30 de abril de 2010

Incostâncias do álcool


"Sente, tome alguma coisa." Disse ele quando viu meu estado deplorável. Eu mal o conhecia, só o via de vista. Mas eu estava só, era madrugada, não tinha para onde correr. O bar estava quase vazio,  ele estava lá a oras. "O que aconteceu?" Ele falou calmamente, sem nenhum tipo de interesse contido na sua voz. 
Eu queria dizer exatamente tudo que estava dilacerando meu coração, mas o medo contido na minha voz, me fazia calar. Ele era quase um estranho pra mim, não podia me abrir assim, sem nem ao menos conhecê-lo. Bebi um wisk forte, que desceu apressado, arranhando minha garganta. Pedi mais outro. E mais outro. Não era a melhor ora para me embebedar, mas eu ja estava sem saída, uma bebida a mais ou a menos, não faria diferença.
A expressão no seu rosto demonstrava preocupação, eu ja tinha até esquecido de sua pergunta, e resolvi responder. "Eu caí." Ele não me perguntou mais nada, olhou para lado, fingiu não me ver, ou estava apenas  tentando não me intimidar com mais perguntas. Mas eu entendi como uma rejeição. Meu rosto se encheu de fúria e ódio. Falei quase explodindo minhas veias, o som da minha voz saíra embargado e rouco, eu havia chorado por oras a fio, era por isso que minha voz estava nesse estado. "Já não basta eu saber que amo alguém que não me ama, que não me quer como eu o quero, e ainda você, que olha pro lado e finge que não existo?!" Ele olhou atônito para mim. E eu percebi que estava brigando com a pessoa errada. Ele era só alguém, que talvez assim como eu, estava passando por algo que o dilacerava por dentro, por isso ele tinha aquele olhar tão sombrio e tão frio.
Ele pediu desculpas, sem saber muito bem o porque. Eu caí em lágrimas, o álcool ja estava fazendo efeito. Ele me abraçou, deixei que me abraçasse, molhei seu casaco com minhas lágrimas que mais pareciam córregos de água descendo cachoeira abaixo. Quando as lágrimas resolveram se encolher da minha face, eu abri os olhos embaçados, ele ainda estava lá. Me senti aliviada por ainda ter alguém do meu lado. Ele me olhava com certo interesse, ou talvez preocupação. Ele era tudo que eu queria agora, pra esquecer a dor. Não pensei duas vezes, o álcool não me deu essa sugestão. Só senti minhas mãos tocando sua nuca e meus lábios tocando os lábios dele, por alguns minutos. Por um impulso, me desfiz daquele abraço e saí correndo rua afora, peguei o táxi mais próximo, e o vi pelo retrovisor gritar pelo meu nome. Ele sabia meu nome. 
Tentei esquecer o que se passara naquele bar, mas era quase impossível, os seus olhos calmos não me saíam da memória, era como se eu tivesse sonhado um daqueles sonhos sem sentido algum. Era uma boa lembrança, apesar da dor intensa que cobria o meu passado, como uma sombra vazia no meio da multidão.


Escrevi esse texto em fervereiro, e o encontrei na escrivaninha entre um monte de outros papéis, ele é um pouco parecido com uma experiência que vivi a um tempo atrás, como tentar esquecer alguém com outro alguém. Que nem sempre é a melhor solução. E hoje eu acabo apenas sorrindo disso tudo, o que o tempo não faz?!

18 de abril de 2010

Que seja doce, por favor!

E eu vou tentando esconder os problemas, enfiando tudo debaixo do tapete, fingir que nada está acontecendo. E está, tudo está acontecendo, um turbilhão de coisas, tudo está explodindo, como um campo minado, cada passo é uma explosão. Eu tento ficar parada, absorta em meus pensamentos, tentando paralisar tudo, voltar no tempo. Mas nada disso andianta. Minha doce ilusão que me alimenta, me olha de longe com um breve sorriso, me fazendo acreditar que vai ficar tudo bem. Mas nem isso me tranquiliza mais. Eu preciso encontrar uma saída, aquela famosa "luz no fim do túnel". Mas parece que ela se esconde de mim. Eu só rezo pra que tudo fique bem. Pra que essa dor não vá mais além. E que seja doce, por que se ficar mais amargo do que isso, eu não vou suportar!

12 de abril de 2010

Máscaras

 

Ainda que doce o dia se faz, em pequenos raios de sol que se soltam livremente pelo céu, e as cores que emanam por si só, vivas e sorridentes que trazem um sentimento de paz, ainda que a sensação de liberdade se faça crescer em mim, ainda sim, dói. E nada é tão cortante e tão dilacerador que estar tão perto e parecer tão longe. Longe de tudo. Tanta matéria e nada de sentimento, tanta felicidade, que só existe por fora, como uma capa protetora, que só serve para fingirmos ser algo que as vezes não somos. E quando somos, ela passa tão rápido, que passa despercebida e silenciosa. E tudo volta ao seu estado de "falsa" felicidade, afinal, é isso que somos, máscaras.

