6 de outubro de 2010

About flowers, and lovers.



E quando ela fala das coisas boas, dos sorrisos, dos olhares e abraços no meio da noite, quando ela  fala da raiva, e de você moço, fico aqui imaginando o por que de tamanha preocupação.
Ela teria uma vida que seria normal, se não houvesse tanto drama, tantos problemas, e tantas pessoas difíceis de lidar. Ou talvez, ela tenha um temperamento tão bipolar e não consegue lidar com isso, afinal, a louca é ela ou os outros? Ou melhor, o outro?
Se ela voltasse no tempo, seria fácil saber onde errou, mas a questão é, ela faria tudo de novo? Não, não faria. Eu a conheço bem, mesmo que ela sofra com seus erros e impulsos imperdoáveis, mesmo assim, ela não voltaria atrás nem mudaria seu passado por causa de um presente ruim.
Ela é guerreira, mais uma sobrevivente e sabe bem que seus erros são apenas experiências e sei que bem lá no fundo, ela ainda sonha com um futuro melhor.
Ela tem um coração grande demais e insiste sempre em seguí-lo justamente quando deveria agir pela razão. Ela é mesmo uma contradição, ela é mesmo temperamental.
As vezes, eu a observo um pouco, tomando seu café em uma esquina, seu olhar vazio apreciando um horizonte basicamente urbano e agitado demais pra cabeça dela. Eu sei no que ela pensa nessas oras, em estar longe de tudo, tirar seu telefone do gancho, desligar o celular e sumir por uns dias, tirar férias de si mesma, das pessoas, de seus problemas. 
Ela já fez isso antes quando não conseguiu aguentar o peso de sua dor, quando viu que tudo desabara diante de si, quando julgou que era tarde demais pra voltar, eu a vi da janela do meu quarto, suas malas dentro do carro, ela seguiria um novo caminho, um caminho de mudanças infidáveis, pude ler isso em seus olhos vazios e distantes, pude ver uma pequena lágrima surgindo quando ela finalmente olhou pro céu, talvez implorando por um explicação, por uma solução, então preferi fechar os olhos. Nunca soube pra onde ela foi nem o que fez, mas aquilo me doeu, sei que ela não merecia.
Um dia a ví no café, conversando, um sorriso triste, falava de sentimentos, falava de alguém. Pobre moça, pensei. Quantos já partiram o seu coração?
Sempre a achei muito quebrável, um coração de vidro.
Você deveria se envergonhar, moço que roubou o coração de uma flor. Sabe que ela é frágil, se arrancá-la de sua raíz ela murchará. E você fez isso, deveria mesmo se envergonhar. Deveria pedir desculpas, deveria se render. É isso que ela quer, seu orgulho, moço, não vai lhe levar a nada. 
Eu no seu lugar, faria tudo diferente, ao invés de jogar pedras, e arrancar suas pétalas, eu a regaria todos os dias, cuidaria dela com muito amor, ela seria feliz. E eu nunca, nunca a deixaria partir.

4 comentários:

  1. "Ela tem um coração grande demais e insiste sempre em seguí-lo justamente quando deveria agir pela razão." Acho que você me descreveu nessa linha, risos. A falta da razão necessária em certos assuntos, algo importante que eu preciso aprender e o meu coração também. Beijinhos.

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  2. Eu me senti um pouco como ela. E eu aprovo muito cada uma das palavras escritas no texto. Ser coração, é nunca parar de bombear. É latejar a cada segundo mais, e mais, vida e emoção. Beijoca, guria!

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  3. E eu nunca, nunca a deixaria partir. Esse teu texto me deu uma vontade de voltar no tempo. Lindo. Beijos.

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  4. Não, vocÊ não vai deixá-la partir. Se não seria o mesmo que s deixar partir, não é? E se perder, e se jogar fora? Mesmo sendo tão feminista, até eu me senti sensibilizado. Fantástico.

    ;*

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