sabe que não sou mais a mesma. 
Hoje boy, andei pensando. Em meio a lágrimas que não pude conter, pensei em nós. Hoje, nossos desejos já não são como faísca, nossas músicas já não tem o mesmo ritmo. Batidas diferentes geram dissonância demais quando juntas. É isso que somos, dissonância. Porque nossa canção não tem mais aquela pureza dos dias passados. Vivemos em mundos relativamente diferentes, somos quase independentes e ainda temos tanto pra viver.
Prefiro que pare. Prefiro que você desapareça mesmo que isso machuque, mesmo que seja a pior solução. Mas não quero sua amizade, não quero sua gentileza, não quero você pela metade. Eu dou um jeito, eu encontro alguém que me ajude te esquecer, eu fujo. Mas assim não.
Esse silêncio, teu silêncio. E essa ilusão toda que criei de você. Deixa, eu que vi perfeição onde só havia defeitos. Metade disso é culpa minha também. Mas por favor, apenas pare de criar expectativas onde não há chance alguma de futuro. Nós não temos futuro, boy. Foi nisso que pensei.

8 de junho de 2011




E se teu sorriso cruzar
com o meu numa esquina qualquer,
deixe ser, deixe estar.
Deixa desatar os nós
que nos prenderam por tanto tempo,
me deixa respirar.
Me deixa seguir teus passos
e impeça a distância de nos distanciar.
Fica comigo. Hoje, amanhã e depois.
Se minhas mãos tocar as suas,
apenas não se afaste,
permita sentir o que é pele, calor.
Como se não houvesse outro alguém
que te pudesse amar, como eu.
Se não sabe o que dizer,
deixa teus olhos responderem por ti.
Deixa o teu sorriso te entregar,
pois se comigo sorri,
a felicidade então, sempre nos acompanhará.
Não espere o tempo passar
pra descobrir que um dia amou,
por que no fundo você sabe bem
que seu coração me pertence.

3 de junho de 2011




Ela caminha todas as manhãs quase um quateirão pra chegar até a escola. Finje sempre bom humor para os desconhecidos, mas de manhã é um verdadeiro porre. Ela guarda consigo um quase amor e versos prontos. Guarda também um cartão de natal que ganhou da mãe, quando os problemas eram raros e as brigas quase não existiam. Ela não sente falta de muitas coisas, mas há muitas coisas que ela queria ter de volta. Mas se conforma, como todo mundo.
Passa noites insones e sonha alto a menina. De sorrisos ela fez sua casa, e de lágrimas edificou sua vida. Se serve de base, ela tem amor. Mas não é uma base segura, por que amar é um risco. Mas ela nunca se importou. Ela tem um dom que muitos chamariam de defeito, outros de bobagem, mas eu chamaria de imperfeição. Ela escreve. E isso é lindo, mas quando ela escreve é como se seus medos e sonhos se misturassem e por um momento, houvesse uma solução para tudo. Mas não há. Por isso é uma imperfeição. Há beleza demais em suas palavras, e tudo que é belo, ofusca a realidade e nos faz não querer enxergar o sincero, o real. Torna fácil as dificuldades, ilude.
Sinto um leve pesar nos olhos dela e uma esperança de que coisas boas virão no seu sorriso. E a vejo passar por mim, sem sequer me notar. Ela finje frieza quase sempre, quer ser forte, mas no fundo sua insegurança não a deixa dormir. Mas é imperceptivel, porque ela não dá o braço a torcer. E admiro. E por ela, há de ser sempre assim.
A conheço pouco mas reparo bastante nos simples detalhes que a compõem. Ela é igual a mim, descobri isso hoje. E espero que um dia ela repare nesse moço, que não vê apenas o que ela quer que todo mundo veja. Eu vejo mais, vejo mais que pele, carne e osso. Eu vejo um coração, que um dia há de pertencer a esse moço, que ela não vê passar.
Eu não a deixarei se perder de mim. Sei que às vezes ela não me vê, porque sou aquilo que ela mais teme. Porque o que tenho para oferecer, é bem mais que uma noite, é uma vida inteira. E ainda sou a única opção quando ela se perde. Sou o melhor caminho que ela deve seguir. E um dia ela saberá. Cedo ou tarde, ela finalmente descobrirá a verdade de vez.

Fictício.

