1 de agosto de 2010

Ponto final



As horas passam, o frio do fim da tarde, o suéter rosa, os cabelos ao vento. A rua deserta, era uma típica tarde de domingo. Ela parou na véspera, as árvores balançavam de um lado a outro, pequenas folhas voavam sem destino. E lá estava ele, parado, encostado em uma árvore enorme que cobria quase toda a frente de sua casa.
O que ele fazia ali? Seu casaco cinza desbotado, os tênis sujos de lama, cabelo despenteado, uma sombra escura na sua vida, um passado irrelevante que ela tivera e que agora queria com toda sua força esquecer. Gotas de chuva caiam do céu, estava começando a serenar. Ele sempre foi um empecilho na vida dela, sempre alheio a tudo. Nunca foi um bom amigo, nunca foi um bom namorado, sempre fugia quando ela mais precisava. E agora estava ali, um sorriso falso, tentando parecer amigável, querendo uma reconciliação. "Grande imbecil." Pensou ela. Seus olhos arregalados de fúria, desejavam insanamente colocá-lo dali pra fora. Mas manteve o controle por um pouco mais de tempo.
- Então, o que quer? Ela tinha o direito de saber, antes de arrastá-lo dali para o meio da rua.
- Conversar, apenas.
Não, ela não estava afim de conversa, iria já mandá-lo embora. Com educação, pra não parecer ignorante.
- Vá embora. Não o quero aqui.
Ele nem se moveu. Teimosia, um de seus maiores defeitos. Então, era uma guerra fria agora. Ela avançou a passos rápidos em direção a porta, abriu-a bruscamente e depois fechou-a com toda força atrás de si. Foi em direção à janela, olhou fixamente os olhos dele, esse seria o último olhar.
- Escuta, acabou. Não me procure mais, eu não o amo mais, se é isso que quer saber. Esqueça que um dia eu estive com você, esqueça meu nome e endereço. Enfim, você nunca existiu pra mim e eu nunca existi pra você. O amor acabou, aliás, ele nunca existiu entre nós dois. Passar bem.
E ponto final. Ela virou as costas pra ele, sem olhar pra trás. Afinal, não se importava se ele passaria bem ou não.


Foto retirada deste site

3 comentários:

  1. E ele não pode falar? Esse foi cruel. Todo mundo tem o direito de falar, mesmo que seja insuportável ter de ouvir.

    Abraço

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  2. Que triste, mais para ele, pelo visto... quando o amor acaba ou sequer existiu é triste mesmo, mas é a vida, os dois sobreviverão...
    Gostei muito!

    Bjs =)

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  3. É uma história cruel mesmo Cristiano! Rs.

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