27 de junho de 2010

Histórias, bebidas, sorrisos e afetos (...)


Sentei em frente a lareira, a noite estava fria, o meu casaco velho e rasgado eu havia esquecido preso entre o banco da frente e a porta do seu carro. Me encolhi no sofá, com um caderno e caneta na mão, pensei em escrever um poema ou alguma frase qualquer que me viesse a cabeça.
Eu estava sem inspiração, talvez por ter deixado meu lado romântico dentro do seu carro também.
Aquela noite, você me ajudou a beber o último copo de vodka, eu ainda lembro.
Me ofereceu um cigarro, mas eu estava tentando parar. "Uma questão de princípios, sabe."
Você disse que eu era forte, pois jamais conseguiu tamanha proeza, e me fez rir do seu senso ridículo, das suas piadas sem graça.
Você discutia sobre política e relacionamentos fracassados, e eu tentava subornar a ideia de que política e amor se encaixavam de algum jeito e você sorria sem entender.
Me lembrei das suas mãos em meu cabelo, questionava a cor, elogiava o corte, e outras coisas que eu não consegui lembrar por mais que eu forçasse a memória.
Você me deixou em casa, já eram 6 da manhã, e só voltamos mesmo por que quase fomos expulsos do bar.
A volta foi sombria, não falou absolutamente nada, uma expressão séria e pensativa, tirei até sarro disso. Você deu um sorriso torto e amarelado, me preocupei.
A enorme casa cor bege me esperava, você parou perto da árvore que não dava frutos, e riu desse fato, estranho, eu diria, mas naquela hora só consegui sorrir.
Seus olhos encontraram os meus mais vez, dessa vez demorou um pouco mais.
Abri a porta do carro, você segurou a minha mão, nossos olhares se esbarraram de novo, dessa vez mais intenso. Sua mão tocou meu rosto de leve, e foi quando percebi a tensão no seu olhar, você foi ficando cada vez mais perto de mim, e pude sentir o calor do teu corpo, tão perto. Eu já sabia o que viria, mas preferi não arriscar, sai porta afora, fechei a porta com toda a força, deixando o casaco que ficou preso na porta, ignorei o fato e entrei quase correndo pela sala de estar.
Sabendo irremediavelmente que você voltaria pra me devolver...

26 de junho de 2010

A verdade apenas;


- Eu não preciso que me conte histórias. Eu quero a realidade nua e crua.
Eu disse, em um tom de raiva. O olhar sério, com a expressão alterada, era o maldito whisky.
- Não dá, não pelo celular. O que quero vai além de meras palavras, preciso te ver antes, olhar nos teus olhos primeiro.
Eu sabia que era importante, mas não aguentava tamanha curiosidade, no fundo, eu já sabia o era. Mas precisava ter certeza de que eu não estava me iludindo outra vez.
Imaginei seu olhar. Seu pensamento.
- Tudo bem, eu espero. Só não esqueças de mim.
- Queria olhar bem nos teus olhos agora, tocar teu sorriso com meu pensamento insano, e beijar você.
- Eu também.
Um silêncio profundo do outro lado da linha.
- Tenho que desligar. Tchau.
Não deu tempo responder, já não havia mais ninguém do outro lado.
Joguei o celular contra a parede, só vi os pedaços esparramados no chão.
Mais uma noite sem respostas, mais uma noite sem dormir...

25 de junho de 2010

Estou aqui de novo, esperando.

É, quem sabe eu me iludi mais uma vez.
Nada de notícias, nada de de telefomenas, nada.
Talvez você ainda esteja voando em um avião, sei lá, quem sabe nem venha mais.
Você devia me ligar, não sabe o que passei nessas 24 horas,
com alguns copos de whisky, cervejas quentes, me fizeram parar, parar e pensar em você.
O que faz agora? Será que pegas o avião das 9 e chegas aqui só amanhã a noite?
Ou quem sabe tu já estás aqui. Espera que eu ligue?
Você tem o meu número, você que tem que me ligar.
Estava em uma festa, mas voltei pra casa, sabe, pensar em você me deixa triste, e com doses altas de álcool no sangue, eu acabaria chorando por você.
Meus amigos me matariam se eu chorasse por você de novo.
A questão é que você me leva as alturas, diz que pensas em mim, que não me esqueceu,
mas aí não dá notícias, some.
Talvez eu esteja sendo precipitada, mas eu sou assim mesmo.
É o amor que me prega mais uma peça, que faz pirraça só por fazer.
Me mande um recado, uma mensagem uma notícia, se vem, se fica, se não quer vir, se ainda pensa em mim.
Só não me deixa aqui, confusa, preocupada, sem saber de nada.
Eu me preocupo com você, porque algo forte me inquieta agora, me tira o sono, me mantem concentrada apenas em você. Isso é amor, quem sabe.
E eu sei.
Sei que as noites que fico sem dormir, é pensando em você.
E quando penso em me divertir e esquecer de tudo, é seu rosto que me vêm na cabeça.
Me distraio ao lembrar do teu sorriso, o teu olhar, e outras coisas que me fazem mal, e ao mesmo tempo me faz bem.
Não consigo entender, não quero entender, você é meu maior problema, mas não consigo parar de pensar em você, e quanto mais me dói, mais eu quero você comigo.
Nesse tipo de armadilha eu já caí, e tô caindo de novo, de boba que eu sou. Mas eu não posso dominar o meu coração. Estou agora entregue nas tuas mãos.
Me faça bem, me faça mal. Só não me deixe aqui, esperando por você.