31 de maio de 2011



Hoje já não me falta a vaga clareza dos dias passados e também já não me falta o leve sorriso dos dias tranquilos. Hoje já não falta-me nada que eu não possa repor. Hoje, se tenho esse sorriso calmo é porque já chorei demais, e vi que pra sorrir é preciso conhecer a dor e fazer valer a pena um sorriso sincero, puro, de quem sabe o real valor das coisas boas, dos sentimentos bons que vem de dentro, lá do fundo da alma, onde a pureza ainda não cedeu o lugar para as coisas tolas do dia a dia.
Hoje tenho aquela velha sensação de paz e a certeza de que um dia, desses de outono, as verdades que há tempos estavam escondidas hão de florescer, hei de ver declarações que surgem do coração e saem de dentro pra fora, as mais belas palavras que não podem ser ditas com o olhar apenas. É preciso serem descritas, desvendadas e sentidas.
Hoje sou apenas maré calma, brisa leve, fim de tarde ao som das ondas, sou tempo perdido, encontrado e revivido. Sou tudo e nada, porque vivo de intensidades inesperadas e calmarias arrastadas. Sou isso agora e com toda vontade de ser, vou indo, vivendo, sonhando e aprendendo.


Bloqueei comentários, agora só reações  =)

23 de maio de 2011


Fui sorriso enquanto pude ser. Depois lágrima o resto dos dias. E assim se passa quase uma vida inteira. Em meio a tantos nãos e tantos movimentos forçados, tentar parecer compreensível e feliz o tempo todo me deixa sem ar. Às vezes o que quero é muito pouco, apenas um sorriso acolhedor, uma palavra que me faça mudar certas atitudes e um abraço que me faça calar e esquecer um pouco de tudo. Mas parece que é pedir demais. Parece que precisar de você às vezes, é incômodo. És parede fria que não se move quando mais preciso que seja no mínimo acolhedor, ou que pelo menos me escute. Sem ter nada a dizer, ou aconselhar, apenas ouvir. E deixar o coração livre pra sentir, e fazer dessas horas tristes um momento são, um momento nosso. E seria tudo, sem pedir mais. Mas tudo é nada quando estamos à beira de um precipício. Ainda mais quando tudo que precisamos é simplesmente nada ao olhos de quem nos vê apenas com a razão, deixando o coração e a emoção de lado. É se arrastar mais e mais pro começo de um fim que deixará cicatrizes, marcas de um passado que agora é preciso esquecer. E equanto eu pude sorrir e fingir felicidade, tudo ia bem, externamente. Porque do lado de dentro o coração estava quebrado com um sentimento mal resolvido, e essa irrefutável dor acaba se tornando meu ponto fraco o meu ponto final. Ou talvez o meu recomeço, outra vez. Por você. Mas do que me adianta recomeçar, se ao teu lado já não me reconheço, se com você nada é concreto? És tão relativo que tudo pode ser nada e depois fingir que o nada é tudo e assim deixar passar. É como acreditar em vôos cegos e depois despencar do paraíso construído através de incertezas e medos infindáveis. É tentar realizar o irrealizável sem medir esforços ou consequências e depois descobrir que tudo foi em vão. E mesmo por trás dessas palavras austeras que dizem tudo e ao mesmo tempo não dizem nada, por trás dessas palavras mudas e bagunçadas assim como teu coração, que sente tanto e pouco demonstra,    por trás de tantos começos e fins que mal soubemos conciliar, e por trás da minha insegurança e sua cruel indecisão, continuo a preferir o silêncio. Não que eu queira silenciar e esperar o entorpecer dessas horas frias que nunca passam, é por medo de me machucar, machucar você. E nos perdemos um do outro, outra vez.


Escrito dia 13 de março, 2011

18 de maio de 2011


O mundo é mesmo pequeno, e o abismo que construímos entre nós está cada vez maior.
E como já dizia Camelo "e se já não sinto os teus sinais pode ser da vida acostumar?"
Sim, pode. O tempo passa e a gente se acostuma com a ausência desmedida.
Não há nada que o tempo não resolva, não há ferida que não cicatrize, não há dor que não acabe, não há amor que não é esquecido, não há solidão que não é preenchida.
Não há nada que não possa ser devidamente colocado em seu lugar.
E eu vou me convencendo pouco a pouco.
Um dia hei de sorrir e ver que tudo está bem, um dia hei de dizer que está tudo como deveria estar e que felicidade melhor não há.
Porque eu acredito na minha fé, eu acredito que o melhor me espera, mesmo que eu já não espere o melhor de mais ninguém. E depois hei de falar abertamente sobre tudo isso e rir.
É só uma fase. E esse desamparo há de se tornar sorriso. E esse sorriso há de ser sincero, de coração.


