30 de outubro de 2010

Conversas de bar



Eu sentei naquela bancada, pedi vodka e limão, esperei. Ele estava falando com alguns amigos e nem lembrou que eu estava lá. No meio de uma festa, me senti só. A vodka chegou, segurei a taça com as duas mãos e começei a gira-lá, inconsientemente. Eu sentia uma sensação de abandono, de solidão, queria ir embora dali. Uma sombra percorreu o vazio dos meus pensamentos, me fez virar o rosto pra ver quem era. Um olhar astuto me sorriu. Eu pudia sentir a respiração elevada e um coração nervoso que pulsava do meu lado esquerdo.
- Incrível.
Eu sorri sem entender, esperando que ele continuasse. Ele me encarou, com olhos de quem sentia um leve pesar, talvez uma dor que ele tentava esconder, mas que transbordava através de suas pupilas.
- Incrível como ele consegue fazer com que se sinta tão só.
- Ele não fez nada. Disse sem conseguir olhá-lo nos olhos, pois ele saberia que eu mentia.
- Ele te deixou aqui e esqueceu de você. É incrível como isso te afeta, se fosse eu em teu lugar, não me importaria.
- Eu ainda não sei porque me importo, não sei porque ainda estou tão presa a ele, não sei o que sinto por ele.
- Espero que não seja amor, tu não merece sofrer por ele.
- Como tu podes me afirmar, já o amou alguma vez?
- Não.
- Ah, então não tu não tem certeza.
- O conheço desde de pequeno, sou o melhor amigo dele, sei o que digo, você não merece alguém como ele.
- Se tu é o melhor amigo dele, porque fala isso, assim, tão explícitamente?
- Porque o conheço melhor que você. Você merece coisa melhor.
- Então, que tipo de homem eu mereço?
Um silêncio pairou no ar por alguns segundos, mesmo com a música alta eu pudia sentí-lo, ele me olhou nos olhos delicadamente, segurou minhas mãos trêmulas e disse:
- Alguém como eu.

Pode ser fictícia, se quiser.

28 de outubro de 2010

Coração dividido



Eu atravessei algumas avenidas pra chegar até você, esperei por tanto tempo sentada na bancada de um bar olhando por todos os lados, procurando por alguém que poderia ser você. Então houve um dia em que eu te reconheci, entre tantos rostos, o seu foi o que mais me chamou atenção. E assim, trocamos olhares, sorrisos e palavras. E agora, depois de tudo que vivi, me sento aqui, espero que as palavras venham, espero que meus sentimentos se manifestem de outra maneira, mas meu coração me contraria. Eu amei você. Agora, eu sinto afeição por alguém que não quer ser nada mais que um bom amigo, e é isso que faz com que eu me sinta tão fútil e imbecil. Porque me apaixonar pelo seu melhor amigo, se tenho você? Porque tudo muda, e muda assim, em menos de segundos? Antes dele, tudo era tão mais fácil. Eu não precisava me dividir em duas pra dar atenção, eu não precisava olhar pra mais ninguém. Agora você espera de mim uma resposta, espera por uma explicação. Eu não sei o que dizer, quando me sinto partida ao meio, quando sei que há milhões de pedaços meus espalhados pelo chão dessa sala de estar, tentando reconstruir meu caminho, tentando encontrar uma razão. Mas a única razão que me tira o sono, que mexe com a minha cabeça, com os meus sentidos, com meus desejos e que me causa arrepios, é a que eu queria arrancar a força do meu coração, e se eu pudesse jogaria fora, mas não consigo. É sempre assim, quando penso que tudo está bem e que nada mais irá me atormentar, meus pensamentos me contradizem, meus atos e sentimentos param de me obedecer, e faço tudo por impulso, de novo.

