22 de outubro de 2010

Precoce



Um tremeluzir de cores no céu, é o início de uma manhã azul. E o azul escuro com traços de sol, é mais uma chuva que vem. Sinto a força do vento sobre meus cabelos esvoaçantes, e o frio que vem da janela me faz fechar os olhos. Me trás boas lembranças, porque houve um tempo em que tudo era diferente. Eu não precisava me despedaçar todas as noites e me refazer todas as manhãs. Houve tempos em que eu só precisava acordar e sentir o sol sobre meus olhos, e tudo estava bem. Agora preciso de um pouco mais. Um pouco mais de tudo. Preciso de um pouco de esperança, talvez eu plante um trevo de quatro folhas no meu jardim, pra olhar pra ele todas as manhãs e jurar pra mim mesma que será um dia melhor. Não que eu eu acredite nisso, tenho que admitir que não sou mais uma criança com aquele olhar de esperança e solicitude, não tenho mais aquele brilho, aquele sorriso incontestável, não tenho toda aquela energia inesgotável, nem todo aquele enorme amor pra dar. Já cai muito, já me decepcionei bastante, e tudo que aprendi é que não devo entregar meu coração pra ninguém tão facilmente, não devo amor a ninguém incondicionalmente, e que confiança não é um brinquedo, nem uma promessa que pode ser quebrada, confiança é tão importante quanto amor, pois sem amor, não há confiança e vice versa. Agora, tudo que faço é com altivez, minhas atitudes se tornaram mais intolerantes, meu orgulho se expandiu, e minha confiança, quase ninguém a tem, por mais que eu ame, que eu cuide, sempre sinto lá no fundo aquele medo de ser decepcionada, desiludida. Ainda guardo bons sentimentos em mim, aqueles que herdei de infância, princípios. Mas não os uso ultimamente. Acho que os deixei guardados no meu baú de recordações, lá no fundo, junto com todas as outras coisas que um dia me pertenceram. Sinto falta dos sorrisos sinceros, dos abraços amigos, do meu coração de manteiga, do tempo que eu fingia ser a princesa e minha casa um grande reino, e o mundo, um verdadeiro conto de fadas. Mas isso tudo está guardado agora, pois não faz mais parte da minha realidade, tão diferente dos meus sonhos de criança. Agora sou outra, totalmente crescida por dentro, precoce, ansiosamente altiva e com um rei na barriga, que é só de fachada, só uma maneira de não deixar transparecer minhas fraquezas e minhas dores. Essa é a minha verdade. E eu, sou uma verdadeira criança que cresceu tanto, que não consegue mais encontrar o caminho de volta...
Agora é seguir em frente, até o fim.

5 comentários:

  1. Caraio, perfeito. Como sempre, me identifiquei muito...

    Beijos.

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  2. Te entendo, guria. Sou precoce em sentir, já me esfolei tanto por aí, que cansa mesmo. A verdade é que se crescemos, isso foi bom. Voltarmos a ser crianças só nos machucará ainda mais. Será que não?
    Um beijo, flor!

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  3. vai chegar um dia que tudo voltará, a confiança, a ilusao, menos a inocencia...
    beijo!

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  4. Acho que a maioria é precoce em sentir, chega uma certa idade da vida que nossos "tombos" não são curados com um beijinho da mamãe!
    E isso chega a ser ruim, que a confiança volte logo!

    Beijos e otima semana!

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