16 de maio de 2011



Antes se eu não sabia o que sentir e me faltavam palavras pra dizer, hoje eu sei muito bem o que sinto, mas me faltam palavras pra expressar, e bastante esforço pra não desistir.

13 de maio de 2011



A vida não é só amar e nem só de amor alguém vive, mas é bom sentir as vezes esse amor e saber que é amado, só pra se sentir bem, um pouco mais leve. Amar sempre é bom quando é recíproco, e se existe amor, nada importa. E de verdade, amor é para os fortes, para os que sabem sentir, não para aqueles que fingem que não amam, também não é para aqueles que escondem o que sentem, não é pra qualquer um. É para aqueles que choram todas as noites antes de dormir, que perdem o sono quando não recebe uma ligação, que se preocupam com o outro mesmo estando do seu lado, e que milhas e milhas de distancia não acabam com um sentimento verdadeiro. Amor é para aqueles que se perdem nos pensamentos, revivendo as lembranças boas, que não sentem medo de dizer que amam, que não negam abraços, retribui beijos, que buscam no outro a sua paz. Amor não é para os que vivem muito, nem para os sábios, amor é pros inexperientes mesmo, que descobrem no outro o desejo, o gosto do beijo e a felicidade compartilhada. Amor é viver de lembranças e desejar viver todas de novo, com mais intensidade. É desejar estar sempre perto, é sentir saudade quando a distancia insiste em separar. Amar é nunca desejar o mal, é brigar quando necessário, é punir certas falhas, é repreender, mas sempre para o bem do outro. Amor só existe uma vez e não vai embora sem antes deixar marcas, até mesmo cicatrizes. Viva de amor e morra por ele, não se limite, porque se arrepender às vezes é bom. Melhor se arrepender do que fez do que se amargurar eternamente pelo que deixou de fazer.

11 de maio de 2011



Coisas fora do lugar, pensamentos negativos, uma baita dor de cabeça, daquelas que não passam com remédio. Sinto falta da harmonia dos dias tranquilos, de não ter nada pra fazer e ainda assim me sentir bem. Sinto vontade de chorar, mas as lágrimas não vem. E é melhor assim.
Sabe, ando pensando no futuro. E isso é assustador pra mim, não estou preparada e são tantas coisas pra fazer, são tantas decisões pra tomar. É família de um lado, os amigos de outro e a minha cabeça está confusa demais pra separar o bom do ruim. Então eu misturo tudo, depois me arrependo. Tento voltar atrás e já não consigo. Dou ouvido pra coisas banais quando eu deveria ouvir as coisas certas. Me preocupo com coisas sem importância quando deveria estar preocupada com o que vou fazer daqui alguns anos. Me sinto cada vez mais indisposta pra aturar certos comportamentos e atitudes (ou melhor, a falta delas), e se continuar do jeito que está acabo abrindo mão também do que mais importa pra mim nesse exato momento, até porque não sou de ferro. Eu posso até suportar algumas vezes, mas eu canso. Canso de não ser ouvida quando eu preciso falar, canso de me importar tanto com quem não se importa mais comigo, canso de estar sempre de bom humor, canso de bancar sempre a romântica e compreensiva, quando eu já deveria ter dado um piti.
Não vou usar meu orgulho como arma por que dessa vez eu quero mudar pra melhor, não quero desandar, quero apenas seguir minha vida sem humilhar ninguém, quero paz, definitivamente. Já ando cheia demais pra ter que aturar intrigas, pessoas sem coração e sangue frio já basta o meu mesmo.

8 de maio de 2011



Mãe, a que me esperou por oito meses muito sofridos em seu ventre. Ainda lembro quando tivestes que ir embora, eu tinha apenas oito anos. E sei que sofrestes ao deixar eu e minha irmã. Mas agora a tenho comigo, meu maior tesouro, meu amor maior.
Às vezes eu sei que não demonstro o meu amor pela senhora, e sei que sempre fui assim. Nunca fui de demonstrar o quanto as pessoas que amo são importantes pra mim, ainda bem que as palavras sempre me foram grandes aliadas e é através delas que expresso esses sentimentos que mantenho guardados aqui.
E apesar de nossos conflitos, às vezes lágrimas e dor, eu ainda lhe amo muito.

