23 de maio de 2010

Embriaguez


Eu quero, eu necessito espairecer, sumir, morrer. Me esvaziar, deixar preencher. Preencher esse vazio, esvaziar essa dor. Não quero seguir, não quero caminhar, está escuro demais aqui. Me faz um favor, me dê mais uma dose, de alívio. Não, martini não. Não vai resolver, eu quero a mais forte, que me faça cair mesmo. Não me importo, também não se importe, não quero chegar em casa hoje. Me deixe aqui, e me traga a pior das doses e uns cigarros também se não for pedir demais.
Não vou te dizer quem eu sou, isso não interessa, nem te falarei da minha dor, não quero remoer isso mais do que já estou fazendo. Eu estaria esperando alguém nesse bar, mas não chamei ninguém, sim estou só. Porque eu quis. Amigos não me faltam, só que agora, a presença deles não me é importante. Eu quero ficar só, apenas eu e essa dose de whisky, com gelo, esse líquido verde inebriante que me leva ao delírio. Sim, bebida proibida é a que nos faz esquecer os problemas.
Daqui a alguns minutos eu não verei mais nada, mas antes de apagar, quero chorar, jogar fora toda essa raiva que implode dentro de mim. Chorar, é o que me parece mais conveniente agora, já que não tenho mais condições de me levantar dessa cadeira.
Ah...essas luzes vermelhas, piscam aleatórias, a música ao fundo, tão linda, tão tétrica se dissipando... o som está ficando cada vez mais baixo, nem consigo mais ouví-la, era uma música tão doce...
E as pessoas sorridentes, bebem torres, sorriem estridentes, estão felizes, cantam, deixe-as, não preciso delas. Não quero saber delas, só de mim... por que ainda não dormi? Mas o sono virá, alguém perceberá minha ausência, vai ligar para mim, eu não atenderei... alguém me levará pra casa, eu sei. Mas não quero me importar com isso agora [...]

22 de maio de 2010

Espera lúgubre.


Ela esperou, sentada em uma cadeira de balanço, rústica com uma aparência velha e surrada. A casa estava vazia, ele prometeu encontrá-la naquela casa, dentro daquele quarto empoeirado, sombrio, com uma janela enorme que dava uma vista para um lagoa, azul, límpida, tão linda vista que ela se distraia com a paisagem, por um instante ela esquecera do motivo que a levara até ali. E ela se lembrou da primeira vez que fora alí, uma noite chuvosa, abrigados na casinha abandonada, quase uma cena de filme romântico. Foi alí que surgiu tudo.
O barulho da porta a assustou, passos largos caminhavam a todo vapor pela casa, até a porta do quarto, que estava aberta, quase escancarada, e lá estava ela, encolhida, tiritando de frio, olhando atônita para porta.
Ele parou, hesitou, andou dois passos e voltou. Não estava preparado, será que era isso que ele queria? Seu olhar foi em direção ao chão, não conseguia encará-la, mas um olhar de relance o fez ver uma pequena lágrima que começava a se formar nos olhos dela. Isso partiu em milhões de pedaços o seu coração de gelo.
Recuou de novo. "Mal, muito mal, você não sabe o que quer coração tempestuoso, dramático, inválido!" Seu pensamento o dilacerava, mas ele estava com raiva por não saber o que queria. E ela, não conseguiu segurar suas lágrimas, já havia se formado quase um mar diante dela, enquanto ele lutava com sua incerteza. Ele a torturava, foi o que pensou. Ele respirou fundo, dessa vez não ia ferí-la como da última vez, em que a deixou só, na mesma casa, no mesmo quarto e fugiu, como um peixe com medo de tubarões. Avançou dois passos, calculando minunciosamente cada perímetro do quarto, avançou mais. Estava diante dela, não, agora não podia mais recuar. Ele estendeu sua mão para tocá-la. Ela olhava pra ele com um certo medo, ou até mesmo uma dura incerteza que a arranhava por dentro. Ela parecia uns 10 anos mais velha desde a última vez que se viram. Seu coração tremeu dentro do peito mais uma vez. Se ele não a amava como imaginava, porque essas reações descontroladas?
Mas por um impulso desequilibrado ela se levantou, tentou correr, fugir daquilo que a machucava, fugir da dor que se petrificava diante dela. Mas ele a segurou com toda força que existia dentro de si e disse, "Desta vez eu não vou embora até conseguir um beijo seu, combinado?!"
Ele a beijou, tão intensamente esperou que ela reagisse, mas nada ela fez, então parou subitamente e saiu porta afora a passos rápidos, assim como o combinado, e ela desolada, sentou na cadeira de balanço e chorou desesperadamente até o amanhecer.