22 de outubro de 2010

Precoce



Um tremeluzir de cores no céu, é o início de uma manhã azul. E o azul escuro com traços de sol, é mais uma chuva que vem. Sinto a força do vento sobre meus cabelos esvoaçantes, e o frio que vem da janela me faz fechar os olhos. Me trás boas lembranças, porque houve um tempo em que tudo era diferente. Eu não precisava me despedaçar todas as noites e me refazer todas as manhãs. Houve tempos em que eu só precisava acordar e sentir o sol sobre meus olhos, e tudo estava bem. Agora preciso de um pouco mais. Um pouco mais de tudo. Preciso de um pouco de esperança, talvez eu plante um trevo de quatro folhas no meu jardim, pra olhar pra ele todas as manhãs e jurar pra mim mesma que será um dia melhor. Não que eu eu acredite nisso, tenho que admitir que não sou mais uma criança com aquele olhar de esperança e solicitude, não tenho mais aquele brilho, aquele sorriso incontestável, não tenho toda aquela energia inesgotável, nem todo aquele enorme amor pra dar. Já cai muito, já me decepcionei bastante, e tudo que aprendi é que não devo entregar meu coração pra ninguém tão facilmente, não devo amor a ninguém incondicionalmente, e que confiança não é um brinquedo, nem uma promessa que pode ser quebrada, confiança é tão importante quanto amor, pois sem amor, não há confiança e vice versa. Agora, tudo que faço é com altivez, minhas atitudes se tornaram mais intolerantes, meu orgulho se expandiu, e minha confiança, quase ninguém a tem, por mais que eu ame, que eu cuide, sempre sinto lá no fundo aquele medo de ser decepcionada, desiludida. Ainda guardo bons sentimentos em mim, aqueles que herdei de infância, princípios. Mas não os uso ultimamente. Acho que os deixei guardados no meu baú de recordações, lá no fundo, junto com todas as outras coisas que um dia me pertenceram. Sinto falta dos sorrisos sinceros, dos abraços amigos, do meu coração de manteiga, do tempo que eu fingia ser a princesa e minha casa um grande reino, e o mundo, um verdadeiro conto de fadas. Mas isso tudo está guardado agora, pois não faz mais parte da minha realidade, tão diferente dos meus sonhos de criança. Agora sou outra, totalmente crescida por dentro, precoce, ansiosamente altiva e com um rei na barriga, que é só de fachada, só uma maneira de não deixar transparecer minhas fraquezas e minhas dores. Essa é a minha verdade. E eu, sou uma verdadeira criança que cresceu tanto, que não consegue mais encontrar o caminho de volta...
Agora é seguir em frente, até o fim.

19 de outubro de 2010

Embriaguez II



E mesmo com tantas pessoas ao meu redor, e alguns sorrisos de vez e quando, uma sala cheia de pessoas que conversam, se distraem, sinto ainda um pequeno gosto de solidão.
E as vezes, me pego a olhar pro céu a noite, admirando o doce brilho da lua, a escuridão vazia do céu, com uns pequenos pontos brilhantes, que me fascinam.
E sinto falta, talvez de alguns amigos que se foram e me deram a certeza de que não mais voltarão, sinto falta talvez, de alguns doces romances que fugiram de mim sem deixar vestígios, apenas doces lembranças.
Mas só talvez.
Há um certo vazio impenetrável em mim, que nem o melhor sorriso ou a melhor companhia poderia preencher.
As vezes algumas doses de bebida quente ajudam a curar um pouco esse vazio intocável e é por isso que me embriago, para sentir a solidão de uma maneira que não machuque.
Pode até parecer loucura, mas essa insanidade me convém. Nunca fui convencional, nunca quis meios-termos, nunca faltei uma promessa comigo mesma.
Sempre estive a par com tudo que me agrada, e é por isso que as vezes quero ficar só. 
Não sei se a solidão me faz bem, mas as vezes é uma necessidade incontida que me mantém presa em mim mesma.
Talvez eu precise, talvez isso só me machuque. Não sei bem explicar.
E é por isso que me embriago, para não precisar entender as insanidades do meu coração.