Vó, minha querida mãezinha. Estivestes comigo desde o dia em que nasci, com lágrimas nos olhos e um grande sorriso no rosto viu a primeira netinha vir ao mundo. Aquela coisinha pequena, que cabia na palma de sua mão. Com toda sua sabedoria que nunca falha, me educou, me amou, e fostes minha mãe quando a outra teve que partir. E continua sendo. Pois para mim, é a melhor mãe do mundo. Você e mamãe.
Deixo claro aqui que amo vocês duas mais que tudo nessa vida. E que esses conflitos diários, essa minha personalidade forte e essa diminuta paciência que sempre está ausente quando não deveria, machucam, eu sei. Mas eu venho tentando ser uma pessoa melhor, por vocês duas. Pois jamais tive a intenção de machucar as duas únicas mulheres que me amam de verdade. Eu AMO muito vocês, de verdade.

O único amor que dura, que é firme como rocha, que não se acaba com o tempo, o único amor verdadeiro que nem a morte é capaz de destruir, é o amor de mãe.

6 de maio de 2011



Acordo. Tomo um café. Sento na varanda. Ouço discos de vinis. Músicas antigas, quando havia sentimento verdadeiro pra compartilhar. Sentimentos antigos. Quando eu ainda tinha um amor. Gosto do vento batendo nas árvores. São 5 da manhã e o alvorecer está só começando. Um novo dia, mas com as mesmas velhas lembranças que nunca se vão. Hoje eu quase não dormi e ouvi música a noite toda. Sinto-me outra pessoa. Renovada e cansada, e com os mesmos sentimentos antigos que moram no meu coração. Esse velho amor, que vive aqui. Comigo. Senti vontade de acender um cigarro e ver a fumaça se desfazer lentamente, como a velha canção de amor que escuto baixinho, só para mim. Senti saudade de um sorriso que há tempos não vejo. Senti vontade de reviver uma velha amizade que o tempo levou. Senti saudade de alguém. E pensei em chorar. As lágrimas não resolveriam, mas aquietaria a dor. E lentamente olho pro céu, pequenos raios de sol incidem sobre meu rosto e mais uma vez, eu desejei estar perto de alguém. E fechar os olhos. E sentir na pele a lembrança do último abraço, o entrelaçar dos dedos e o beijo roubado. Esse alguém que fugiu da minha vista e do meu coração. Um dia resolvi amá-lo, mas nada me sobrou. Então resolvi esquecê-lo, e aqui estou. Saudade às vezes bate, mas logo se vai. É só o tempo de eu abrir os olhos e voltar a sorrir.

Ao som de Santa Esmeralda - you're my everything

4 de maio de 2011




E de tudo, só restarão essas poucas lembranças, algumas boas e outras ruins, algumas que valerão a pena lembrar e outras que serão eternamente esquecidas. Porque um dia eu prometi ser tudo sem receber nada em troca, mas me cansei dessa promessa, e o que era para ser intenso e infinito, se tornou frio e morreu jovem demais, antes mesmo de parecer amor.

Ao som de Just a boy - Angus and Julia Stone






Virei com menos frequência aqui,
mas tentarei postar regularmente, 
ainda preciso de distrações.

3 de maio de 2011



Os dias se vão. E mais uma vez um fim de tarde frio, daqueles chuvosos me levam a pensar. Em tudo. E desta vez, um turbilhão de sentimentos amontoados, acumulados na minha cabeça. E eu paro pra sentar e tomar uma cerveja. Olhar a chuva. Olhar o vento que leva as folhas de um lado a outro, dançando lentamente, sutilmente. Eu já não sei o que pensar em relação a  tudo. Sinto que estou confusa, confusa demais pra tomar uma decisão. E por mais que eu queira que as coisas mudem, ao mesmo tempo me falta algo, sinto que jamais estaria completa. Algo sempre haverá de me faltar, mesmo que eu tenha tudo. Inclusive você. E sinto que vou ficar bêbada de novo. Mas tudo bem. E então eu sento aqui e espero que as palavras venham e que de alguma forma eu consiga expressar o que tou sentindo agora. Mas eu não sei. Sempre fui tão boa com palavras, mas hoje definitivamente não sei como me descrever. Talvez duas palavras me bastariam: um caos. E olhe que eu nunca gostei de bagunça. Mas hoje eu não quero reorganizar meus pensamentos, nem colocar todas as coisas no lugar. Porque eu não sei como entrei nisso, e consequentemente não sei como irei sair. Nunca fui de certezas, e assim fui levando a minha vida, e através das minhas dúvidas fui construindo meu castelo. Sempre hesitante, sempre com medo de titubear e cair. Mas cresci. Com minhas incertezas, medos e afins. E não estou disposta a criar certezas e expectativas vãs. Que no fim, acabarão por me deixar frustrada. Não irei fantasiar, nem relembrar certas coisas que não passam de meros passados, que um dia já fizeram parte de mim. Mas isso é passado também. Já basta eu ter me tornado um exemplo perfeito de confusão, ainda ter que sonhar, é cansativo demais levar uma vida assim. E não falo aqui de desilusão, caro leitor. Por que não sou a iludida, e em momento algum me iludi. Falo aqui de esperenças que nunca tive, por não mais acreditar nesse conto de fadas predestinado a ter sempre um 'final feliz' que não existe na vida real. E não irei mais assistir a minha dor sem fazer absolutamente nada, não irei ficar assistindo de camarote enquanto qualquer mal entendido fira meu ego e já não importa o quão egoísta isso possa parecer, porque no meio de toda essa confusão, ainda há algo que eu quero salvar e guardar de tudo isso até que essa tempestade definitivamente passe: o meu coração.

