12 de outubro de 2010

Um último adeus



Eu sabia que esse momento iria chegar, eu tentava afasta-lo para longe mas o vento insistia em trazê-lo de volta. Eu queria que você soubesse antes de tudo, que fomos algo como fogo e gasolina. Chegamos tão perto, achei que duraria, mesmo sem promessas. Mas como todos os meus amores nunca tem um final feliz, acabo me conformando agora. Chorar não vai adiantar. Aliás, chorar é sempre a última solução, quando as esperanças morrem enfim. Eu decidi, já passamos por muitas coisas que nunca imaginei que viveria pra sentir o que senti, uma mistura de ódio com amor, como álcool e cigarros, fazem mal, mas são vícios difíceis de largar, e dessa vez o fim é inevitável.
Vou deixar transparecer agora quem eu realmente sou, a verdade é que eu nunca fui eu mesma com você. Sempre houve um distanciamento que eu achava natural até perceber que só estava ficando cada vez mais difícil de lidar com esses sentimentos novos que surgiam. E, sabe de uma coisa? Existem certas coisas que não se pode voltar atrás e mudar, estamos perto do fim, se é que isso pode ser chamado de fim.
Você fará parte da minha vida, intensamente e será lembrado sem ressentimentos, pois tivemos bons momentos que não serão esquecidos. Mas as pessoas mudam, sentimentos mudam, tudo muda. Talvez meu coração emudeça para que a dor seja menor, as vezes é preciso apenas ouvir o silênciar do tempo para que mudanças ocorram. Talvez eu me torne uma pedra de gelo lapidada, preparada para a vida. Talvez eu guarde em mim um coração petrificado, que bate, mas que calcula perfeitamente cada movimento, cada batida, para que ele nunca acelere por ninguém, impedindo novas ilusões e consequentes desilusões. Talvez, futuramente as coisas se tornem mais fáceis de se lidar.
Eu sei, mais cedo ou mais tarde tanta apreensão não irá adiantar, as lembranças voltarão e coração vai pesar, mas tudo ficará bem. Não duraria para sempre, nada dura para sempre. E em um dia qualquer, eu acordaria e veria a chuva cair lentamente, e da janela eu observaria as gotas tocarem o chão, talvez você estaria lá molhado da cabeça aos pés, mãos nos bolsos do casaco a olhar pra cima esperando talvez meu último adeus. E eu torturada pelo sono e pela dor, te deixaria entrar, te beijaria uma última vez, sentiria tuas mãos frias tocar meu cabelo e colocá-lo detrás da orelha, pela última vez. E você se encarregaria de dar um último adeus e sairia pela porta sem olhar para trás.
Uma nova vida te espera, e você irá embora no ano que vem, melhor ficarmos assim, distantes de tudo que possa nos aproximar. Essa não é a melhor forma de dizer adeus, mas foi a mais conveniente que encontrei, desculpe a minha total frieza, mas eu não suportaria ver que está acontecendo de novo o que eu mais temia. Por que todos aqueles que eu entrego meu coração, um dia se vão e o levam consigo.

4 comentários:

  1. kkkkkk... Meu Deus! Se eu te disser que já passei por isso? Não é engraçado, mas deu vontade de rir.
    Amei.

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  2. Que perfeito esse texto. Já passei por isso sim!
    Muito bem explicitado. Foi do fundo da alma, tenho certeza disso!

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  3. Passei por isso também. Nada como o adeus que fica entalado na garganta, querendo sair, e não consegue. Nos desespera, e qualquer frieza se torna compreensível. Mesmo que depois o arrependimento bata à porta.
    Beijoca!

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  4. Ou talvez você possa amar de novo. E de novo, e de novo. Até que de tanto que seu coração seja castigado, ele desista de sofrer e você seja só amor. Não desista, flôr. Porque o amor é um estado de espírito, e não um bem.

    ;*

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