27 de dezembro de 2010

Sometimes


Algumas vezes o amor é tóxico
Você vem vindo, suas mãos estão tremendo
E você percebe que ninguém está ali esperando


The Script

8 de dezembro de 2010

Deixa assim ficar


E então fiquei bêbada de novo. O que já quase não acontecia, agora está virando rotina. E eu gosto disso. Tudo está bem quando danço, tudo está bem quando o álcool se mistura ao sangue, e aquele pulsar de veias, o calor. E o esquecimento, a perda da razão. Até parece que não sou daqui, ou talvez eu nem sei quem sou. As luzes tremeluzindo, e tudo ficando claro e depois escuro, já não saber que horas são, ou quem está do teu lado, nem importa. Deixa assim eu brincar, brincar de ser feliz, deixa assim me parecer que felicidade é isso, é esquecer. Deixa eu pensar que posso tudo, até voar. Deixa-me ser tua, deixa eu te provocar, aliás, deixa eu te ganhar. Me deixa assim ficar, brincando de amor, brincando de amar. Porque alguma coisa eu tenho que amar, só não sei o quê. A minha clara ilusão, me faz ver luzes que não brilham, minha embriaguez me faz rir do que não é engraçado, mas deixa. Assim, sobre o efeito deletério do álcool tudo parece mudar, sobre outras luzes, outros corpos, uma metamorfose. É tão simples como a dor que vem depois. É como cair e se deixar apagar, é o peso do inconsciente sobre as lembranças ébrias. Então assim me deixa ficar, nessa doce ilusão de sonhos e paixões insanas, me deixa assim preencher o vazio que cresce, devagar e intenso, em mim.

5 de dezembro de 2010

Tudo muda pra todo mundo



Andei amando demais, cega por amor, escondi tua face na minha retina, e só conseguia ver você, e nada mais. Por onde quer que eu andasse, não sentia a chuva cair, ou vento me tocar. As ruas escuras, os cigarros na bolsa, as tardes no café, a olhar pra você, sem desviar, tentativas frustadas de te arrancar de mim. E mesmo depois de tantos avisos, repreensões, eu sabia que estava errando, que estava sendo rápida demais, mas me joguei sem medo. E por um tempo, não doeu a queda. 
Mas depois senti pesar, alcei um vôo alto demais, e não consegui me equilibrar. A dor veio e resolveu não ir embora. Os litros de vodka, os tantos cigarros que fumei já não funcionavam. Piorei, senti que não haveria vida nova, que não havia essa bobagem toda chamada amor. Mas como tudo muda pra todo mundo, mudou pra mim também. Resolvi guardar minhas palavras e meu coração, busquei lá no fundo o meu valor, meu amor-póprio, sorri. Porque no fundo, ninguém pertence a ninguém, e sei muito bem o que fazer pra nunca me decepcionar. As vodkas continuaram, os cigarros também, mas o que mudou é tão perceptivo, que de longe, quem me vê já se contagia, pois guardo um sorriso sempre no bolso pra nunca deixar a dor permanecer. E nos meus olhos, já não existe só você, porque sempre será primeiro eu, segundo eu e terceiro eu, o resto, é consequência.