17 de outubro de 2010

We belong together

Algum tempo atrás as coisas pareciam não se encaixar, mas hoje eu acordei sentindo algo diferente, e as marcas do passado ficaram tão distantes, pareciam nem existir. Hoje tive a chance de ver que estou perdendo tempo. Eu não tenho que me martirizar, nem me importar tanto assim. Eu posso fazer a diferença se eu quiser. E minha vontade de viver é maior que qualquer problema, que qualquer dor. Eu não preciso esconder meus sentimentos, não preciso sentir medo, não tenho que me intimidar. Eu sempre fui um livro aberto, sempre tive aquele sorriso espontâneo nos lábios, contagiante. As pessoas ao meu redor não se sentiam infelizes, eu sempre encontrava uma maneira boba e eletrizante de fazê-las se sentir bem. Mas algumas coisas mudaram, deixei que a dor viesse me visitar mais frequentemente, não usei minhas armas para espantar as lágrimas, escondi meu sorriso e só o mostrava em ocasiões especiais, que nunca chegavam. Até que um dia a dor resolveu ficar, e o sorriso deixou de aparecer nas oras vagas, as coisas ficaram escuras, por um momento achei que tinha perdido tudo, e não sabia mais mudar isso. Eu estava caindo cada vez mais nas minhas próprias ciladas. Não precisei levar um tombo, nem umas boas palmadas, só precisei acordar, ver seus olhos azuis e seu sorriso, só precisei saber que você ainda precisava de mim. E quando tive essa certeza, o céu se abriu, pude ver o meu sorriso estampado e os olhos brilharem de novo. As coisas voltaram ao seu devido lugar, porque eu me sinto melhor quando sei que alguém espera por mim onde quer que esteja, eu me sinto melhor quando sei que não estou sozinha. Eu sei que minha felicidade não depende apenas de você, eu sei que existem outras maneiras de ser feliz, mas sinto que és importante pra mim, e que seu sorriso eleva o meu, que seu abraço me protege e é tão boa essa sensação de ser amada. Então, eu posso contar com você a partir de agora pro que der e vier?

16 de outubro de 2010

Ainda há tanto pra viver

Eu pude me reiventar, mais uma vez. As cores da estação se renovaram, as flores voltaram ao seu ápice, o sol brilha mais forte, as chuvas cessaram há tempos. Sei que não posso ter tudo que quero, sei que não tenho o bastante para ser feliz, mas aprendi a reparar nas pequenas coisas. Mesmo que as vezes uma pequena onda de tristeza, mais pareça um mar de dor, é preciso estar sempre distraído. Sim, distraído. A tristeza não gosta de distrações, quando você se distrai, esquece que ela está sempre com você. Assim, ela não se torna mais o centro das atenções. Foi isso que aprendi, testei uma vez e deu certo. Agora procuro sempre algo que possa me levar pra longe de toda dor, mesmo uma pequena gota de água que cai do céu, ou uma brisa leve que balança as folhas de uma árvore. Quando sinto uma tempestade perto, busco meu refúgio, procuro por pequenas peças que se encaixem, talvez um quebra-cabeças ou um jogo de palavras, as vezes escrevo. Sim, escrevo, e admito, não há nada melhor. É infalível. É como se todos os meus problemas saíssem dos meus pensamentos e ficassem apenas nos papéis, nas palavras, guardados lá, esquecidos por um mês ou dois. Fico até mais leve, solta, livre. Mas quando as lágrimas caem, é impossível se distrair, isso eu sei. Doer. Dói, e muito. Mas cada gota de  lagrima que cai, é um pouco do amor indo embora. E as deixo cair, não me distraio, não escrevo, apenas as deixo livres. As lágrimas são uma parte da dor que se vai, e no outro dia, mesmo com a cara inchada e algumas cicatrizes no peito, ainda sim sinto uma pequena parte de mim um pouco mais leve que antes. É o amor que vai se esvaindo aos poucos, deixando espaço para novas distrações. E ainda assim, não há tempo para sofrer, acelero um pouco mais, por que a vida me espera, ainda há muito pra viver. Há um caminho pra seguir, ainda há uma grande caixa de sorrisos guardados pra amanhã, e sem medo de desperdiçá-los, irei sorrir até doer o estômago, porque a vida não é só feita de dor, há sorrisos pra espalhar, há amigos pra contar, há um mundo lá fora com tantas expectativas pra viver, e eu ainda existo em mim, cada dia mais forte, como águia que ressurgi das cinzas.