23 de junho de 2010

Recomeço;


"Há sempre um lado que pesa e outro lado que flutua."
Otto




E quando a manhã cai sobre nós, os pequenos raios solares que vem da janela, as cores do abajur cor de carne reluzindo ao lado da cama, e tudo parece tão lindo afinal. A alma voa, tudo tão calmo, a preguiça condiz, ficar deitado e esperar pelo nada é tão bom. Tudo parece tão real, mas talvez seja mais um daqueles sonhos em que a alma se sente tão leve, tão sã, flutuando tão pacientemente, uma paz, uma calmaria. Mas ai um pouco distante, uns metros e só, seus olhos claros, olham densamente um corpo esparramado na cama, ainda morno. Um toc-toc delicado, pra não ser insensível. Um sorriso torto estupefato e fulgás. Me contagia. O encontro tão esperado. Inusitado, assim como você é. É tudo que posso imaginar agora. Sua volta, só um pouco mais que 24 horas e você estará batendo a minha porta, exatamente como imagino. Um encontro, melhor, reencontro; afinal, não somos tão desconhecidos um do outro, já tivemos um quase-romance antes, e continuaremos esse quase-romance novamente, até você ir embora. Afinal, você não vai ficar aqui pra sempre, eu sei. E isso é o que me dói. A saudade depois sufocará arduamente como da primeira vez, quem sabe com um pouco mais de força. E depois, tudo irá se resumir a distância relativa entre nós. Você lá, eu cá. É o destino, ou quem sabe uma pirraça, coincidência, ou seja lá o que for. Aceito. Só não deixarei me perder na dor, tentarei ser menos vulnerável dessa vez. A minha alma pesará de novo na tua ausência, todo o peso da lembrança, dos teus olhos, tuas insinuações, teu sorriso que me encanta desde o começo. Vai pesar até doer, e quando doer e a saudade apertar, ficarão cravados na mente toda nossa quase-história, com um quase-final feliz, é como ferida, que não vai cicatrizar. Mas deixa a alma pesar. Afinal, você sempre volta pro mesmo lugar de onde começamos, e a alma também volta a ter a sua leveza natural, que só se concretiza quando eu tenho absoluta certeza de que você está aqui, do meu lado.

18 de junho de 2010

Já que está aqui, segure a minha mão por favor;


