5 de agosto de 2010

Utopia


Então eu tirei uma conclusão sobre o amor. Ele nunca está no meio termo, é excêntrico, nunca é mais ou menos. Não adianta ficar na metade do caminho, ou vai ou fica.
Não adianta esperar sentado que as coisas boas aconteçam, é preciso ir atrás, se quer, vá. Não se pode deixá-lo pra depois, ele não gosta de ser substituído por nada. Quer ser sempre o ator principal, quer controlar toda a situação.
Se deixarmos pra depois, acabamos ficando pra trás também. Quanto egoísmo.
Talvez essas sejam conclusões drásticas de uma longa espera, de uma longa reflexão exaustiva. Mas é necessário parar as vezes e deixar-se levar.
Me permiti habitar em meu próprio espaço, este que mais ninguém conhece. Onde moram minhas incertezas, medos, desejos, onde mora a parte do meu eu que eu nunca conseguir entender, nem controlar.
Me deixei cair no divã, olhando da janela um fim de tarde conteporâneo, vazio.
Esperei que os pensamentos viessem, esperei que o medo arranhasse as portas do meu coração e o permiti sair e vagar por aí.
Permiti que as incertezas invadissem meus pensamentos e me fizessem crer que nunca estamos certos de nada, que a vida nunca é um ponto final, sempre haverá vírgulas, reticências e muitos pontos de interrogação.
Não precisei chorar, mas uma dor cortou meu coração em milhões de pedaços e talvez seja por isso que eu esteja sentindo um vazio, uma solidão.
Talvez já esteja tarde, esperar nunca foi uma qualidade pra mim. Minha impaciência e ansiedade me fazem querer desistir na metade do caminho.
Foi aí que percebi que o amor é egocêntrico. Me faz esperar arduamente, sem pena e não se importa se isso me fere, me irrita, ou me tira do sério.
Então, esperaria um pouco mais. Mesmo que isso não fosse adiantar. Mesmo que minha paciência estivesse por um fio. Mas tudo bem. Dessa vez não ia deixar pra trás.
Eu sempre soube que tudo tem um final. Então eu esperaria, até o fim.
Mesmo que o tempo começe a se arrastar, e pare por alguns momentos. Isso é típico. Mas é fácil se acostumar.
Eu posso até perder esse altruísmo absoluto que ainda me mantém aqui, e perder totalmente a cabeça e chorar até as lágrimas cessarem. Eu corro esse risco. Não sou de ferro.
Mas, ou desisto pra sempre, ou continuo, na esperança de enfim realizar as tais expectativas que me mantém solícita. Extremista, que eu sou.

2 comentários:

  1. Nunca fui de desistir. Quis sempre ir até o fim só para saber o que eu ia ganhar, ou perder. Não perdi tanta coisa, ganhei muita experiência. Então, prossiga. Não desista antes de tentar :)

    Volto em breve para continuar lendo-te.
    Um beijo.

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  2. Eu concordo plenamente com essa sua retórica, e caibo perfeitamente nela. Quando o texto é muito bom, não há o que comentar. ;D

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