22 de maio de 2010

Espera lúgubre.


Ela esperou, sentada em uma cadeira de balanço, rústica com uma aparência velha e surrada. A casa estava vazia, ele prometeu encontrá-la naquela casa, dentro daquele quarto empoeirado, sombrio, com uma janela enorme que dava uma vista para um lagoa, azul, límpida, tão linda vista que ela se distraia com a paisagem, por um instante ela esquecera do motivo que a levara até ali. E ela se lembrou da primeira vez que fora alí, uma noite chuvosa, abrigados na casinha abandonada, quase uma cena de filme romântico. Foi alí que surgiu tudo.
O barulho da porta a assustou, passos largos caminhavam a todo vapor pela casa, até a porta do quarto, que estava aberta, quase escancarada, e lá estava ela, encolhida, tiritando de frio, olhando atônita para porta.
Ele parou, hesitou, andou dois passos e voltou. Não estava preparado, será que era isso que ele queria? Seu olhar foi em direção ao chão, não conseguia encará-la, mas um olhar de relance o fez ver uma pequena lágrima que começava a se formar nos olhos dela. Isso partiu em milhões de pedaços o seu coração de gelo.
Recuou de novo. "Mal, muito mal, você não sabe o que quer coração tempestuoso, dramático, inválido!" Seu pensamento o dilacerava, mas ele estava com raiva por não saber o que queria. E ela, não conseguiu segurar suas lágrimas, já havia se formado quase um mar diante dela, enquanto ele lutava com sua incerteza. Ele a torturava, foi o que pensou. Ele respirou fundo, dessa vez não ia ferí-la como da última vez, em que a deixou só, na mesma casa, no mesmo quarto e fugiu, como um peixe com medo de tubarões. Avançou dois passos, calculando minunciosamente cada perímetro do quarto, avançou mais. Estava diante dela, não, agora não podia mais recuar. Ele estendeu sua mão para tocá-la. Ela olhava pra ele com um certo medo, ou até mesmo uma dura incerteza que a arranhava por dentro. Ela parecia uns 10 anos mais velha desde a última vez que se viram. Seu coração tremeu dentro do peito mais uma vez. Se ele não a amava como imaginava, porque essas reações descontroladas?
Mas por um impulso desequilibrado ela se levantou, tentou correr, fugir daquilo que a machucava, fugir da dor que se petrificava diante dela. Mas ele a segurou com toda força que existia dentro de si e disse, "Desta vez eu não vou embora até conseguir um beijo seu, combinado?!"
Ele a beijou, tão intensamente esperou que ela reagisse, mas nada ela fez, então parou subitamente e saiu porta afora a passos rápidos, assim como o combinado, e ela desolada, sentou na cadeira de balanço e chorou desesperadamente até o amanhecer.

Estava com receio de postar o conto, porque não vai muito com  o contexto do blog, mas se vocês gostarem eu continuo! Beijos.

4 comentários:

  1. cara, você é muito boa... Esse conto me deixou angustiada até o finalzinho rs :)

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  2. Quem devia ter ido embora era ela. rs O conto que eu tô escrevendo era mais ou menos parecido, e o Rodrigo ia embora definitivamente. Mas preferi prosseguir, pelo menos tentar. rs É bom escrever coisas diferentes no blog de vez em quando. É bom variar.
    Gostei.

    Um beijo.

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  3. Você escreve muito bem, amei seu blog e virei aqui sempre que puder. Beijo.

    www.menina-normal.blogspot.com
    Espero te ver sempre lá em meu blog, e obrigado pelo comentário.

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  4. Nossa, ficou muito bom o conto, me deixou preso até o final, acho que vc deveria postar mais alguns de vez em qdo, comecei a postar contos não tem muito tempo, mas parece que o pessoal tem gostado, assim sai da rotina =)

    Bjs...

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