Eram quase 1 hora da manhã, estava deitada no meu quarto, provavelmente dormindo, já que eu nunca sei que oras eu caio no sono,  ou quando estou pensando quase inconscientemente. Do meu lado, o celular toca insistentemente, uma mensagem? Era você; "To com saudades." Inusitado, porque uma mensagem assim, a essa ora da noite? Ele sabia que me deixaria sem dormir.
Mas pra sentir saudade, a gente precisava ter alguma coisa de verdade. Nunca tivemos nada duradouro. Por que isso agora, tão repentino? Pensei em ligar, mas se você quizesse ouvir minha voz teria ligado. Mensagem também não, quer saber, deixa.
Eu também sinto saudades, de tudo. Mas tudo é muito relativo e a distância ja nos fez. Porque esperar tanto de você, se você não está aqui pra se comprometer, porque imaginar todas as coisas lindas possíveis sobre nós, só pra me machucar e aumentar o que já está crescendo inconscientemente dentro de mim? Por que tudo em mim agora é amor, e o resto já não tem a menor importância. E como sempre, em relação ao amor, sempre me perco na metade do caminho. Quando dou por mim, já estou tão presa a alguém, que perco a noção de realidade. O amor sempre foi tão difícil de entender; e eu também nunca procurei entendê-lo, nem vivê-lo, mas o amor sempre me encontra nas esquinas mais inusitadas, já é pra mim um rosto bastante familiar, com uma beleza tão surreal, que dói aos olhos de quem vê, e como sempre ele vem ao meu encontro nas oras que menos preciso dele, quando mais preciso me distânciar de tudo e todos lá está ele, enconstado em um canto,  fumando talvez seu último cigarro, espalhando uma fumaça febril que cega os olhos, com um sorriso torto e astudo, um olhar frio e maldoso, que me encara densamente. As vezes confundo o amor com uma coisa passageira, e penso que acabou, mas ai nas oras de solidão, no meio da madrugada, o vejo olhando pra mim, exatamente como o encontrei da última vez. Ele me abraça fortemente, me prende em uma encruzilhada inescapável, me sonda, e demora a ir embora. As vezes me acompanha por anos e anos, as vezes vai embora sem que eu ao menos perceba. Mas nunca demora a voltar.
O amor já me fez voltar atrás tantas vezes, me fez perdoar quem não merecia, me fez chorar, me machucou, me humilhou, já me deu momentos de glória, de paz, de felicidade, me fez bem, me fez mal. Fez tudo. Quem sabe agora que ele voltou, as coisas possam melhorar um pouco mais, quem sabe ele me traga boas novas, quem sabe ele não me faça tão mal como da última vez. Quem sabe ele ressucite de dentro de mim uma antiga felicidade que eu tinha, uma pureza tão doce no olhar, quem sabe ele não me faça mudar de ideia sobre ele, e resgate a inocência de que amar sempre foi o melhor remédio. Já que o amor está batendo a minha porta, não vou proibí-lo de entrar, ele sempre encontra uma brecha afinal. Deixo-o adentrar no meu coração, mas pelo menos segure a minha mão enquanto estiver aqui, pra que eu não me sinta tão só as vezes, e solte-a só quando desejar ir de vez.

Carolyne Mota

16 de junho de 2010

Se você estivesse aqui (...)


Se você cortasse todos os caminhos pra gente se encontrar,
e viesse correndo pra me abraçar, e dissesse que me ama sem hesitar,
que me beijasse ao pé da cama até me faltar o ar,
e me cobrisse com teu corpo só pra me abrigar,
que me deixasse só as vezes pra não me sufocar,
que chorasse por mim pra eu te consolar,
que me deixasse correr atrás de você quando precisar,
que me fizesse cafuné quando o tédio nos sondar,
que sorrisse das minhas bobagens só pra contrariar
que me procurasse nas oras de trabalho só pra me beijar,
e batesse a porta com toda força só pra me assustar,
e depois me pediria desculpas até eu te perdoar,
e se você fugisse por todas as trilhas disponíveis até me perder,
e depois voltasse pelo mesmo caminho até me encontrar,
eu estaria te esperando até o sol raiar,
e riríamos um do outro até o estômago doer,
e permaneceríamos abraçados até a aurora desaparecer,
passaríamos a noite juntos olhando as estrelas,
e ainda acordaríamos dispostos ao amanhecer.

Carolyne Mota

15 de junho de 2010

Celestial



Mais um dia que nasce, que surge nas linhas do céu, na doce aurora, o cor de rosa bebê misturado ao azul escuro, quase negro e lúgubre céu. Está tão frio agora,  a brisa forte que me invade, me sonda, me arrepia todo o corpo semi-nu, ja já o céu se abre por completo, já posso até ver pequenas linhas douradas perfilando o céu, as cores começam a tremeluzir em um tom de azul diferente de tudo que já vi. Encantador, eu diria. Mas não estou a procura do sol, a noite me fascina, e ficar aqui, parada, observando, analisando minunciosamente as cores que se formam atrás de mim, contando as estrelas e denominando cada uma delas, não tem preço. Meus olhos como asas, voam. Buscam o que existe além desse céu, infinitamente grande e quase sobrenatural. Será que anjos agora olham por mim? Não sei porque me dói, talvez saiba. Se tudo que me machuca agora fosse dissolvido e levado pelo vento que corre contra mim, quem sabe a existência de todos os meus problemas já houvesse a essa altura se esvaído de mim. Talvez eu não lembrasse mais seu nome. Seria como uma dose de amnésia, que varreria pra bem longe a poeira espalhada por todo o canto do meu coração. Essa poeira me deixa doente, me tira o ar, insiste em sujar minhas lembranças com seu nome, escrito bem grande com letras maiúsculas, com toda a poeira que ainda tem pra varrer.
O céu, impossível não notar, está claro, azul celeste.
O dia chegou, então.