Estava com receio de postar o conto, porque não vai muito com  o contexto do blog, mas se vocês gostarem eu continuo! Beijos.

21 de maio de 2010

Beer, cigarettes and loneliness.

Eu estava vagando pela rua naquela madrugada a procura de um bar, esperando encontrar algum aberto para que eu pudesse comprar algumas cervejas e me trancar no meu quarto, sozinha para pensar na vida. Era quase 1h da madrugada e a música que tocava no carro do meu avô, que eu dirigia com medo de ser abordada pela blitz, era de dilacerar corações, Coldplay me fazia chorar. Avistei um bar, desconhecido, tão pequeno que quase não se via a meia-luz. Eu e meu amigo descemos, ele foi na frente como sempre, esperei que ele trouxesse as cervejas e uns cigarros de sobremesa. Ele entrou no carro e saímos quase voando dalí. A praça principal me trazia grandes lembranças, meus olhos se enxeram de lágrimas ao passar por lá. Era assutador. Coldplay ainda embalava aquele momento com Violet Hill, parei em frente a praça deserta, abrimos uma cerveja e brindamos a solidão que nos cercava suavemente, mas que se fez perceber tão ávidamente e asperamente que chegava a doer. Depois de alguns goles meu coração queria se dissipar em lágrimas, deixei que elas caíssem dos meus olhos sem me importar com nada. Mais uma cerveja e alguns cigarros, um mar de lágrimas salgadas e latejantes para alíviar, sorrisos fracos e intimidados, conversas para desconcersar, e dalí mesmo coseguimos ver o sol nascer, a manhã de ressaca, mas livre de toda dor que deixei empoirando dentro de mim, criando teias no meu coração. Agora, não havia mais dor, só um vazio, doce vazio que me confortava, e ver o sol tao radiante daquele jeito, me fez tão bem, que nem fiz questão de me lembrar de como cheguei em casa. Só aquela louca vontade de me espreguiçar, e observar o fim do dia, que acabava de começar para mim.

12 de maio de 2010

Sua falta cresce


Eu sempre me impressiono como as coisas podem mudar tão rápido. Eu sinto sua falta, é tudo que eu consigo dizer agora. Não vou acordar até que esse sonho acabe. Então permaneça aqui, no meu subconsciente, já que não posso te ter ao meu lado agora, pelo menos te tenho guardado em mim.

10 de maio de 2010

Então, que seja doce!


Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se não fosse nada.

Caio Fernando Abreu.