Allie nunca soube por que aquilo aconteceu, mas foi naquele exato momento que o abismo começou a se fechar para ela, o abismo que ela mesma tinha aberto na sua vida para separar a dor do prazer. E ela então suspeitou, talvez não conscientemente, que estavam em jogo mais coisas do que gostaria de admitir.
Mas, nesse momento, ela ainda não tinha tomado plena consciência disso, e virou-se para encarar Noah. Estendeu o braço e tocou a mão dele, em um gesto hesitante, suave, fascinada pelo fato de que mesmo depois de tantos anos ele, de alguma maneira, sabia exatamente o que ela precisava ouvir. Quando os olhos de ambos se encontraram, ela mais uma vez percebeu como ele era especial.
E, por um momento fugaz, uma minúscula fagulha de tempo que paira no ar feito vagalumes nos céus de verão, ela se perguntou se não estaria outra vez apaixonada por ele.

Trecho de Diário de uma paixão, Nicolas Sparks

28 de abril de 2011



Foi em uma dessas noites frias, que o inverno ousa sussurrar suas melodias em meu ouvido. Foi em uma dessas noites vazias que a gente acorda um pouco mais cansado, um pouco mais arrependido, um tanto ferido e fora de si. Em umas dessas noites, a madrugada soara forte da minha janela, tomei um café e esperei que a minha solidão me fizesse companhia. E tive uma certeza. Ando só. Me desfiz de laços, de sorrisos, de felicidades repentinas, de dias coloridos, de tardes com cervejas e de alguém que pudesse sorrir junto, viver junto, amar junto, em conjunto como um só. Acho que estou desistindo de mim. Há confusões que não sei resolver, há incertezas que não sei conviver. Ando só. E não me esforço pra reconstruir velhas certezas e velhos sorrisos que eu mantinha comigo. Estou perdendo muitas coisas que eu dava valor e estou fechando os olhos, fingindo não ver. Estou fugindo. Mas não sei de quê. Compartilho minha solidão com todas as pessoas que ainda acreditam em mim, mesmo que eu mesma já não acredite. E estou cercada por tantos que mesmo comigo, se sentem só. E mesmo eu estando tão perto de quem me faz bem, a solidão me leva pra longe, lá onde eu deveria estar, onde eu realmente estaria completa, e permaneço só. E no fim descubro, que nós, juntos ou separados compartilhamos da mesma solidão. Mas fugimos da realidade e fingimos que não.