Cá entre nós, euforia e expectativa dominou geral hoje. 
Brasil rumo ao HEXA! Apesar do jogo ter sido meio parado, 
não atendeu totalmente as expectativas, mas, valeu a pena!  
Quase não tive tempo pra postar e ficarei ausente por uns poucos dias, 
estudando pras provas. 
Logo menos, férias, ficarei um pouco mais ausente, 
devido as farras da vida. Mas não os abandonarei, 
responderei os comentários sempre que puder.

14 de junho de 2010

Preguiça e uma dose de amor, por favor;


Hoje a manhã começa com um toque de solidão.
O dia está nublado, frio, parece que vai chover. E como eu queria continuar aqui, esparramada na cama, esperando a chuva cair, pequenas gotas de chuva que batem levemente na janela do meu quarto, uma música triste tocando no rádio, era tudo que eu queria ouvir. Mas me falta coragem pra ligar o som, me falta coragem de me mexer, e um café na cama seria uma honra. Mas eu estava um mártirio, melhor deixar pra lá. O que me faria bem agora?
Talvez um chocolate bem quente, e ele ao meu lado. Ele não sabe o quanto me é importante, e vai continuar sem saber. Me faria bem agora tê-lo deitado no lado esquerdo da minha cama, os pés gelados de frio buscando calor nos meus, estaríamos abraçados agora? Não. Esqueça.
Não posso ficar aqui e esperar que esse amor cresça cada vez mais, as chances são claras, óbvias, pode até rolar, mas não. Ele não é o tipo de pessoa que desvendaria meus mistérios, que me completaria, que me deixaria viver abertamente, talvez ele me sufocasse com tantas regras e restrições, ele é tão certo afinal. Altruísta. Sobressaído. Determinado. Solícito. Mas já estou tirando conclusões tão precipitadas.
Talvez eu precise de um café, pra me afastar o rosto dele da memória, me tirar o sono e trazer de volta a coragem, pra sair da cama, cuidar de mim.

3 de junho de 2010

Fotografia


E quando o dia não passar de um retrato
colorindo de saudade o meu quarto 
Só aí vou ter certeza de fato que eu fui feliz
O que vai ficar na fotografia
São os laços invisíveis que havia.
As cores, figuras, motivos
o sol passando sobre os amigos
Histórias, bebidas, sorrisos
E afeto em frente ao mar

Leoni

2 de junho de 2010

Passado por favor, esqueça-me.


Olha, não faças mais isso. Tome cuidado, espere um pouco. Deixe-me explicar por favor. Olhe bem nos meus olhos, posso parecer forte, mas sou frágil, tão quebrável. Então pare de cegar meu olhos com essa ilusão, pare de segurar minhas mãos e me guiar pelos córregos de ouro, pelas estradas sem fim, pelos caminhos insanos do seu coração. Pare com isso, vá embora, me deixe só. Não volte a me tocar, não me olhe com esses olhos cor de mel, tão sutis, pare com esse seu sorriso tão sólido, tão seguro. Estou quase entrege a você. Estou quase me embriagando com seu olhar, que me encara tão explícitamente, tão desnorteado, me despindo vorazmente, chega a me arrepiar por dentro até. Pare, por favor. Não quero enlouquecer, quem tenta consegue, então pare de tentar, não posso continuar assim. Passou, já me convenci de que foi passado, não volte a me atormentar, não volte a me machucar, não quero passar noites a sonhar contigo, perdendo a pouca insanidade que me resta, me afundando numa insônia infinita que cobre minhas noites mal dormidas, me enche de mal humor e transborda pelos poros, me fazendo suar arduamente, só em pensar em você.  Então, fique parado, não faça nada, alías, faça. Pegue suas malas, tome sua estrada, volte para seu mundo, não bata na porta do meu, ele está fechado para visitas inusitadas, breves e ilusórias como as suas. Dê meia volta, me deixe na solidão, é melhor que sofrer, porque toda vez que você volta, dizendo que não consegue parar de pensar em mim, eu caio em seus laços, você me enlaça, me encalça, me prende, depois solta, vai embora e me deixa, novamente. É sempre assim. Dê adeus ao meu coração, dê adeus a mim. E vá. Passar bem, porque estou bem assim, se você quiser saber.