7 de maio de 2010

Mistério


Eu não sei bem o que acontecerá, não sei o que meu eu imprevisível e instável fará ao te ver. Olho nos olhos, as coisas se tornam diferentes. Talvez eu perca a voz por alguns meros segundos, e sua presença provavelmente me intimidará, isso sempre acontece comigo, quando estou perto de alguém pelo qual alimentei milhões de expectativas e esperança. Mas talvez eu não me conheça tão bem assim. Sou tímida alternativa, se me der crédito, minha timidez se vai, fico mais extrovertida, comunicativa, alternada. Dependendo do senso de humor. Mas e se sua presença me fizer gelar, e fazer minhas bochechas corar? É estranho admitir que você causa esse tipo de efeito em mim.
Acordei hoje com isso na cabeça, uma dorzinha que atravessa meu coração, dilacera aos poucos. Afundada ao travesseiro, o dia cai, espero que tudo passe, mas tudo continua. Sua presença nítida a minha frente. E eu desnorteada sem saber o que fazer. E permaneço durante todo o dia esperando por meras distrações que me faça esquecê-lo por alguns minutos. É só mais uma atração. Não sei porque minha mente insiste em complicar tudo. Não sei porque insisto em me preocupar tanto assim. Até começei a beber mais do que devia. Cheguei ao extremo. E tudo não passa de uma simples, mentira, tudo não passa de uma complexa e inalterável atração, tão forte, um sentimento preso, louco pra fugir, gritar, ser livre. 
Talvez seja mais que atração, puro desejo, loucura exacerbada e suplicante. Preciso parar de me importar tanto assim. Talvez eu precise de um calmante, ou um copo de wisk, ou uma cerveja gelada, ou qualquer coisa que me ajude a esquecer. 
Me faça esquecer. Diga mais sobre você, porque eu quase nada sei. Seu mistério envolve cada sentido meu, que em unínissono procura te desvendar. Mas tu te fechas em uma bolha, não me deixas adentrar. Me ajude a respirar, me acalme, me fale sobre você, me conte seus segredos, o que você quer, o que quer de mim, que eu darei tudo. Só me ajude a te desvendar, a te procurar e te encontrar, cada canto, cada olhar, cada sorriso teu, me ajude a encontrar nos teus detalhes, você.

5 de maio de 2010



De repente do riso fez-se o pranto silencioso e branco como a bruma.
E das bocas unidas fez-se a espuma.
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento e do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente fez-se de triste o que se fez amante,
e de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante, fez-se da vida uma aventura errante.
De repente, não mais que de repente.

Vinícius de Moraes



Tentei lhe dizer muitas coisas, mais acabei descobrindo que amar é muito mais sentir do que dizer. E milhões de frases bonitas, jamais alcançariam o que eu sinto por você.

4 de maio de 2010

Airplanes


Podemos fingir que os aviões na escuridão da noite
são como estrelas cadentes, seria muito bom um pedido agora. 
Seria bom um sonho, ou uma Jeanie, 
ou um pedido para voltar para um lugar muito mais simples que esse, 
porque depois de tanta festa, muita zona e muita bebedeira, 
todo o brilho, glamour e moda, todo o pandemônio e a loucura. 
Chega uma hora que tudo fica cinzento e você fica
olhando para o telefone no seu colo, você espera, 
mas as pessoas nunca ligam de volta. 
É assim que a história se desenrola. 
Você consegue mais uma mão quando recua 
e quando os seus planos fracassam na areia 
qual seria o seu pedido se pudesse fazer só um?

BoB &
 Hayley Willians

2 de maio de 2010

Contraditória


Sobra tanta falta de tempo, sobra tanta perda, sobra tanto tato e falta tanto sentimento. Esse medo de errar, de machucar, de cair. Acaba sobrando confusão, desespero. Hesitar, pra que? Sofrer calado, amar calado, viver calado, num canto, reservado, só. Não tem graça. A vida é feita de explosões, de brigas, discórdias. Aguentar tudo com paciência, com dicernimento, com força e calma, não é pra mim não. Sou como uma bomba, explodo a qualquer momento, sou rápida com as respostas, fuzilo alguém apenas com os olhos, sou má. Não tenho medo de adimitir, não nasci pra agradar. Tenho meus momentos ruins, de dor, solidão. Tenho momentos agitados, loucos, momentos altruístas e bondosos, mas a maior parte do tempo tento parecer eu mesma, prefiro que as pessoas me conheçam exatamente como sou, com ou sem máscaras. Não deixo que minha vida se resuma a tão pouco. Tenho experiências e histórias pra contar, tenho coisas que prefiro esquecer e outras que guardarei por toda a vida. Gosto de me sentar na bancada de um bar e beber até que toda a dor passe, é uma mania postumamente prematura e errônea; mas faz parte da minha vida. Não encontro todas as soluções pros meus problemas, mas a gente não manda no destino, é preciso aceitar de vez em quando. Não passo pela vida, nem deixo ela passar por mim, sou solícita, inveterada, dramática e informal, íntegra até, incoerente, impassiva, vou vivendo, até que o tempo passe e me faça mudar, afinal, tudo muda mesmo.