12 de outubro de 2010

Um último adeus



Eu sabia que esse momento iria chegar, eu tentava afasta-lo para longe mas o vento insistia em trazê-lo de volta. Eu queria que você soubesse antes de tudo, que fomos algo como fogo e gasolina. Chegamos tão perto, achei que duraria, mesmo sem promessas. Mas como todos os meus amores nunca tem um final feliz, acabo me conformando agora. Chorar não vai adiantar. Aliás, chorar é sempre a última solução, quando as esperanças morrem enfim. Eu decidi, já passamos por muitas coisas que nunca imaginei que viveria pra sentir o que senti, uma mistura de ódio com amor, como álcool e cigarros, fazem mal, mas são vícios difíceis de largar, e dessa vez o fim é inevitável.
Vou deixar transparecer agora quem eu realmente sou, a verdade é que eu nunca fui eu mesma com você. Sempre houve um distanciamento que eu achava natural até perceber que só estava ficando cada vez mais difícil de lidar com esses sentimentos novos que surgiam. E, sabe de uma coisa? Existem certas coisas que não se pode voltar atrás e mudar, estamos perto do fim, se é que isso pode ser chamado de fim.
Você fará parte da minha vida, intensamente e será lembrado sem ressentimentos, pois tivemos bons momentos que não serão esquecidos. Mas as pessoas mudam, sentimentos mudam, tudo muda. Talvez meu coração emudeça para que a dor seja menor, as vezes é preciso apenas ouvir o silênciar do tempo para que mudanças ocorram. Talvez eu me torne uma pedra de gelo lapidada, preparada para a vida. Talvez eu guarde em mim um coração petrificado, que bate, mas que calcula perfeitamente cada movimento, cada batida, para que ele nunca acelere por ninguém, impedindo novas ilusões e consequentes desilusões. Talvez, futuramente as coisas se tornem mais fáceis de se lidar.
Eu sei, mais cedo ou mais tarde tanta apreensão não irá adiantar, as lembranças voltarão e coração vai pesar, mas tudo ficará bem. Não duraria para sempre, nada dura para sempre. E em um dia qualquer, eu acordaria e veria a chuva cair lentamente, e da janela eu observaria as gotas tocarem o chão, talvez você estaria lá molhado da cabeça aos pés, mãos nos bolsos do casaco a olhar pra cima esperando talvez meu último adeus. E eu torturada pelo sono e pela dor, te deixaria entrar, te beijaria uma última vez, sentiria tuas mãos frias tocar meu cabelo e colocá-lo detrás da orelha, pela última vez. E você se encarregaria de dar um último adeus e sairia pela porta sem olhar para trás.
Uma nova vida te espera, e você irá embora no ano que vem, melhor ficarmos assim, distantes de tudo que possa nos aproximar. Essa não é a melhor forma de dizer adeus, mas foi a mais conveniente que encontrei, desculpe a minha total frieza, mas eu não suportaria ver que está acontecendo de novo o que eu mais temia. Por que todos aqueles que eu entrego meu coração, um dia se vão e o levam consigo.

10 de outubro de 2010

Tudo muda conforme as estações



Por que quando mais preciso de você, é quando você mais se afasta de mim?
Esse seu amor é frio, e eu não quero congelar por você. Porque o que eu preciso agora é de um pouco de sol na minha janela. 
Cansei de errar, de seguir os caminhos que não me pertencem, cansei de algumas pessoas, estou começando a cansar de mim mesma.
Isso está indo longe demais, minhas forças estão se esvaindo e eu não sei lidar com isso. Você poderia estar aqui agora mas não está.
E eu tento disfarçar sua ausência com sorrisos falsos só pra agradar, tento colorir cadernos, tento sair pra ver o sol, mas ele se esconde de mim, tento fazer com que tudo volte ao normal, mas não adianta.
Não quero esperar por você, não quero lembrar de você, não vou mais te incomodar, talvez existam outros caminhos em que eu possa me perder.
Eu perdi o mapa da sua trilha e estou cercada por todos os lados. Eu vou tentar fugir, mesmo que eu não encontre a saída, haverá um jeito de escapar.
Cansei de frases repetidas, de sorrisos forçados e palavras frias. Mesmo que essa tenha sido a melhor trilha que eu já segui, mesmo que eu tenha gostado me perder por aqui, vou encontrar um jeito de sair.
Eu sinto que essas ilusões não me levarão a nada, e todos os seus olhares me levam a perceber que há algo que não se encaixa.
Melhor eu não ficar por aqui, melhor eu não plantar meu amor aqui, a terra é fofa, a chuva é ambundante e o sol é sedutor, mas isso é só uma estação.
Talvez o próximo inverno venha mais frio e eu não consiga suportar. 

6 de outubro de 2010

About flowers, and lovers.