11 de abril de 2010

Novas oportunidades sempre vem!


É, eu não faço a mínima ideia do que eu tô fazendo, mas só sei que eu tô fazendo. Não posso mais deixar boas oportunidades passarem por mim sem que eu as agarre com com toda força. E ontem, ou melhor hoje de madrugada, eu percebi que eu tenho uma chance de mudar minha rota. Isso não siginifica que eu irei te esquecer, mas eu preciso te afastar de mim, pelo menos da minha mente, pelo menos por enquanto, só para que eu possa quem sabe me encantar por outro alguém, e até mesmo me apaixonar. Nos aproximamos mais um do outro, em uma simples conversa de quase 3 horas! Fiquei sabendo mais de você, seus gostos e manias, e você descobriu mais coisas de mim, e até se surpreendeu! E depois do desabafo de ontem, fiquei pensando, o quanto estou cega. Ainda que eu o ame, você está longe agora e não sabe disso. E sofrer não vai adiantar, vou tentar novas oportunidades, novas pessoas, novos amores, e ver no que vai dar. E quem sabe, um dia consiga te esquecer e aprenda a conviver bem com isso tudo e depois ria de tudo que eu falei, das lágrimas que derramei, dos momentos em que eu bebâba, chorava ao falar em você! E quem sabe, as coisas mudem depois que você chegar, e nos tornemos só grandes amigos, e eu ja não vou estar tão louca por você. Dái, quem sabe você, volte a se apaixonar por mim, ou apenas sentir saudades do que nós vivemos, e quem sabe, nós voltariamos a relembrar nossos bons momentos, quem sabe, não é mesmo?! E vou viver minha vida, sei que novas estações tão chegando, e vou aproveitar cada minuto!

9 de abril de 2010



Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso 
mas a outra metade é um vulcão.
(...)
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

Oswaldo Montenegro

Passado, presente, quem sabe futuro.




E quando eu penso no que ficou de nós dois, só palavras jogadas ao vento, doces canções que enchiam meus ouvidos, palavras sutis que se alojavam em meus lábios, sua doce canção, que aos poucos foi se esvaindo da minha memória, foi aos poucos se dissipando pelo ar. Ainda lembro daquela noite em que eu realmente te vi pela primeira vez, com outros olhos, e era tudo tão real. Suas palavras foram se envolvendo com as minhas, nossos corpos hesitando a cada toque, a cada olhar. Minhas mãos tremiam, meu coração balançava. Ainda era cedo, cedo demais pra saber o que estava acontecendo. Mas passei noites acordada tentando entender o que se passara comigo aquela noite...

A forma como você sorria, mexia fundo com meus impulsos. E eu ja não me sentia tão só. Era só uma festa, mas para mim, a música estrondosa havia parado de tocar, as pessoas que se esbarravam por todos os lados ao nosso redor, simplesmente deixaram de existir, e só restavam você e eu. Não havia válvulas de escape, eu sempre tentava me sair dessas situações, tão íntimas e constragedoras, mas naquela noite, chuvosa e fria, eu simplesmente me deixei levar. E aquele beijo... aquele beijo doce, o gosto que ele tinha, era quase irreal. A forma como me tocava, gentilmente e sua pegada tão forte, seu beijo ardente que depois ficava calmo, passivo e sedutor.

Se você tivesse ficado aqui por mais tempo, eu teria me entregado abertamente a você, contado todos os meus segredos mais obscuros, teria deixado você explorar minha mente até descobrir todas as minhas manias bobas e fúteis, e você riria de mim até chegar a doer seu estômago, e quem sabe você teria me contado todas as suas histórias e aventuras, e como é estar vivendo em outro país, pessoas totalmente diferentes, línguas diferentes, tudo estranho à primeira vista, talvez teria me contado seus segredos e tocado delicademente meu rosto, me deixando sentir sua respiração tão perto da minha, teria me deixado tocar teu coração e saber que ele batia tão intesamente por mim, só por mim!

Mas você teve que ir, tem uma vida toda pela frente, um futuro esperado e desejado, um sonho a realizar. Entendo isso. Mas o que fica em mim é a saudade, as poucas lembranças que tivemos juntos, que foram intensas pra mim. E você vai voltar, e eu imagino sua volta, talvez, ja tenha até me esquecido, ou até quem sabe, nem volte. E se voltar, não sei se vai me procurar.. e se eu te ver, e olhar nos teus olhos, como da última vez... vai me doer por dentro, mas ainda sim, esperarei pelo beijo, o seu beijo, que eu ousaria te dar, se eu tivesse uma oportunidade...