18 de junho de 2010

Já que está aqui, segure a minha mão por favor;


Eram quase 1 hora da manhã, estava deitada no meu quarto, provavelmente dormindo, já que eu nunca sei que oras eu caio no sono,  ou quando estou pensando quase inconscientemente. Do meu lado, o celular toca insistentemente, uma mensagem? Era você; "To com saudades." Inusitado, porque uma mensagem assim, a essa ora da noite? Ele sabia que me deixaria sem dormir.
Mas pra sentir saudade, a gente precisava ter alguma coisa de verdade. Nunca tivemos nada duradouro. Por que isso agora, tão repentino? Pensei em ligar, mas se você quizesse ouvir minha voz teria ligado. Mensagem também não, quer saber, deixa.
Eu também sinto saudades, de tudo. Mas tudo é muito relativo e a distância ja nos fez. Porque esperar tanto de você, se você não está aqui pra se comprometer, porque imaginar todas as coisas lindas possíveis sobre nós, só pra me machucar e aumentar o que já está crescendo inconscientemente dentro de mim? Por que tudo em mim agora é amor, e o resto já não tem a menor importância. E como sempre, em relação ao amor, sempre me perco na metade do caminho. Quando dou por mim, já estou tão presa a alguém, que perco a noção de realidade. O amor sempre foi tão difícil de entender; e eu também nunca procurei entendê-lo, nem vivê-lo, mas o amor sempre me encontra nas esquinas mais inusitadas, já é pra mim um rosto bastante familiar, com uma beleza tão surreal, que dói aos olhos de quem vê, e como sempre ele vem ao meu encontro nas oras que menos preciso dele, quando mais preciso me distânciar de tudo e todos lá está ele, enconstado em um canto,  fumando talvez seu último cigarro, espalhando uma fumaça febril que cega os olhos, com um sorriso torto e astudo, um olhar frio e maldoso, que me encara densamente. As vezes confundo o amor com uma coisa passageira, e penso que acabou, mas ai nas oras de solidão, no meio da madrugada, o vejo olhando pra mim, exatamente como o encontrei da última vez. Ele me abraça fortemente, me prende em uma encruzilhada inescapável, me sonda, e demora a ir embora. As vezes me acompanha por anos e anos, as vezes vai embora sem que eu ao menos perceba. Mas nunca demora a voltar.
O amor já me fez voltar atrás tantas vezes, me fez perdoar quem não merecia, me fez chorar, me machucou, me humilhou, já me deu momentos de glória, de paz, de felicidade, me fez bem, me fez mal. Fez tudo. Quem sabe agora que ele voltou, as coisas possam melhorar um pouco mais, quem sabe ele me traga boas novas, quem sabe ele não me faça tão mal como da última vez. Quem sabe ele ressucite de dentro de mim uma antiga felicidade que eu tinha, uma pureza tão doce no olhar, quem sabe ele não me faça mudar de ideia sobre ele, e resgate a inocência de que amar sempre foi o melhor remédio. Já que o amor está batendo a minha porta, não vou proibí-lo de entrar, ele sempre encontra uma brecha afinal. Deixo-o adentrar no meu coração, mas pelo menos segure a minha mão enquanto estiver aqui, pra que eu não me sinta tão só as vezes, e solte-a só quando desejar ir de vez.

Carolyne Mota

9 comentários:

  1. O amor também tem aprontado pra cima de mim..E acho que é por isso que eu compreendo bem o que tu sentes! Hahaha
    Beijoca girl

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  2. Gostei muito do seu recado!!
    sério mesmo!!
    to seguindo tbm
    e vou passar aqui mais vezes, com todo certeza!

    beijoo

    ps: ótimo texto por sinal!

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  3. Esse amor. Quando nos aliviamos, ele se mostra ainda mais complicado.
    Selo para você viu?
    Beijos!

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  4. Ok, Carol - posso chamar assim? Porque será que me identifico tanto com os teus textos? Isso é muito bom pra mim, não sou somente eu que tenho esses sentimentos, é um alívio saber desse fato.
    Continue assim que continuarei vindo e comentando sempre.
    Beijos

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  5. Menina, que coisa mais linda. Tô vivendo exatamente o que tu escreveu.

    "Mas pra sentir saudade, a gente precisava ter alguma coisa de verdade. Nunca tivemos nada duradouro. Por que isso agora, tão repentino? Pensei em ligar, mas se você quizesse ouvir minha voz teria ligado. Mensagem também não, quer saber, deixa.
    Eu também sinto saudades, de tudo. Mas tudo é muito relativo e a distância ja nos fez. "


    Chorei!!

    Lindo, parabéns.

    Beijinho.

    ;)

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  6. Carol, que coisa mais linda. Meus olhos se encheram de lágrimas. Eu não sei nem o que dizer, tô buscando essas últimas palavras lá no fundo.
    Esse amor quando entra, faz o que quer. Só nos resta esperar que ele faça algo bom para nós. Não precisamos ter medo dele, no final, mesmo machucadas, sabemos nos curar e nos preparar para outro amor.

    Belíssimo.
    Um beijo.

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  7. "As vezes confundo o amor com uma coisa passageira, e penso que acabou, mas ai nas oras de solidão, no meio da madrugada, o vejo olhando pra mim, exatamente como o encontrei da última vez."

    exatamente isso!
    quando a gente acha que morreu, lá vem mais forte ou na mesma proporção que era antes.
    *-*

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  8. A dor é maior quando se olha e não se enxerga.

    Isso é um tanto impactante.
    Ainda bem que consegue desenhar aqui.

    Sigo.

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  9. que sua visita ao meu blog seja doce!!
    ha um post fresquinho lá!

    beijo!

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