Ao som de REM - losing my religion

26 de abril de 2011


Chegastes ao bar, era quase de manhã e já não havia mais ninguém. Tomou cafeína e um drink, depois fumou alguns cigarros. Esperou alguém que certamente não veria. Mas que no fundo ainda vagava por aquele bar, revivendo certas lembranças. Mas ela não apareceu. Não naquela noite. Pagou o garçom. Atravessou a avenida, e as lembranças voltaram.
Aquela rua. Aquele bar. Aquela vodka. Parou, encostou-se em um poste antigo. O cigarro já quase no fim. E como uma sombra, sem vida, sem coração, sem palavras, lembrastes então daquela garota. Aquela do sorriso mais lindo que já viu. De olhar sincero e de muitos, muitos defeitos. Mas era isso que você curtia nela. Lembrou do bar. Da conversa fiada. Do momento perdido. Do tempo perdido que foi o melhor tempo perdido que você já teve. Que não será mais reaproveitado. E lembrou do adeus. Era o que você queria, não era?
E como sombra, esperastes por mais lembranças. E elas vieram como um livro, cada página uma pequena lágrima. Porque você amou aquela garota. Mas nem você mesmo sabia disso. E hoje, percebes a diferença entre ter e não dar valor, e depois perder de vez. E quando se perde, boy, as coisas que se vão se tornam importantes. Mais do que deveriam.
E como dói. Assisto sua dor. Sua irrefutável indecisão. E paulatinamente venho encontrando uma maneira de te tirar daí. Mas como sombra, você jamais poderá sair do escuro. Fará apenas parte do passado. De um passado que já ficara perdido em algum lugar na memória daquela garota. Você ficará preso nas lembranças e isso, boy, é o preço que você teve que pagar. Talvez você disse adeus na hora errada. Ou quem sabe nao esteve preparado para fazê-la feliz. E talvez você a fez sofrer.
E agora com o coração fadado, o cigarro entre os lábios, a solidão em seu rosto e seu ego ferido, terás de ir para casa. Porque alguém lhe espera. Uma mulher que conchecestes num desses bares qualquer. E talvez ela o ame. Mas e você, boy?
Quando percebeu que havia perdido a única que lhe roubara o coração, já estavas com outra que mal conhecia. Só pra não ter que ficar só. Mas você continou só. E isso não vai parar. Essa solidão boy, é a falta dela. Que corta lentamente, pouco a pouco seu coração.
Mas vá para casa, beba sua vodka pra amenizar a perda. Sorria para a tal e finja que está feliz. Ou sinta-se feliz, mesmo que seja só por alguns instantes.
Você teve sua chance boy, mas a deixou escorrer por suas mãos, como areia que o vento leva. Pra longe. Agora é tarde. Muito tarde.

Ao som de Heartless - The Fray

23 de abril de 2011



Na sala de estar. A minha sala de estar. Os móveis sobre a mesa, a tv ligada no mudo. Nossas expressões frias, de quem não tinha nada a dizer, por medo de confessar sem querer o que realmente sentíamos. Fostes de novo o único a ficar. Desta vez, seus olhos pairaram sobre os meus apavorados. Eu já não sabia o que fazer. E enquanto todos fugiam, você continuou, aqui. Eu quis ir abrir a porta e fazer você ir embora, mas eu precisava de alguém. Alguém que me perguntasse se eu estava bem, e não se calasse apenas com um sim como resposta. Alguém que pudesse decifrar o que eu sentia apenas com um olhar, e ainda assim me perguntasse e ouvisse com atenção o que esse coração vazio tem a dizer. Ainda que ele se cale, por não ter forças pra recomeçar.
Ficaste. Entre a força do não e a necessidade de permanecer aqui. E me ver, mais uma vez. Uma última vez. E me ouvir chorar. Sentir a dor. A minha dor que se tornou a sua também, outra vez. E por fim não desistiu, ainda não. E por tantas vezes eu quis um final, sem recomeços ou esperanças. Mas ainda não. Não por falta de motivos, ou mera falta de atenção. Por tantos meios e fins, altos e baixos, te manteve em cima do muro, quase seguro e ainda olhas para a porta, prometendo jamais sair por ela. Pois estarás aqui, sempre. E hoje, a presença que me falta é a tua. Pois te tenho tanto que tenho medo de te perder. Pois te tenho aqui preso. E já me falta o ar, imagine para você. Mas te deixo sair por aquela porta se quiser. Mas não a feche. Não a tranque. Apenas vá sem pressa de voltar.
As vezes penso apagar o passado, cada lembrança, olhar ou gesto. Por onde andamos e o que fomos. O que sonhamos e o que realizamos. O que ainda queremos realizar. Mas eu não seria nada capaz, eu não tenho peito pra fugir. Mas também não tenho forças para continuar. O que me leva a ficar também é o que me faz querer desistir. Além do mais, me sinto presa também. E não dá pra construir nada assim, repentinamente, displicentemente. Está um pouco tarde, mas não tarde o bastante, eu sei. Mas não saio por aquela porta até que nossas últimas promessas sejam cumpridas. Até que nosso último sorriso seja desperdiçado por uma causa justa. Não saio. Não me movo. Não apareço, nem sumo. Fico. Porque ficastes também.

Fictício.