E quando ela fala das coisas boas, dos sorrisos, dos olhares e abraços no meio da noite, quando ela  fala da raiva, e de você moço, fico aqui imaginando o por que de tamanha preocupação.
Ela teria uma vida que seria normal, se não houvesse tanto drama, tantos problemas, e tantas pessoas difíceis de lidar. Ou talvez, ela tenha um temperamento tão bipolar e não consegue lidar com isso, afinal, a louca é ela ou os outros? Ou melhor, o outro?
Se ela voltasse no tempo, seria fácil saber onde errou, mas a questão é, ela faria tudo de novo? Não, não faria. Eu a conheço bem, mesmo que ela sofra com seus erros e impulsos imperdoáveis, mesmo assim, ela não voltaria atrás nem mudaria seu passado por causa de um presente ruim.
Ela é guerreira, mais uma sobrevivente e sabe bem que seus erros são apenas experiências e sei que bem lá no fundo, ela ainda sonha com um futuro melhor.
Ela tem um coração grande demais e insiste sempre em seguí-lo justamente quando deveria agir pela razão. Ela é mesmo uma contradição, ela é mesmo temperamental.
As vezes, eu a observo um pouco, tomando seu café em uma esquina, seu olhar vazio apreciando um horizonte basicamente urbano e agitado demais pra cabeça dela. Eu sei no que ela pensa nessas oras, em estar longe de tudo, tirar seu telefone do gancho, desligar o celular e sumir por uns dias, tirar férias de si mesma, das pessoas, de seus problemas. 
Ela já fez isso antes quando não conseguiu aguentar o peso de sua dor, quando viu que tudo desabara diante de si, quando julgou que era tarde demais pra voltar, eu a vi da janela do meu quarto, suas malas dentro do carro, ela seguiria um novo caminho, um caminho de mudanças infidáveis, pude ler isso em seus olhos vazios e distantes, pude ver uma pequena lágrima surgindo quando ela finalmente olhou pro céu, talvez implorando por um explicação, por uma solução, então preferi fechar os olhos. Nunca soube pra onde ela foi nem o que fez, mas aquilo me doeu, sei que ela não merecia.
Um dia a ví no café, conversando, um sorriso triste, falava de sentimentos, falava de alguém. Pobre moça, pensei. Quantos já partiram o seu coração?
Sempre a achei muito quebrável, um coração de vidro.
Você deveria se envergonhar, moço que roubou o coração de uma flor. Sabe que ela é frágil, se arrancá-la de sua raíz ela murchará. E você fez isso, deveria mesmo se envergonhar. Deveria pedir desculpas, deveria se render. É isso que ela quer, seu orgulho, moço, não vai lhe levar a nada. 
Eu no seu lugar, faria tudo diferente, ao invés de jogar pedras, e arrancar suas pétalas, eu a regaria todos os dias, cuidaria dela com muito amor, ela seria feliz. E eu nunca, nunca a deixaria partir.

1 de outubro de 2010

Coração indeciso, é isso.



Absorta em mim mais uma vez... posso ver agora obstáculos se pondo diante de mim. Sou aquela mulher de fases, aquela rígida, exigente, orgulhosa, doce e ácida. Calçei minhas meias da sorte, fui a luta, ao invés de espadas e armas, me enchi de flores, ao invés de ódio, doei só amor.
Esperei paciente pelo sim, nada me abalou. Sento aqui e escuto qualquer música que fale de amor, deito alí e o que me vem é só amor, é como um cobertor que isola todas as minhas necessidades. Mas depois, tudo se transforma em tédio, depois não sei mais o que estou fazendo.
Quando tudo vai bem, quando está tudo ao meu favor, faço questão de abrir mão de tudo e correr pro lado de lá. Estou eternamente ligada a contradição, se duvidar, sou o melhor exemplo disso. 
Não sei porque tenho essa mania de jogar tudo pro alto quando tenho nas minhas mãos tudo o que eu sempre quis. Sempre encontro um defeito aqui ou lá, não importa o quanto seja importante pra mim, eu sempre desvalorizo e depois, depois volto atrás. 
Quando acordo de manhã e a ficha cai, quando vejo que perdi um grande amor de novo, tento recomeçar do zero, as vezes é tarde demais, as vezes ainda dá tempo. É preciso perder pra dar valor,  já cansei de me deparar com essa frase soando ao meu ouvido quando caio nas minhas próprias ciladas.
Não sei por quanto tempo minhas indecisões permanecerão ávidas em minha cabeça, são sei por quanto tempo irei suportar tantos problemas, mas um dia desses, faço tudo de novo.
Volto então a minha velha rotina de amores imperfeitos e quase duráveis, pondo um fim em tudo que não me agrada, deixando prevalecer só a mim mesma e nada mais.